A permissão para discordar

1024px-Sapiens_neanderthal_comparison_en_blackbackground

Texto publicado inicialmente no blog “A Vida nos Bosques.

Prólogo

Durante minha vida, em diversos momentos diferentes tive o azar de ser o “Do Contra”. Não por gosto (aliás, odiava o papel), não por procurar isso, mas acabava acontecendo. Por exemplo, quando estava no colegial, estudando em um colégio da classe alta paulistana, era conhecido como “o comunista”. Tinha já lido algumas coisas de Marx, e salvo um único outro colega que na época tinha ideias parecidas, acabava sempre entrando em discussões, do tipo “comunismo vs. capitalismo”, onde tinha que ouvir de tudo, incluindo os mitos de “devoradores de criancinhas”, “no socialismo todo mundo é pobre, “Cuba é isso”, “URSS é aquilo”, e similares.

Mais tarde, na faculdade, conheci, claro, muitos outros marxistas. Mas era tarde, pois eu tinha começado a ser influenciado pelos anarquistas (e, quase na mesma época, pelos anarco-primitivistas). Resultado: quando morei em uma república onde a maioria era marxista, eu já era “o anarquista”. Mais tarde, frequentando grupos anarquistas (compostos, no caso, principalmente de anarquistas clássicos e anarco-sindicalistas), voltei a ser o “Do Contra”, dessa vez como “o primitivista”, “o ambientalista radical”, etc.

A despeito do que talvez possa parecer, a grande maioria destas situações estão na minha memória como momentos bons, momentos de felicidade. Foram nestas discussões e controvérsias que fiz muitos dos meus melhores amigos de hoje. Nelas aprendi muito, e penso que meus diletantes também aprenderam muito. Não só sobre as opiniões em debate, mas principalmente sobre como dialogar, como discordar, como questionar e negar a opinião de outra pessoa, sem ofender a pessoa, sem perder a amizade. E isso mesmo considerando que em várias destas discussões, o tom de voz subia, os ânimos se exaltavam. Quem me conhece pessoalmente, sabe que isso não é raro acontecer comigo.

Contudo, mesmo com essas desavenças todas, com ânimos exaltados, com fundamentos em cheque, eu nunca havia experienciado uma ofensa, um vexame, uma humilhação, ou perdi uma amizade por discordar. Talvez algo pequeno, sem importância, ok, acontecia. Mas nenhuma, nenhuma mesmo, destas ideologias com as quais discordei, jamais alguém se referiu a mim como o inimigo. Os marxistas não me chamaram de “capitalista opressor” por discordar deles, os anarquistas também não. Os jovens capitalistas do colegial deram apelidos “carinhosos” como “Che Guevara” ou “comuna”, mas não eram ofensivos e pude fazer amizades.

Certamente eu nunca fui mal visto por ninguém, nem gerei inimigos, nem perdi amigos, só por ter tido desavenças desse tipo.

Infelizmente, porém, todo o tom deste história muda, quando eventualmente passei a questionar as bases da ideologia feminista. De novo, não comecei a questionar o feminismo só para ser “Do Contra”. Por muito tempo eu apoiei o feminismo e fui favorável à ele. Porém, experiências e leituras me mostraram alguns pontos que valiam ser rediscutidos, revistos. No começo, nada de essencial às teses centrais feministas. Mas, mesmo no começo, a reação que eu recebia, todas as vezes, em que questionava um pequeno ponto tido por alguém como importante para o feminismo, eu já era automaticamente taxado de “machista” (e machista no sentido de aquele homem que oprime as mulheres, especificamente). Recentemente, com questões mais cruciais ao feminismo tendo sido colocadas em cheque, ouvi coisas até piores: que eu era racista (!), que eu deveria ser preso (!), etc. Sem diálogo, sem argumentos, e com grande uso de desonestidade, ao me acusar de coisas que eu não tinha dito, ou de um modo que não representava de maneira alguma o que eu penso.

Permissão para discordar

Só este relato já seria justificativa suficiente para o título deste texto. Aparentemente, não existe permissão para se discordar do feminismo, pela postura observada entre seus defensores. Não do mesmo modo em que posso discordar de Marx, Bakunin, Adam Smith, Hobbes, ou John Zerzan. De algum modo mágico, quem discordar da Simone de Beauvoir ou de seus apoiadores incondicionais como a Lola é tão ferrenhamente atacado pelos seguidores, que me faz lembrar o modo como religiosos islâmicos se zangaram com as piadas feitas sobre seu profeta, alguns anos atrás. Com as diferenças que você não precisa fazer uma piada com a Beauvoir para receber o ódio, basta discordar; e que, teoricamente, o que ela e outras escreveram não era para ser tomado como uma religião.

