Resistência ao Dia Internacional do Homem

Este artigo é sobre como um Ativista por Direitos dos Homens teve a coragem de iniciar o Dia Internacional do Homem, a despeito das tentativas de impedi-lo. Seu nome era Thomas Oaster.

Thomas Oaster era um defensor dos direitos dos homens muito articulado e apaixonado por essa sua atuação. Ele era prolífico em seu trabalho com grupos de homens, questões masculinas e luta política dentro e fora do campus onde ele ensinava. Ele teve muitos bons ADHs junto com ele, homens e mulheres que ajudaram os homens, mas e o homem que ele era? Quem era ele, realmente, e qual é a história desconhecida de como ele inaugurou o primeiro Dia Internacional do Homem? A seguir, quem foi Thomas Oaster e como ele colocou o DIH no mapa para todos que quiserem celebrar o evento daqui para adiante.

No início da década de 1990, o crescente interesse de Oaster em lutar pelas questões dos homens (e a resistência ginocêntrica a essa defesa de direitos) o levou à ideia de criar um Dia Internacional do homem, celebrado mundialmente. Seu objetivo era criar uma plataforma onde as histórias dos homens pudessem ser contadas em suas próprias palavras, em vez de serem reinterpretadas por outros.

Em um momento de nostalgia sobre esse sobre esse sonho que, ele fez esse devaneio:

Você não ganha pontos em grupos de homens expandindo seu ego, mas eu gostaria que a cidade do Kansas fosse conhecida por ser a cidade natal do Dia Internacional do Homem porque um menino da cidade pôs isso pra andar. [1]

Como você vai ler a seguir, Thomas Oaster e a cidade de Kansas podem realmente agora ter o crédito por ser o epicentro de um movimento mundial.

O primeiro evento do DIH ocorreu em 1992 quando pequenos grupos de ADHs se espalhavam por 4 continentes, celebraram simultaneamente com Oaster o evento pela primeira vez. Hoje, graças a sua visão, há milhões de pessoas em mais de 60 países celebrando o DIH. Essa conquista é notável quando nós consideramos que aconteceu há 20 anos em um tempo em que a defesa dos meninos e homens era considerada impensável.

Thomas Oaster foi diretor do Centro para Estudos Masculinos e empregado como professor associado na Universidade do Missouri, na cidade do Kansas, onde ele dava aulas sobre questões masculinas. Isso mesmo, sobre verdadeiras questões masculinas. Ele falou sobre como, primeiramente, foi atraído para o movimento dos homens por um interesse intelectual, mas rapidamente veio a se sentir perseguido por sua associação com esse assunto politicamente incorreto. “Eu fui surrado, enxotado”, relata Oaster. “As pessoas diziam: ‘O que, você odeia as mulheres?’ Quanto mais me atacavam mais eu me envolvia com isso. Minha origem teutônica veio à tona.” [1].

O primeiro DIH aconteceu em 7 de fevereiro de 1992, com a proposta de “atrair atenção positiva a questões [masculinas] importantes.” [2] O evento foi bem sucedido em 1992 e também em 1993 e 1994. [3] Pessoas em quarto continentes celebraram e convidados nos vários eventos foram ouvir palestrantes falarem sobre temas que iam desde “a tragédia silenciosa da saúde masculina” até “ridicularização os homens” e para trocar informações, falar, beber e jantar.

Foi uma ocasião miraculosa. Pela primeira vez na História, pessoas se encontraram ao mesmo tempo em quatro continentes para realmente falar sobre essas coisas. Naquele dia, 7 de fevereiro, homens e mulheres desfrutaram da companhia de pessoas afins enquanto partilhavam histórias pessoais que nunca antes tinham sido ouvidas. Oaster falou no evento em sua cidade natal, Kansas, lembrando aos presentes que a discussão sobre a saúde e bem-estar dos homens merecia ser ouvida, apesar da cacofonia da misandria.

Nós queremos que os ataques parem. Não é uma solicitação. É uma declaração. Nós queremos que isso pare! Para dar a vocês um exemplo, uma mulher andou por aqui, viu o material e disse: “Vocês devem estar brincando. Vocês não vão seriamente ter o um dia do homem, vão?”[4]

Oaster esperava que o dia pudesse se tornar um meio de educar e conscientizar onde as realizações culturais positivas dos homens pudessem ser celebrados e os homens pudessem encarar uma melhor variedade de opções sobre como eles quisessem viver suas vidas.

As mulheres e os homens deveriam, ambos, ter opções”, escreveu Oaster, e “O Dia Internacional do Homem é uma oportunidade de se atrair atenção para a questão das opções.[5]

Oaster propôs seis objetivos centrais para o dia do homem, que foram: celebrar os aspectos positivos e contribuições dos homens, melhorar as relações entre os gêneros, chamar atenção sobre a saúde e bem-estar dos homens, eliminar a misandria, aumentar as opções de vida para homens e meninos e desenvolver uma abordagem humanitária a todas as questões masculinas. Esses seis objetivos foram as fundações que depois seriam reafirmadas e ratificadas pela nova geração de celebrantes do DIH, mas não antes que um grupo de mulheres “anti-Oaster” tivessem dado uma cartada definidora.

