Pais também também existem!

Pobrezinha, pobrezinha, pobrezinha da Gwen Stefani. A estrela de Hollywood se separou de seu marido roqueiro Gavin Rossdale em 2015.

Mas não é por isso que nós devemos ter pena dela. Afinal, o casamento de Stefani durou mais do que os da maioria dos seus colegas.

Não, a razão por que Stefani acha que tem direito à nossa compaixão é que ela descobriu, para horror seu, que quando casais se separam, seus filhos – neste caso, Kingston, de 10 anos, Zuma, de 7, e Apollo, de 2 – não costumam continuar a passar 100 por cento do seu tempo com as mães. Crianças têm esses… – Ãh, como é que se chamam, mesmo? Ah, sim – pais. E os filhos de Stefani estão agora passando muito do tempo com Rossdale. Stefani acha essa situação desconcertante: “Foi tão insano, porque não apenas minha família se separou, como então meus filhos são levados embora, tipo, metade do tempo, então isso foi tipo: ‘O que?! O que foi que eu fiz?’”

As rotinas linguísticas que Stefani empregou contam uma história cultural do “privilégio materno.”

Stefani admite que sua família “se separou” e mesmo assim acha “insano” que seus o pai dos seus filhos deva – como antes da separação – desfrutar da companhia deles “metade do tempo.” Nenhuma alegação de má parentalidade foi feita contra Rossdale, que já foi descrito como “apaixonado”, então, objetivamente, parece muito “sano” que o casal deva continuar a compartilhar a parentalidade após o divórcio, como eles faziam antes.

Stefani descreve a guarda compartilhada como seus filhos sendo “levados embora”, como se eles fossem suas posses. Mas crianças não são objetos para serem “levados embora”; elas “vão” para a casa do pai. Suas perguntas finais são particularmente reveladoras: “O que?! O que foi que eu fiz?” Stefani aparentemente entende a parentalidade compartilhada como uma punição para uma mãe abusiva, quando de fato é simplesmente justo para pai e mãe e deveria ser, em 2016, considerado a norma. Não parece ter ocorrido a Stefani se perguntar como Rossdale se sentiria se, embora não tendo feito nada de errado também, apenas visse seus filhos quando Stefani estivesse em algum tour.

Privilégio de mãe não é restrito a celebridades egoístas. Permanece um fenômeno amplamente disseminado no Ocidente, mesmo que, nessa era de igualdade de gênero tão febril, devesse ser visto como tendo data cultural de validade expirada. Infelizmente, enquanto os meios de comunicação estão atentíssimos à menor manifestação de privilégio masculino, os comentaristas ou silenciam sobre a justiça da parentalidade compartilhada como regra ou, irrefletidamente, apoiam o privilégio materno.

Um artigo servilmente centrado em mães, publicado em maio no U.K. Mail Online, intitulado “A agonia de ser mãe 50/50”, por exemplo, empatiza com as mães que se angustiam com a injustiça de um mundo cruel em que precisam compartilhar seus filhos em igualdade com os ex-maridos. Para o olhar crítico, o texto parece uma sátira, com percalços triviais solenemente afirmados como se fossem trágicos.

A mãe do artigo, Verônica, é descrita como “cheia de maus presságios” sobre os dias que suas crianças vão ficar com o pai, após o que ela não pode entrar no quarto das meninas porque “Eu sei que vou simplesmente me desfazer em lágrimas”. Verônica ficou chocada que o pai das meninas “as tinha levado ao cabeleireiro” sem informar a ela. Agora – céus – seus cabelos estão curtos demais para rabinhos de cavalo. Segue esse drama sofrido até que, casualmente, lemos que “embora confie em seu ex-marido implicitamente com o cuidado das filhas dela…” Em outras palavras, ele não é um monstro; é um bom pai.

O preconceito escancarado da jornalista emerge em seu tom enjoado. Ela nos pede para imaginar “a dor agonizante de privar da vida da sua criança durante apenas metade do tempo. Os momentos perdidos. Os afagos antes de dormir, perdidos… imaginando se elas estão dormindo ou pedindo pela mamãe.” Por favor. São duas pessoas perdendo momentos e afagos e são duas pessoas se perguntando se seus filhos sentem sua falta quando não estão lá. Mas parece como que uma dessas pessoas não existisse.

Verônica acha que está sendo justa quando diz: “Eu sei que as meninas precisam ver seu pai.” Isso é só formalidade. Na essência, ela não acha que as filhas sofreriam se não o vissem porque “no final das contas, eu sou a mãe que, e alguma forma, aprendi a parar de ser mãe durante metade a minha vida. Não estou certa de que eu poderei, em algum momento, fazer as pazes com isso. Não conheço muitas mães que possam.”

E as crianças, Verônica e Gwen? Vocês sabem quantas crianças “fazem as pazes” com a perda de seus pais, como tantas perdem nas Varas de Família preconceituosas? Talvez se a repórter tivesse tido o trabalho de entrevistar alguns – quaisquer – pais, ela pudesse ter entendido que ter que parar de ser pai durante metade da vida é igualmente “agonizante”. Mas nunca ocorreu a ela perguntar. Na minha experiência, quase nunca ocorre a ninguém da mídia perguntar.

 

Artigo originalmente publicado no National Post. 
Repostado no A Voice for Men em português com autorização da autora.
Tradução: Aldir Gracindo.

3 thoughts on “Pais também também existem!”

  1. Hugo Desmascarador

    Na hora de reclamar direitos, gritam e esperneiam, na hora de conceder direitos JUSTOS ficam de mimimi !!!

  2. Gustavo Kannenberg

    Incrível como só veem um lado… não sei se são cegos, burros ou mau intencionados… ou tudo isso junto.

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