Agora vamos ver de novo esta situação com calma. Incontáveis vezes, basta falar sobre algum problema masculino como sendo de alguma seriedade, e alguém já é tomado como machista, no caso o termo significando que a pessoa oprime mulheres.Veja bem: a pessoa, seja homem ou mulher, pode ser totalmente contra a violência contra as mulheres, contra o tratamento desigual no trabalho, contra qualquer forma de desrespeito baseada em gênero, mas, por discordar de algum ponto do feminismo (mesmo que não se refira exatamente ao sofrimento masculino), a pessoa já recebe o mesmo tratamento que um agressor de mulheres deveria receber.

Fazendo uma analogia, seria o mesmo que um marxista chamar qualquer um que discorde dele (seja por ser anarquista, primitivista, ou qualquer outra ideologia, pessoal ou coletiva) de “capitalista-burguês-rico-opressor”. Mesmo que o sujeito esteja longe de ser dono de algum meio de produção, ou sequer de aprovar a existência de meios de produção. Ainda bem que marxistas não fazem isso (ou, pela minha experiência, não costumam e não costumavam fazer isso, certamente não o tempo todo).

Outra analogia seria um cristão chamar um ateu (ou um agnóstico), de satanista, adorador do diabo, ou algo similar. Acontece, mas é altamente incomum. E quando isso acontece, sabemos que estamos lidando com um cristão pouco aberto ao diálogo e à discussões racionais (ou seja, o indivíduo é facilmente ignorado no plano ideológico). Porém, tenho que dizer, e o propósito deste artigo é dizer isso da maneira mais amorosa possível: entre feministas, homens e mulheres, este comportamento maniqueísta é bastante comum, isso se não for o comportamento completamente predominante. A tal ponto que não é difícil ver uma pessoa que sempre foi um defensor do feminismo, ser chamada de “machista” (ou misógino) algum vez (ou inúmeras vezes), simplesmente por discordar de alguma posição feminista mais extremada.

Agora a questão que eu coloco, buscando tratar o assunto da maneira mais dialógica e calma possível, é: porque isso acontece? Porque discordar do feminismo é tão repugnante? Será só por causa do Facebook e da ausência de uma cultura de debate mais amadurecida nas gerações e mentes atuais? Tenho a impressão que não, pois outros assunto não são tão mal vistos e mal debatidos no Facebook.

Repugnante. Creio que não há termo mais exato para a reação. Discordar do feminismo, diferente do que é discordar do neoliberalismo, do marxismo, do anarquismo, do primitivismo, do veganismo, do vegetarianismo, do humanismo, do ateísmo, do espiritualismo, do freeganismo, não é apenas algo chato, tedioso, incomodo. Não. Discordar do feminismo pode muito bem ser uma das coisas mais desagradáveis socialmente que alguém pode decidir fazer, porque a reação é muito maior, muito mais forte, muito mais anti-dialética. Não é a toa que muitos já sentem nisso um novo tabu. É quase como um culto, uma religião, coisa que alguns dizem que não se discute. Não se pode mais discutir gênero, se não for para concordar com as afirmações que saem dos auto-intitulados grande sábios modernos, ou seja, aqueles que defendem incondicionalmente algo que alguém chama de feminismo.

Discordar do feminismo gera ódio – contra quem está discordando. E não só em resposta à algum meme chato de Facebook, feito para incomodar e gerar rancor – não, essa repugnância é percebida em qualquer situação: em casa, nos relacionamentos, em diálogos na universidade, em todo lugar. E isso, qualquer feminista que bote uma mão na consciência lendo isso, vai concordar. Pois bem, novamente, porque isso acontece? Vou tentar responder. E espero que durante esta minha tentativa de solucionar esse mistério, possa mostrar principalmente para feministas, que este comportamento é ruim, péssimo, principalmente e especialmente para o próprio movimento de vocês. Além de ser um péssimo sinal da qualidade de pensamento ideológico produzido hoje, e da nossa capacidade coletiva de debater.

Algumas pessoas, lendo isso aqui, provavelmente darão alguma risada, pois acham que não se trata de mistério nenhum: acreditam que o feminismo representa “tudo de bom” e a salvação das opressões que “todos” nós sofremos. Pois é, então, bem vindos ao clube: pegue um número e aguarde na fila. Pois isto é exatamente o que pensam também os marxistas, anarquistas, primitivistas, humanistas, ateístas, neoliberais… É o que pensavam iluministas, racionalistas, monarquistas. E tantas outras ideologias, do passado e do presente, todas elas também “muito bem” embasadas em estudos, teses, dados, e tudo mais, bagagens que feministas tendem a crer que são únicos a possuírem. Contudo, estes outros grupos não reagem da mesma maneira diante de discordância. Estes grupos sabem que precisam “vender seu peixe”, que precisam argumentar, mostrar, discutir, debater, para se convencer alguém de algo. Sabem, salvo exceções, que “mudar o mundo” (tsc), ou fortalecer uma ideologia para isso, não passa por caluniarofender, apontar dedos acusadores ou, em casos extremos, partir para a violência. Sabem que é necessário um tipo de maturidade para se discutir questões sérias, que, infelizmente, o movimento feminista está distante de demonstrar.

