Carta aberta à Nissin Food Products Ltda. Parte I

Esta carta está sendo enviada, inicialmente, através do endereço eletrônico: sac@nissin.com.br. Além do comunicado à empresa, o objetivo é fazer um panorama da misandria na mídia e da defesa dos direitos dos homens neste contexto, divulgar o protesto do próximo dia 25 de abril e contribuir para a interação entre diferentes grupos com causas afins. Peço desculpas aos leitores pelo tamanho dessa correspondência. Infelizmente, nem sempre é possível abordar um assunto que se tornou tão proscrito e heterodoxo da forma tão concisa quanto abrangente. Para amenizar isso, a publicação será feita em 2 partes. – Aldir.

À Nissin Food Products Ltda.,

Hoje eu e minha equipe vimos sua mais nova campanha para promover o Nissin Miojo Light. Não vou nem aprofundar o fato de que o produto de vocês está longe de promover bons hábitos alimentares para as famílias e as crianças. Nota-se que vocês estão procurando aumentar vendas e lucrar à custa de uma cultura onde a ridicularização, o desprezo e a agressão à imagem e mesmo pessoa física do homem, do pai e até mesmo dos meninos, se tornou ampla e institucionalizada. O mais alarmante é que essa exploração antiética é realmente lucrativa. E isso nós queremos e vamos mudar.

Me refiro ao seu último anúncio comercial. Nele a piada é sobre como as mulheres têm uma vida difícil, porque os homens nas vidas delas são tão porcos e incompetentes que são um constrangimento para elas:

Há muito se fez um levantamento, nos EUA, sobre a quantidade de comerciais que baseiam o marketing de um produto na ridicularização, violência, difamação e ridicularização da figura masculina, inclusive dos pais. As chances são de que em 10 a cada 10 comerciais onde um gênero é ridicularizado, esse gênero será o masculino. Mesmo assim, vemos inúmeras campanhas dizendo que a mídia é um “mar de machismo”. Estamos com disposição de sobra para combater esse preconceito social. E vocês são uma empresa que está procurando lucrar se se aproveitando da condição cultural atual.

O problema desses comerciais e abordagem midiática é que todo menino, há mais de uma geração já, cresce com um senso cruel e errado de si mesmos e seus pais. O preconceito de que ser homem é ser imbecil, imaturo, inculto, criminoso, espancador, desprezível, patético, desastrado, incompetente, pedófilo, estuprador, violento. Essa não era a noção que se tinha sobre os homens. Essa é uma construção cultural de gênero contemporânea, proposital e desumana.

E que os homens cada vez mais, na visão do público, merecem penas piores, desprezo maior, que é engraçado esmurrá-los e agredi-los sexualmente. Que o estupro contra os homens é engraçado. Que eles são criminosos históricos e merecem tudo de ruim que acontecer com eles. Nós nem sequer conseguimos, hoje em dia, perceber um chute nos testículos de um homem como uma violência – é uma comédia, uma piada.

Na verdade, especificamente, sabemos que um chute nos testículos sequer é visto como violência sexual, pela percepção pública. E apesar de os homens e meninos serem mais vítimas das piores violências, isso passa despercebido e não é tratado devidamente pela grande mídia, nem pelo poder público. E muito menos por empresas que não têm compromisso com a ética tanto quanto têm com o lucro.

Anteriormente, na ocasião do Dia Internacional da Mulher, essa empresa veiculou outro comercial anti-homem que parece ter satisfeito a muitos (as) e não ter provocado suficiente aversão daqueles a quem ele moralmente agrediu.

