Como encorajar o melhor que o seu filho pode ser

Seja o #MeToo, a Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) ou o anúncio da Gillette criticando os homens, a masculinidade está sob ataque. Ouvimos que “o futuro é mulher” e lemos livros chamados The end of men (O fim dos homens).

Imagine a sua filha crescer em tempos que predissessem “o fim das mulheres.” Nenhum menino ou menina nunca cresceu em um tempo que predissesse o fim do seu gênero. A antecipação do “fim dos homens” não é exatamente uma inspiração para a jornada de vida do seu filho.

Como educador, eu ouço com regularidade de mães e pais de meninos: “Eu não sei guiar meu filho”. “Meu filho está procurando quem ele deve ser, mas ele só escuta o negativo: as acusações de “masculinidade tóxica”, de “privilégio masculino”, “opressão” e “patriarcado.” Ele ouve nada sobre como toda geração treinou os jovens a se sacrificarem de forma que mulheres e crianças pudessem viver; ele escuta nada sobre como os pais abriram mão de suas paixões para ganhar dinheiro de forma que seus filhos pudessem ter vidas melhores que as que eles têm.

Se tratando de meninos expressando sentimentos, alguns pais e mães ainda estão dizendo que “menino não chora.” Outros dizem: “Nós sabemos que é um perigo ensinar nosso filho a reprimir sentimentos, mas quando ele fala na escola, ele é acusado de ‘mansplaining.’ Então ele reprime os sentimentos. Isso não está só reforçando a toxicidade da qual os acusadores tanto reclamam?”

Não nos enganemos: Existe uma crise dos meninos. Os meninos estão indo pior que as meninas em praticamente todas as disciplinas acadêmicas das 63 maiores nações e suas taxas de suicídio, morte por overdose de drogas, desemprego e encarceramento estão crescendo. São homens cometendo assassinatos em massa e se juntando ao Estado Islâmico. O que é mais incrível, porém, é que essa crise está sendo respondida com uma indiferença cultural. Em vez disso, deveria catalisar uma mudança cultural.

Nós sempre tivemos uma batalha dos sexos. Mas durante a última metade de século, nós tivemos uma guerra em que somente um lado compareceu para lutar. Se os meninos e homens se sentissem seguros o suficiente para tirar as cabeças da areia, o que eles diriam? Eles poderiam dizer que o monólogo #MeToo precisa ser um diálogo #MeToo. Como disse um pai: “O meu filho tem receio de que se ele agir muito rápido, ele será um agressor, mas se ele for muito lento, será um incapaz. Ele me perguntou uma vez: ‘Por que parece que as meninas que mais me atraem querem que eu assuma riscos de rejeição sexual? Igualdade não era para significar que elas deviam assumir os riscos metade das vezes?’”

Os meninos que estão mais em crise são os meninos privados de pai. Especialmente filhos do divórcio, quando as varas de família se recusam a deixar os pais terem tempo igual com eles. Para muitos, parece que as suas mães têm o direito de ficar com eles, mas que os pais têm que lutar para ficar com eles. Eles se sentem abandonados pelos seus pais; se sentem perdidos. Eles pensam: “Se eu me casar e tiver filhos, eu vou ser algum dia como meu pai? Pagar por filhos que eu só de vez em quando vou poder ver?”

Novamente, não é exatamente uma inspiração para a jornada da vida do seu filho.

Então, quais são as melhores formas pelas quais nós podemos ajudar um menino a se tornar o melhor homem que ele possa ser? Primeiro, assegure-se que o seu filho seja “rico de pai”, não “privado de pai”, de forma que a carência de propósito não seja ampliada pelo “vazio de pai”. O seu filho estará em grande risco se for privado de pai.

Tenha jantares familiares semanais e saiba como evitar que essas noites de jantar se tornem pesadelos de jantar.

Saiba a diferença entre treinar seu filho para inteligência heroica (treinamento para uma vida curta) versus treinar seu filho para inteligência saudável (treinamento para uma vida longa).

Forneça modelo para o seu filho para lidar com crítica pessoal sem se tornar defensivo, de forma que o seu filho possa experimentar o estilo de parentalidade maternal e o estilo de parentalidade paternal, de forma que eles se tornem uma “parentalidade de pesos e contrapesos.”

Se você é uma mãe solteira, você sabe como ter o pai biológico re-envolvido. Se isso for impossível, tenha para o seu filho modelos masculinos – talvez nos escoteiros ou líderes de fé. Também, se for o caso, conecte efetivamente o seu filho a um pai adotivo ou avô.

Finalmente, envolva o seu filho em esportes individuais, esportes em time, e prefira esportes em time.

Em 11 anos de pesquisa, eu descobri que estas abordagens na educação dos nossos filhos criam uma chance muito melhor de cria-los para serem o melhor que eles podem ser. O que significa que as nossas filhas serão capazes de encontrar meninos que valem a pena ser amados e nossos filhos encontrarão mulheres que respeitam os melhores atributos da sua masculinidade.

Nós somos todos no mesmo barco familiar. Quando só um sexo é culpado por ser o que nós veneramos no passado, então nenhum dos sexos irá prosperar no futuro.

O Dr. Warren Farrell é autor de vários best-sellers sobre homens e meninos e é considerado o “Pai” do Movimento dos Direitos dos Homens.

Artigo primeiro publicado no A Voice for men em inglês.
Tradução: Aldir Gracindo.

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