Dito isso, o primeiro ponto que merece ser destacado aqui é a ligação do feminismo com as lutas pelos direitos das mulheres. Oras, o feminismo foi e é protagonista nesta luta, e com razão as duas questões estão ligadas. Porém, feminismo e direitos das mulheres não são a mesma coisa. Dizer que são a mesma coisa seria tão reducionista do feminismo quanto dizer que o marxismo é a mesma coisa que a luta pelos direitos dos trabalhadores. O marxismo foi (e ainda é) grande protagonista nas lutas pelos direitos dos trabalhadores, mas se trata de muito mais coisas do que a simples luta por direitos. O mesmo se pode dizer do feminismo. Tomar isso de modo contrário, como facilmente se vê por ai, é desonesto não só com quem você está dialogando, mas é desonesto, principalmente, com o próprio feminismo que você deveria estar defendendo, e não distorcendo para ganhar membros!

Do mesmo modo, algumas pessoas, em um comportamento deverás duvidoso, falam que não deveríamos criticar o feminismo “agora”, porque “agora que elas estão ganhando as coisas”, ou porque “você vai fortalecer a reação contrária às liberdades delas”. Ora, podemos facilmente vislumbrar a história do marxismo para perceber que tal medo é infundado. O marxismo já teve seu auge de aprovação popular, realizou suas revoluções, pariu ditaduras, e teve seu retrocesso enquanto ideologia presente no pensamento popular, sindicalista, universitário e político (ainda que não seja um retrocesso absoluto, claro). Os direitos dos trabalhadores, conquistados graças à essa ideologia, entretanto, continuam firmes e fortes e amplamente defendidos, tendo sido conquistados mesmo em locais onde o marxismo não foi tão vitorioso (como aqui no Brasil e na América Latina, onde pipocaram ditaduras de extrema direita logo após uma série de ditaduras populistas). Do mesmo modo, não é necessário se temer um retrocesso nos direitos das mulheres, caso o feminismo perca apoio popular. Os direitos das mulheres só estarão em perigo se, além de tirarmos nosso apoio do feminismo, nos dedicarmos especificamente à isso, por alguma razão absurda. Eu certamente não defendo um retrocesso nos direitos femininos, e me oponho fortemente à qualquer um com uma ideia similar. E desejo que meu posicionamento crítico ao feminismo não seja tomado como crítico à direitos das mulheres. A crítica é ao feminismo, por sua crença na primazia masculina, e pela sua opinião de que lutar por direitos dos homens é desnecessário – e por desmoralizar e agredir todos os que tentam falar dos direitos dos homens. Mas estou me adiantando.

O feminismo abrange muito mais aspectos do que a simples luta por direitos ou por respeito a mulher, assim como o marxismo luta por muitos mais aspectos do que a simples luta por direitos dos trabalhadores. E, indo além, alguém pode apoiar os direitos dos trabalhadores, sem querer com isso apoiar o marxismo como um todo. Do mesmo modo, alguém pode apoiar os direitos das mulheres, sem apoiar o feminismo como um todo. Se dizer feminista sem que se esteja apoiando – de modo consciente – todos os aspectos desta ideologia (que é muitas, na verdade, eu sei, mas chego nisso logo mais) é ser desonesto com a própria bandeira que se diz querer defender.

Com isso quero dizer que pelo menos parte da repugnância atribuída a quem discorda do feminismo, provavelmente se dá porque as outras pessoas automaticamente pensam que o discordante é contra os direitos das mulheres (daí chamá-lo de machista, opressor de mulheres). Ou seja, é um raciocínio errado e completamente enganado, para não dizer ofensivo. E creio que não preciso me alongar mais nisso.

Mas certamente este não é o único raciocínio por trás do ódio aos discordantes. Penso que há pelo menos mais um motivo, embutido na lógica de mundo peculiar,única do feminismo. Segundo o feminismo e a doutrina que o feminismo prega sobre o patriarcado, todos os homens, por serem homens, terão a vida “mais fácil” do que todas as mulheres, por serem mulheres. Para dar base à esta ideia, o feminismo se baseia em certos recortes peculiares da realidade, nem todos estes inteiramente honestos com os fatos (coisa que não é nem um pouco uma novidade entre ideologias). A questão é que, embutido no modo feminista de pensar (que tem se propagado ao modo de pensar de outros militantes de outras causas, com sérias consequências aos diálogos), está a ideia de que, “se você não está comigo, está contra mim”. Hoje está em voga a ideia de que discordar é ser o vilão. Discordar é ser mau. É ser “Mal”. Discordar de quem possui estas formas de pensar, para estas pessoas, é tão ruim quanto ser o perpetrador dos crimes que estas ideologias querem banir do planeta (e que o discordante também quer banir, só acontece que ele enxerga as coisas de modo diferente, e sequer está tendo ocasião de expor suas ideias). Só eu estou percebendo os perigos à livre opinião, e até mesmo à “verdadedos fatos nesse contexto cultural?

