Escola Sem Partido deve ser questão de Direito individual do aluno e nada mais

O Projeto Escola Sem Partido está no Congresso Nacional e uma coisa espantosa é quem está discutindo o assunto e como está acontecendo essa discussão.

O projeto foi abordado, porcamente por sinal, pelo professor Leandro Karnal, que ultimamente tem se mostrado um perfeito Grande Mestre “Isentão” de absolutamente nada. Especialmente pela forma como ele abordou o assunto.

O professor e jurista Claudio Henrique Ribeiro da Silva foi um dos poucos a abordar o assunto com o respeito devido, desfazendo um pouco da argumentação, que eu considero flagrantemente falaciosa e falha, de Karnal. Se tiver tempo, veja o vídeo do professor.

Uma coisa que muito me espantou também foi ver pessoas defendendo o “escola sem partido” usando argumentos que, também a meu ver, são inteiramente absurdos. Por exemplo, que professor não deveria ter liberdade de expressão, que ele está lá apenas para repetir conteúdo. Ora, eu também sou professor e cidadão e o professor – como qualquer pessoa no Brasil –  tem, sim liberdade de expressão. E deve continuar tendo.

Talvez por isso mesmo, até no AVFM, mesmo em âmbito internacional, essa discussão se tornou muito polêmica. Alguns estão defendendo o argumento absurdo, parecido com o do Karnal, de que não aceitar indoutrinação é uma indoutrinação. Ou que não aceitar censura é uma forma de censura. Esse tipo de argumento é inteiramente irracional! É como dizer que impedir alguém de cometer uma violência… é um ato de violência!

O fundamental dessa discussão é, como bem disse o professor Cláudio Henrique, o direito do aluno de não ser indoutrinado. Educação não é – ao contrário do que a ignorância movida a ativismo ideológico do professor Karnal – indoutrinação. Não é “impossível”, como pretende Karnal, se ensinar qualquer Ciência de forma isenta e objetiva. Não se trata de não ensinar sobre Marx, ou Mises, ou qualquer outro autor ou tema. Trata-se de o estudante aprender a pensar por si próprio, de forma independente e crítica, de forma autônoma. Não pensar só o que algum pastor ou ativista político de qualquer partido quer que ele pense.

Basta munir o estudante dos meios para questionar, inclusive questionar o professor, e lhe dar fontes, referências, bibliografia, para ele conhecer diferentes linhas de pensamento e ser capaz de formar suas próprias opiniões. Nós não temos isso no Brasil no momento e estamos indo em uma má direção.

O professor Charles Alan Kors é um dos fundadores e diretores da FIRE, Fundação pelos Direitos Individuais na Educação (Foundation for Individual Rights in Education). Eu traduzi e legendei uma pequena palestra em que ele fala sobre isso, que pode ser bastante ilustrativo. Vou programar para o início no ponto mais relevante, mas o vídeo merece ser visto inteiramente:

Então, a proposta do Escola Sem Partido, que merecia muito mais e melhor discussão do que está tendo, não deve ser de censurar professor ou impedi-lo de expressar sua opinião.

É uma questão de respeito ao direito do aluno de não ser indoutrinado, nem por direita, nem por esquerda. Ser respeitado na sua individualidade, inteligência e direito à cidadania e autonomia de pensamento.

Não pode ser uma questão de ter uma “educação de esquerda”, nem “educação de direita”.

Eu li o projeto e vi um trecho em que os pais teriam direito de se queixar do professor por ensinar algo diferente das crenças dos pais. Ora, esse trecho do projeto é alarmante, porque é trocar uma indoutrinação por outra, um tipo de censura por outro, um “partido” por outro.

Essa proposta é fundamental para o Brasil. Na verdade, não há nada mais fundamental que o acesso a educação.

Por isso eu defendo, sim, que todos nós votemos a favor do projeto, mas conheçamos o projeto, o questionemos e exijamos o direito de cada estudante à liberdade, individualidade, autonomia e respeito como indivíduo em formação.

Eu sei que isso não encerra o tema, que ainda há muito o que se discutir sobre educação e educação pública.

Mas se você concorda com as opiniões que eu expus até aqui, reflita. E se estiver de acordo, este é o link para votar para a entrada do projeto na discussão no Congresso brasileiro:

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=125666

Abraço forte,

Aldir.

4 thoughts on “Escola Sem Partido deve ser questão de Direito individual do aluno e nada mais”

  1. O projeto, tal como está escrito, simplesmente não deve ser aprovado…(na minha opinião, pelo menos)
    Sinceramente eu tenho medo disso acontecer, não acho que essa “discussão” vai ocorrer pra valer, mudando no projeto o que claramente deve ser mudado. Espero estar errado, mas não tenho coragem pra fazer o teste e cooperar pra q a discussão comece (o que pode levar a aprovação de uma bizarrice)

  2. A pergunta simples é: Poderia existir um projeto semelhante para a Imprensa, tipo “Imprensa Sem Partido”? Claro que não.
    Isto é uma fantasia de direitistas malucos que pensam que as escolas estão repletos de militantes barbudinhos petistas. Burrinhos de dar dó. Esta tentativa de homogenização da cultura, da educação, da CABEÇA dos outros. Imagina a confusão, um pai ateu reclamando do professor que acredita em Jesus e outro pai religioso reclamando no sentido inverso. Querem implantar o controle, argumentando para não ter controle… é o tal “duplipensamento” em ação.
    O ensino de disciplinas de OSPB, Moral e Civica não impediu de terem eleitores de esquerda, assim como a suposta “doutrinação” de professores esquerdistas impediu que os jovens saíssem para a rua pedido o impeachment da dilma. Muito antes o contrário.

    1. É burrice falar “ecola laica” ou “estado laico”?
      Na verdade é, mas lutar por isso não.
      Mesma coisa nesse caso.
      E se não são um bando de barbudos esquerdistas, qual o problema?
      Eu tive professores que tentaram me doutrinar de todos os jeitos, seria uma maravilha impedir qualquer um deles. Maioria esquerdista, mas quem tenta forçar um ponto de vista não fundamentado não faz diferença, não importa se é “comunista é tudo bandido” ou “capitalistas são todos opressores”, ou se é intencional, ou descarado, continua sendo ruim.

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