Após o sucesso popular do primeiro Dia Internacional do Homem em 1992, feministas em seu campus se tornaram cada vez mais vingativas. Durante o planejamento que ele fazia para o evento em 1994 e 1995, uma bomba foi repentinamente atirada por ao menos 6, entre ex e então alunas, que se queixaram coletivamente que Oaster as tinha assediado sexualmente e sido “hostil” na sala de aula. As duas alegações mais sérias feitas pelo grupo era que Thomas Oaster tinha pegado no antebraço de uma estudante no que ela percebeu como um “movimento de breve carícia” e que ele aconselhou outra estudante a descolorir o cabelo, em resposta à sua pergunta sobre o que ela poderia fazer para melhorar as notas ruins. Para enfiar a faca mais fundo, outra estudante disse que ele a tinha chamado de “loirinha” pelo menos duas vezes. Os curadores da universidade deram atenção a essas acusações rasas e dúbias e foram rápidos em responder com a imposição de restrições aos movimentos e trabalho de Oaster. [6]

A despeito dessas distrações, os eventos do DIH seguinte foram extremamente bem, com várias centenas de pessoas presentes. Porém, o quarto ano do DIH prenunciaram uma mudança de clima, quando seus antagonistas decidiram redobrar seus esforços para impedir o professor.

Em 1995, Oaster tinha planejado organizar seu quarto e maior evento do DIH, quando ele se tornou cada vez mais alvo de perseguição no trabalho. Ele decidiu processar judicialmente os curadores da universidade por infringir seus direitos civis como professor, alegando que ele estava sendo coibido em sua liberdade de expressão , aumentos salariais, assistentes de classe e uso da estrutura física da universidade. [6] Naturalmente, o processo judicial tomou muito de seu tempo e energia e isso reduziu sua capacidade de efetivamente organizar ou divulgar DIH que chegava.

Devido a essas circunstâncias, o evento o DIH foi um insucesso, no pouco número de pessoas que o comemoraram. Após esse fracasso, e se sentindo desgastado por um complicado processo judicial, Oaster decidiu abrir mão dos planos do DIH e ter um merecido descanso.

Para ser exato, Thomas Oaster tinha sido perseguido por seu papel no movimento por direitos dos homens. [6] Posteriormente, em 1995, Oaster foi vitorioso em seu processo judicial contra a UMKC e a Universidade foi forçada a pagar-lhe US$ 74,000, mais $15,000 por despesas judiciais. Após acordo, Oaster se demitiu de seu trabalho, pois acreditava que não teria mais o respeito de seus estudantes, e engavetou os planos e continuar celebrando o DIH. [6]

O interesse no evento se desvaneceu até 1999, quando o Dr. Jerome Teelucksingh, professor de História na Universidade das Índias Ocidentais reviveu o evento e mudou a data para o dia 19 de novembro – a data do aniversário de seu pai.

Jerome Teelucksingh continuou a ênfase de Oaster nos aspectos positivos e realizações dos homens. Em uma entrevista em 2009, Teelucksingh também reconheceu o trabalho de Oaster, quando afirmou:

Eu poderia ser considederado o fundador desta versão do DIH em 19 de novembro, mas nós precisamos também reconhecer os esforços pioneiros de pessoas e grupos antes de 1999… Eles são os que devem ser homenageados. [3]

Em 2009, a comissão do DIH foi formada por Jerome Teelucksingh como presidente. O grupo se reuniu para melhorar a conscientização sobre o evento e para promover seu crescimento em mais nações.

Observando os objetivos fundacionais do DIH introduzidos por Oaster e Teelucksingh, a comissão incorporou os objetivos do DIH em seis princípios-guias que serviriam para proteger os valores centrais do dia e fornecer um ponto confiável de referência para futuros celebrantes. [3] Os “seis pilares”, que são flexíveis e abertos a interpretação, são agora usados como guias para celebrantes do DIH pelo mundo:

  • Promover modelos masculinos positivos; não apenas estrelas de cinema e esportes, mas homens trabalhadores do cotidiano, que vivem vidas decentes e honestas.
  • Celebrar as contribuições positivas dos homens à sociedade, comunidade, família cuidado de crianças e para o meio ambiente.
  • Ter foco na saúde em bem-estar social, emocional, física e espiritual dos homens.
  • Expor as discriminações contra homens e meninos em áreas de serviços sociais, atitudes sociais, expectativas e na lei.
  • Melhorar as relações entre os gêneros e promover igualdade de gênero.
  • Criar um mundo melhor e mais seguro, onde as pessoas possam viver livres de violência e crescer para atingir seu pleno potencial.

Acredito que o espírito da visão original de Oaster’s e a do A Voice for Men têm muito em comum. Ambos os movimentos querem criar uma voz inclusiva para os homens, a mais livre possível de distrações sectárias. Além disso, tanto o DIH e o AvfM rejeitam a noção de um movimento único, encorajando em vez disso uma diversidade de vozes de homens em uma variedade de questões humanitárias.