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Será que nós não temos já maturidade, na nossa sociedade, para um pouco de igualdade verdadeira? Talvez devêssemos achar graça de um comercial onde a mulher seja o ser defectivo devido à falta do cromossomo Y. Uma falta que a faz defectiva ao ponto de aceitar o voto sem a obrigação do alistamento; reclamar constantemente de uma tampa de privada levantada, quando os homens passam a vida sem reclamar do fetidez imutável do banheiro, por causa do papel higiênico contendo restos de urina e secreção vaginal; capazes de supor que devem sair para se divertir às custas de um homem pagante e ainda aceitar que feministas digam que isso é opressão e objetificação DELAS, porque alguém se escraviza para proporcionar conforto e diversão a ELAS, que apenas têm que estar lá – e às vezes, realmente, apenas “meio” lá; etc. Mas parece que não riríamos disso. E se é assim, vamos estragar a graça quando a piada é misândrica, também.

Tivemos antes situações em que nos organizamos para pedir uma mudança nesses comerciais preconceituosos e que buscam lucro à custa da desmoralização humana, seja pela ridicularização, seja pela apologia da violência física e/ou moral, de homens e pais.

Um exemplo foram os comerciais da Bombril, que comparavam os homens a animais e reforçavam a ideia de que violência contra o homem é engraçada. Ironicamente, para dizer que as mulheres são “evoluídas”. E mais ironicamente ainda, as mulheres “evoluídas” são travestis de homens. Indiretamente, o comercial, como outros, afirmam que as mulheres são melhores e mais desenvolvidas que os homens por terem atingido um estágio de competência intelectual e profissional que os homens inauguraram. Terem trilhado um caminho de trabalho que a civilização, que não teria sido construída sem sangue, genialidade, trabalho e sacrifício, inclusive da própria vida, dos nossos pais. A mulher evoluída, diante disso, ainda, é a que se diverte com a violência contra seu irmão em termos de família Humana? Se for assim, realmente a mulher moderna que adquire esses produtos é um ser social não só iludido, mas muito adoecido.

A Bombril, no entanto, mesmo contatada por grupos que defenderam os direitos e a dignidade dos homens e pais, desdenhou das reclamações, pedidos e da denúncia feita ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – CONAR. Na ocasião, conseguimos um feito notável pelo número de manifestações e pelo tema:

http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/cerca-de-300-homens-recorrem-ao-conar-contra-bombril

Nossas empresas parecem estar ativamente engajadas em ridicularizar os homens. Por que elas podem. Porque os homens não se ofendem, aceitam a piada e não veem a monstruosidade cultural que os atingirá a qualquer momento, e aos próprios filhos. Atingirá quando forem acusados injustamente, quando forem vítimas de violência. Quando forem atirados pelo programa “Minha Casa Minha Vida” à rua, onde quase todo morador é do sexo masculino, de várias idades. Quando a Justiça e a Legislação promover alienação entre pais e filhos, enquanto mantém orgulhosamente a prisão por dívida de pensão alimentícia como a única prisão por dívida tida como humanamente aceitável. E pior: a prisão por dívida de pensão alimentícia do pai vítima de alienação parental.

E vocês fazem isso porque é lucrativo. Corpos jovens e sexies de mulheres vendem produtos. Desprezo e ridicularização de homens e pais também vendem muito bem.

Enquanto isso, o CONAR foi acionado diversas vezes por grupos feministas que acusaram marcas de suposta violência contra a mulher.

Um comercial de lingerie onde a modelo Giselle Bündchen sugeria o poder da beleza da mulher brasileira sobre o homem foi alvo de tentativa de proibição. A tentativa veio da própria Presidência da República brasileira.

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Houve a denúncia feminista e campanha por toda a internet contra o anúncio da cerveja Skol “Homem invisível”, onde o palhaço é o homem, mas feministas viram ESTUPRO onde não há. E usaram o anúncio como “evidência” de que a nossa cultura é uma “cultura do estupro” de mulheres, quando evidentemente não é. Podemos sim dizer que há subculturas de estupro, em vista da definição feminista da “cultura do estupro”. E sabemos que os homens e meninos são mais vítimas de violência sexual como um todo – e mais vítimas das piores violências sexuais.

Continua aqui.

Nota: Ao longo do dia 21/03/2004, o texto passou por diversas edições para retificação e adição de informações.

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