Este modo de pensar, por si só, é perigoso. Isto, em uma sociedade democrática, eu não deveria nem ter de dizer. Se você proíbe a discordância dentro de sua mente, depois dentro do seu movimento, e então dentro da sua sociedade, você proíbe o amadurecimento, a reflexão, e a práxis. Proíbe então o próprio pensamento autônomo, que seja discordante das diretrizes dos partidos ou dos auto-intitulados ideólogos superiores. É o mesmo comportamento que ditaduras tentam incutir em seus cidadãos, geralmente sem tanto sucesso. Não é a toa que ditaduras usam e abusam de ideologias maniqueístas: os arianos eram oprimidos pelos judeus, os comunistas comem criancinhas, os capitalistas são todos porcos egocêntricos sedentos pelo dinheiro, etc. Ainda que às vezes estas ideias tenham algum fundamento na realidadeestruturar sua ideologia sobre uma visão maniqueísta-vitimista de mundo não é, segundo a história, nada saudável.

Lembrem-se que não se precisa que todos os defensores de uma ideologia sejam dos mais radicais para que tal ideologia instaure uma ditadura, ou tome medidas radicais. Pode muito bem ter acontecido que no começo das ditaduras socialistas, por exemplo, as pessoas diziam: “não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor”, ou outras frases de efeito. O “efeito” no fim das contas, não foi lá tão bom. Do mesmo modo, na Alemanha nazista a “maioria” considerava os campos de concentração uma ideia de radicais, e mesmo nos círculos militares haviam muitos que não sabiam dos campos de concentração ou eram contrários à eles. Falando em nazismo, não é difícil ver outros paralelos deste com o feminismo: a crença em uma sociedade perfeita antes da chegada/surgimento do “opressor”a crença de que pessoas de certa condição genética são naturalmente mausa crença de que pessoas de uma outra definida condição genética são “naturalmente” boas… Mas não vou alongar nisso. Basta dizer que, na medida em que ideologias vão acumulando poder político, tais expansões radicais são cada vez mais prováveis de se utilizarem completamente desse poder político para levarem a cabo suas ideias.

Ok. Espero até aqui ter mostrado, ou convencido os leitores, de que, quando se trata de feminismo (ou de alguma das outras ideologias pós-modernas influenciadas pelo feminismo), “é proibido discordar”. Aos defensores do feminismo que lerem isto, espero que não levem isso de modo pessoal ou ofensivo, e que também não se iludam – ou tentem nos iludir – com alguma pose “politicamente correta”, do tipo “claro que eu permito discordâncias”. Todo mundo sabe que isto não é verdade. Se você já acusou alguém de algo que a pessoa não fez ou tampouco deseja fazer (oprimir mulheres) só por discordar de você, bote a mão na consciência. O fato de você ser mulher, caso seja, ou se dizer representante delas, não altera o fato de que você é um ser que pode ter suas ideias questionadas por outro ser, seja este outro homem ou mulher. E isso não vai mudar, não importa quanto feminismo ou machismo você queira alegar. Se você já acusou alguém de “ódio às mulheres” (misoginia), só porque a pessoa criticou o feminismo (uma ideologia, e não um grupo de pessoas), bote a mão na consciência. Criticar não é odiar, falar sobre o feminismo não é falar sobre as mulheres, e questionar o feminismo não é o mesmo que oprimir, escravizar, estuprar mulheres, e tampouco aceitar isso.

Botou a mão na consciência? Legal. Nem doeu não é? Agora respire fundo, tome uma água, e vamos adiante. Pois agora que vem a parte mais “repugnante”. Afinal, eu não iria pedir permissão para discordar do feminismo se não tivesse algumas razões para discordar dele, não é?

Discordando? Pra quê?

Primeiro, o que o feminismo tem a perder, agindo como age, proibindo discordâncias? O que o feminismo tem a ganhar, permitindo discordâncias? Estas coisas deveriam ser obvias, mas vamos lá, vou dar este presente a vocês. Para um conjunto de pensamentos que se propõe a ser uma ideologia, e não um culto, uma religião, ou uma moda, a liberdade de pensamento deveria ser um fator primordial, tanto entre seus seguidores, quanto nos diálogos com os demais. Claro, o feminismo não seria a primeira a ideologia a pecar nesse aspecto. Mas talvez seja a primeira, com exceção do nazismo, a se jogar neste aspecto com tanta voracidade. E isso em um momento histórico onde, teoricamente, deveríamos saber o suficiente de política para lembrar que, sempre que alguma ideologia fez este caminho anti-dialético, as coisas logo ficam feias, bem feias. Já está na hora de aprendermos que, sem discussão e diálogo, todo esse papo de mundo melhor é balela, não é?