Thomas Oaster disse:

Não existe algo como um movimento dos homens unificado, os fenômenos envolvidos compreendem uma variedade de sub-movimentos, mesmo seguindo analogias a outros assuntos a respeito de quais são orientações de extrema esquerda, extrema direita e meio-da-rua, existe ainda outro ponto fundamental que pode ser abordado sobre o valor do respeito por todos os homens como seres humanos. Um dia de respeito deveria ir além das atividades sociais chamadas de movimentos de homens. Isso é verdade porque o próprio movimento dos homens vai além dos movimentos dos homens. O movimento dos homens, mais fundamentalmente, é uma mudança da psique humana e a articulação dessa mudança através da voz masculina.[5]

Paul Elam, fundador do avoiceformen.com diz:

Continuar a se enganar sobre a falsa unidade de uma entidade não existente só irá nos tornar mais lentos. Eu sempre tive o cuidado, e ainda tenho, de apontar que o AVfM não é sinônimo do movimento dos homens. Após ponderar sobre mais uma vez, depois de milhares, eu realmente fico feliz em ter essa abordagem. Eu não sei o que o movimento dos homens é, com toda a honestidade. Eu nem sei que ele exista. [7]

Enquanto as similaridades nos dois movimentos é óbvia, há algumas diferenças importantes. Por exemplo, no tempo de Thomas Oaster não havia internet, enquanto hoje ela é um meio vital para todo o tipo de ativismo, incluído aqui no AVfM. Outra diferença é que o DIH é focado no trabalho de ativista que dura um ano para levar a um grande dia de publicidade, enquanto outros ativistas lutam para fazer de “todo dia” um dia do homem, via publicidade regular online.

. . .

O Dia Internacional do Homem é um movimento popular sem gestão oficial. Não pertence a qualquer governo, nem é de propriedade das Nações Unidas ou quaisquer de suas agências. Nós podemos dizer que ele não pertence a ninguém, ou melhor ainda, que ninguém o possui. Qualquer pessoa pode se autonomear um coordenador do DIH para uma região específica ou evento e, se desejar, formar alianças com uma rede internacional de indivíduos que trabalham para promover o dia. Qualquer atual ou futuro coordenador é meramente uma pessoa pegando carona numa plataforma internacional que não pertence a ninguém.

Ninguém precise obter permissão para comemorar o dia. Todos precisam ser cônscios do espírito da ocasião, conforme colocado pelos seis pilares, que nos pedem para leais às vidas dos homens e meninos sem permitir que essa mensagem seja diminuída por questões negativas ou irrelevantes.

Nos últimos anos, o DIH se espalhou para novas regiões e atraiu alguma atenção do grande público. Com essa nova atenção, talvez seja tempo de lembrar aos recém-chegados que os criadores do evento estavam lutando por liberdade e que nós ainda temos um longo caminho a seguir nesse fronte.

Com isso em mente, terminemos com as palavras do discurso de Abraão Lincoln em Gettysburg, também ditas em 19 de novembro, data do Dia Internacional do Homem. As palavras desse discurso falam igualmente sobre a proposta do Dia Internacional do Homem hoje e dos grandes sacrifícios feitos por Oaster e outros homens e mulheres que lutaram no campo de batalha da misandria cultural:

Há 87 anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova Nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais.Encontramo-nos atualmente empenhados numa grande guerra civil, pondo à prova se essa Nação, ou qualquer outra Nação assim concebida e consagrada, poderá perdurar. (…) Os valentes homens, vivos e mortos, que aqui combateram já consagraram [o campo], muito além do que nós jamais poderíamos acrescentar ou diminuir com os nossos fracos poderes. (…) O mundo muito pouco atentará, e muito pouco recordará o que aqui dissermos, mas não pode jamais esquecer o que eles aqui fizeram. Cumpre-nos a nós, os vivos, dedicarmo-nos hoje à obra inacabada, tão nobremente levada a este ponto.” [Lincoln]

A despeito da resistência, a tradição do DIH continua viva. Oaster fez a sua parte e o mesmo sonho está agora em nossas mãos para levar adiante.

 

Referências:

[1] George Gurley, ‘Finally, men get their day’ (Kansas City Star: Feb 6, 1993)

[2] Fred Wickman, ‘about Town’ (Kansas City Star: Jan 27, 1992)

[3] Jason Thompson, ‘International Men’s Day; the making of a movement’ (Soul Books, 2010)

[4] James Fussell, ‘Men have their say at weekend forum’ (Kansas City Star: Feb 6, 1993)

[5] Thomas Oaster, ‘International Men’s Day: RSVP’ (Cummings and Hathaway, 1992)

[6] Cheryl Thompson, ‘Complaints surface about UMKC professor’ (Kansas City Star: Mar 10, 2003)

[7] Paul Elam, ‘Adios, c-ya, good-bye man-o-sphere’ (A Voice for Men. retrieved October 2012)

 

Artigo originalmente publicado no A Voice for men.
Tradução: Aldir Gracindo. 

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