Outro modo de enxergar o mesmo fenômeno da negação da discordância é pensar que hoje reina na cultura, e principalmente na “militância de Facebook”, o modus operandi “diga o que eu quero ouvir, e então faça o que quiser”. Esta é a única condição real em voga para alguém se dizer, e ser considerado por outros, como um ou uma feminist@. Por exemplo, basta incluir, antes de qualquer crítica à sociedade, algo como “eu sei que as mulheres sofrem muito mais, com isso e com tudo mais, claro, mas vou falar aqui sobre…”. Ou então remeter qualquer problema percebido na nossa cultura à “sociedade-patriarcal-opressora-misógina”, na última linha, no último adendo, como se fosse um tipo de “amém”.

Ora, o que acontece de fato é que é muito fácil se dizer membro de uma causa que se diz boa (assim como todas as outras causas do mundo). Hoje em dia, por exemplo, toda empresa tenta se dizer sustentável, todo negócio é “verde”, e todo mundo se diz “preocupado com o meio ambiente”. Mas os ambientalistas sabem muito bem que “de boas intenções, o inferno ta cheio”, e de intenções falsas, está mais cheio ainda. Boas intenções, sem reflexão madura e séria, não bastam, e não são muito melhores que intenções ruins. O mundo todo pode se dizer ambientalista, porém se o comportamento geral não for de fato ambientalista, o movimento ambientalista foi um fracasso redondo, e o planeta, as outras espécies, e a sociedade vão pagar o preço do mesmo jeito.

Colocando de outro modo: este processo é exatamente a assimilação do sistema tomando conta de um movimento, que como muitos outros em algum momento pretendia botar em cheque o sistema, mas passa a fortalece-lo, tendo sido completamente deturpado, esvaziado, e dominado pelo funcionamento normal do sistema. Você pode entender esse sistema como algo “patriarcal-opressor-misógino”. Não me incomodo que você use o que precisar para odiar o sistema. O problema é que o “sistema”, que nós primitivistas chamamos de “civilização”, é algo muito mais profundo e amplo que isso. E algo muito mais mutável e esperto do que isso. É algo que ira em um piscar de olhos assumir todas as demandas feministas com muito prazer, e mudar toda sua fachada se necessário for, mas com o simples intuito de continuar sua trajetória de acúmulo de poder e de controle sobre a vida (humana e não humana).

Até onde sei, todos os movimentos e ideologias de que tenho notícia, e que ainda são legítimos, procuram evitar a assimilação com todas as suas forças, elaborando até diversas técnicas para isso. Como expandir, sem se descaracterizar? É a preocupação fundamental.

Mas o movimento feminista é o único que, novamente, foge desse padrão. Em diversas instâncias é possível ver militantes do feminismo desejandoa assimilação. Desejando que o maior número de pessoas possíveis seja “feminista“, mesmo que alguns sejam radicais, feminazis, femistas, radfems, ou não sejam absolutamente nada correlato. Assim também forçaram suas ideologias em outros movimentos, como o marxismo e o anarquismo, e isso com sério prejuízo às ideologias e visões de mundo destas outras ideologias, agora mutiladas. No final, o feminismo (caso sobre algum senso crítico dentro de seus membros) terá a maior desilusão possível a qualquer ideologia: todos se dirão membros dela, que será um conjunto retalhado de palavras vazias, e todos agirão como sempre agiram.

Exemplos disso já não faltam na nossa cultura moderna. Basta ver quantas mulheres que se dizem feministas não sonham com ricaço protagonista de “50 tons de Cinza”, com o Michel Teló, ou com qualquer outro cantor de funkou sertanejo universitário(ritmos musicais recheados pelo desprezo à mulher). Basta ver entre ditas “feministas” o ibope das intermináveis edições do Big Brother, cada vez mais ridículas. No mundo da paquera, entre os homens, está claro qual o padrão comportamental que, hoje, mais traz sucesso com as mulheres: falar como um feminista, mas se comportar como um machista. Nós homens sabemos que é tiro certo para qualquer plateia. E a cultura popular só está seguindo esta receita.

Outro aspecto deste mesmo problema é que, resultando disso, existem hoje vários “feminismos”, segundo dizem alguns de seus defensores. (Convenientemente, sempre que alguma crítica é proferida à ideologia, tal critica é vinculada à alguma das outras vertentes, mas isso é outra discussão). Entretanto, onde estão estes feminismos? Os nomes que citei acima (femistas, feminazis, radicais, etc) são denominações dadas por pessoas de fora do feminismo à estes grupos (com excessão das radfem, acredito). Nunca se vê um grupo se identificando explicitamente como uma parte do feminismo, algo como um “feminismo emancipatório” ou “feminismo estatista”. No máximo, temos junções do feminismo com outras ideologias (“feminismo-marxista”, “feminismo-libertário”, “ecofeminismo”), e nunca temos divisões sendo bem construídas dentro do movimento. E isso vindo de um movimento que se diz, sempre, “múltiplo”. Claro, convenientemente, menos divisões, mais força política, não é? Minha preocupação aqui é: e esta força política vai parar na mão de quem, exatamente? Do seu grupo isolado feminista autocrítico perfeito que “não demoniza” homens, ou das radfems?

A constatação de que o feminismo foi assimilado pelo sistema cultural global (que nós primitivistas chamamos de civilização) está clara para qualquer um que queira ver, inclusive feministas. E é talvez o maior motivo para você, que queria o bom feminismo, pensar em trocar de bandeira (ou queimar todas). Ou, no mínimo,distinguir bem o que é o seu feminismo, nomeá-lo, estruturá-lo, e distingui-lo dos outros.

Estamos quase concluindo. Pausa para respirar e tomar outro gole d’água. Espero nos últimos parágrafos ter deixado claro que participar da vida política da sua sociedade, ou carregar e portar uma bandeira ideológica, não são coisas que se podem fazer por obrigação, moda, ou por alguma pretensão infantil de se fazer “o bem do mundo” e ponto final. E digo isto justamente pelo imenso respeito que tenho a muitas mulheres feministas, algumas das quais que talvez desconsiderem minha fala como “mansplaining” ou “um modo elaborado de defender o machismo”. Não é. Eu estou falando tudo isso em pleno respeito às suas capacidades intelectuais de vocês, mesmo que respostas desse tipo pudessem me fazer crer que tais capacidades talvez não existam.

E se vocês pretendem participar da vida política de uma país, da construção de ideologias de um povo, não é o fato de serem mulheres que fará suas alegações verdadeiras. Não é o fato de você crer que sua ideologia é boa, que torna ela de fato boa ou não. Para discutir política é necessário maturidade intelectual e argumentativa que eu sei que as mulheres possuem, mas que infelizmente @s feminist@s parecem assumir que não precisam demonstrar.

Dito de outro modo, é ótimo que mulheres possam votar, e acredito que ninguém discorda disso. Porém se vocês estão votando em um ou outro fantoche político porque “é uma mulher”, então vocês estão jogando no lixo toda a capacidade de raciocínio que possuem, seja você homem ou mulher, e trocando-o por uma bandeira (esta sim, então, uma bandeira opressora intelectualmente).

Aqui alguns talvez aleguem que “homens sempre tiveram no poder, então é justo agora botar mulheres só por isso”. Deixe me demonstrar, rapidamente, o engano desse raciocínio. Primeiramente, ser “homem” é um fator demográfico, biológico.‘Homens’ não são um partido político. Homens no poder nunca conduziram a sociedade para e por outros homens, exclusivamente. Ou eles conduziram para seus interesses (ou de seus grupos, que incluíam suas esposas, irmãs, mães, e amantes), ou para a sociedade como um todo, dependendo de suas índoles. Homens competem entre si o tempo todo, e os reis não deixam de competir com os camponeses (e outros reis) pelo status, só porque se tornaram reis. Caso os homens governassem apenas para aqueles com os mesmos órgãos genitais que eles, porque mandariam seus filhos às guerras, e não suas filhas? Porque separariam todos os trabalhos pesados da sociedade aos outros homens, e não as outras mulheres? Porque os tribunais considerariam os homens como culpados com muita mais facilidade, e aplicando a eles penalidades muito maiores do que as que aplicam às mulheres? Em resumo: o recorte “homens no poder, logo mulheres sofrem com isso” é um aforismo feminista falho e infantil, incapaz de olhar para a pluralidade da vida masculina, e para as diversas formas em que vidas masculinas são frequentemente piores do que vidas femininas (guerras, trabalhos estruturais insalubres, violência). Indo além, o mesmo raciocínio se recusa a ver com clareza a vida de mulheres poderosas da história, que não foram tão poucas quanto o feminismo ousa dizer. E facilita muito a vida de políticos que esteja interessados em apenas nos enganar com mais um fantoche ganhador de votos: agora, ao invés de ser necessário um discurso elaborado para se iludir o eleitor, basta que seja uma mulher, e muitos eleitores votarão nela com cega confiança.

Vamos adiante. Obviamente, minha situação de encontrar uma parede de facas ao criticar o feminismo, não é única, tampouco uma novidade na história do movimento. Vou comentar rapidamente sobre outros casos, para corroborar o que disse até aqui de como o feminismo, no conjunto, parece se comportar como uma ideologia sem maturidade intelectual, sem disposição para a discussão e a crítica, sem permissão para o questionamento, e sem respeito para com os discordantes. Não estou dizendo que o feminismo em si não tenha ou não possa ter essa maturidade intelectual. Só estou dizendo que, em matéria de comportamento político, social, e dialético, não está se saindo nada bem.

Cristina Hoff Sommers: Americana, ex-militante feminista, escritora e filosofa. Sommers se tornou dissidente ao questionar números divulgados por uma agência do governo americano cujo objetivo era lidar com a violência doméstica. Em meados dos anos 90, em um certo ano, o referido órgão (WEEA) publicou que o número declarado de mulheres espancadas até a morte por seus parceiros era o dobro da quantidade total de americanos falecidos por todas as outras causas possíveis. Uma óbvia fraude, mesmo que alguém queira esdruxulamente abanar aqui a bandeira dos “crimes não notificados” (que, lembrem-se, vale para todos os crimes). No embate,Sommerscriticou abertamente o New York Times, que divulgou os dados, e obteve a (surpreendente?) resposta que, “se é para proteger as mulheres, mentir para a sociedade não é anti-ético”. Sommers depois escreveu o livro “The War Against Boys”. Leitura boa para todo mundo.

Erin Pizzey: Inglesa, ex-feminista, famosa por ter criado, nos anos 60, os primeiros abrigos para mulheres vítimas de violência doméstica do mundo. Convivendo com as mulheres que buscavam seus serviços, ela descobriu padrões que as caracterizavam, padrões de mulheres que estavam constantemente se envolvendo em relações conturbadas. Padrões que todo psicólogo hoje sabe que existem, entre as pessoas e entre os relacionamentos que constroem. Pizzey também notou o potencial para a violência, física e psicológica, que as mulheres possuem, sobretudo contra os próprios filhos (meninos, não tanto meninas). Ela decidiu então criar abrigos também para homens e meninos e criticou a sociedade britânica por fazer silêncio e não proteger o sexo masculino em circunstância alguma. Resultado? Ameaças, ataques, repúdios. Família e trabalho sendo regularmente atacados por grupos feministas (radicais? Feministas que não são “feministas de verdade”?). Inclusive com a morte do cachorro da família (uma cadela, aliás). Finalmente, as autoridades à encorajaram a abandonar o país. Veja bem: a criadora dos primeiros abrigos para mulheres teve sua cadela espancada e foi obrigada a fugir da Inglaterra após passar a TAMBÉM defender homens da violência doméstica. Sim, é para se sentir chocado.

Camille Paglia: Americana, bissexual, apologista da pornografia, e que sempre viveu fora dos padrões de relacionamento tradicionais. Nos anos 80, enredou-se em uma discussão onde defendeu a revista Playboy e a cantora Madonna de algumas críticas feministas. Considerava que tanto as mulheres na revista masculina, quanto a Madonna, estavam usando seus corpos voluntariamente, conscientemente, como uma forma de poder feminino sobre os homens, e não o contrário (opinião dela, não minha, ok?). Foi, claro, considerada machista, defensora do patriarcado, caluniada e tudo mais, mesmo tendo a vida de uma bissexual anti-tradicionalidade em plenos anos 80. Finalmente ela decidiu se declarar dissidente, decepcionada com o vitimismo feminista, inerente, segundo ela, ao movimento.

Warren Farrell: Americano, ex-feminista, escritor, professor universitário. Nos anos 60 e 70, foi forte liderança feminista, tendo sido fundador dos primeiros grupos de homens e mulheres discutindo feminismo, gênero, e problemas das mulheres. Foi o único homem a ocupar, três vezes, a diretoria da Organização Nacional para as Mulheres (ou NOW, na sigla em inglês), órgão americano voltado aos problemas femininos, financiado pelo governo americano e que surgira em 1966. Ficou famoso com suas palestras onde fazia a platéia “trocar papéis”, com “concursos de beleza masculinos” e experimentos onde mulheres se viam rejeitadas após tentarem um chaveco. Mas, estando dentro da organização, aos poucos foi vendo coisas que o desagradava (o que é de se esperar em qualquer instituição grande). Foi suportando e reagindo por dentro, até que, na metade dos anos 70, a NOW começou campanhascontra a guarda compartilhada de filhos de divorciados (que não se restringem, hoje, nos EUA).  Farrell se viu chocado, declarou “a gota d’água” e abandonou de vez o movimento. Desde então, já escreveu diversos livros sobre gênero, onde faz questão de mostrar os problemas masculinos: “Why Men Are The Way They Are”, “The Myth of Male Power”, “Women Can’t Hear What Men Don’t Say”, “Father and Child Reunion”, “Why Men Earn More”, e “Does Feminism Discriminate Against Men?”. Ah, claro. Reação que o Farrell enfrentou? Bom, toda sua bagagem dentro movimento feminista não foi suficiente para evitar que fosse acusado de apologia ao estupro, defensor do ódio contra as mulheres, e coisas do tipo. Em 2012 (se não me falham minhas fontes), uma palestraque ele deu na Universidade de Toronto sobre problemas dos homens foi atacada por feministas, que barraram as portas, ofenderam palestrante e plateia, quebraram coisas, e tiveram de ser contidos pelos (poucos) policiais presentes no local. A alegação? De que o palestrante estava incitando o ódio às mulheres…

Por fim, pense que os nomes citados acima já leram, escreveram, e pensaram tudo (ou quase tudo) isso que você, feminist@, lê, escreve, ou pensa sobre o assunto. E fizeram tudo isso em épocas onde pouquíssimos tinham a ousadia e a coragem de lerem tais coisas, quando a moda era dizer que as feministas eram mal-comidas.Estas pessoas não são os machistas-conservadores que vocês acham que toda pessoa contrária ao feminismo é. Estas pessoas foram a vanguarda do seu movimento. E estas pessoas encontraram mais problemas nas relações de gênero. Ao tentarem incluir de fato estes outros problemas nas pautas do movimento, foram repudiados, agredidos, caluniados, “nazi-style”. Estas pessoas foram forçadas para fora de um movimento que promete, como tantas outras ideologias, um mundo perfeito, mas recusa liberdade de pensamento, e recusa observar com seriedade e sobriedade a vida real dos homens e mulheres.

Vou citar só mais um exemplo agora:

Earl Silverman: Canadense. 21 anos atrás, fugiu de sua casa, para se proteger da violência que sofria de sua esposa abusiva. Foi, obviamente, recusado em abrigos para mulheres, onde além de terem lhe dito que ele não era uma vítima, lhe disseram que ele era um agressor. De todo modo, os perrenhes das frias ruas canadenses não eram piores que sua esposa abusiva, e então, quase duas décadas depois, em 2010, ele conseguiu criar o primeiro abrigo para homens de seu país (e, acredito, do mundo, salvo aqueles criados por Pizzey). O abrigo funcionava em sua própria casa, e obteve apoio algum mísero do governo canadense, um apoio irrisório comparado com o apoio dado à centros de apoio às mulheres. Finalmente, em 2013, incapaz de manter as despesas, Silverman teve de fechar o abrigo. No mês seguinte, vendeu a casa, e então se suicidou.

O retrato da vida de um privilegiado agressor, não é? Não, não é. Aqui quero fazer um rápido parágrafo sobre outra absurdo observado no comportamento de massa de feministas, que é a auto-intitulada liberdade de se satirizar sofrimento masculino. Em ocasiões onde algum homem, feminista ou não, expõe seu sofrimento ou o sofrimento masculino, é comum ver feministas, do tipo mais acrítico, acusarem: “male tears”. Pois bem, como é possível um indivíduo que, teoricamente, “sofreu e sofre diariamente com opressões”, ser capaz de satirizar, humilhar, e diminuir o sofrimento de outro indivíduo? Qualquer um que de fato já sofreu em sua vida, seja homem ou mulher, sabe que, primordialmente, a primeira lição de um sofredor é a empatia perante o sofrimento alheio. De modo que cada vez que eu vejo uma feminista exclamando “male tears”, eu tenho certeza absoluta que estou diante de uma pessoa que, de fato, não aprendeu na pele o que é sofrer. Fora que não preciso nem falar sobre a abominável referência e valorização da cultura tradicional (ou “patriarcal-machista-misógina”, segundo feministas), que afirma que “homem não chora”, que ensina os homens a não ver suas obrigações como opressões, que ensina os homens a “virarem homens e não reclamarem”, e que, principalmente, ensina os homens que suas vidas são descartáveis (seja nas guerras dos poderosos, seja nos desastres onde a vida de uma mulher sempre terá preferência sobre a sua, seja em um encontro violento no meio publico, onde é esperado dos homens a defesa, com suas vidas, de todas as mulheres a seu redor). E esta alegação de “posse do sofrimento legítimo” por parte do feminismo fica ainda mais vergonhosa quando se lembra que 80% dos óbitos por suicídio são homens.

Talvez seja hora de agradecer o feminismo por tudo que ele fez de bom para a sociedade, e nos despedir dele, que tal? Atualmente, o feminismo tem atuado como o formador de novos tabus. Isso e aquilo pode ser dito, isso e aquilo não pode. “Mulheres sempre sofreram opressão sistêmica”, “homens nunca sofreram opressão sistêmica”. E tantos outros motes que não temos mais a permissão de questionar. Esta não é, e não pode ser, a liberdade de gênero que o movimento um dia defendeu (ou afirma que um dia defendeu, ou afirma que ainda defende). O feminismo foi assimilado, e como toda ideologia assimilada, deve ser descartada antes que cause mais mal do que as bondades que trouxera. Os seus militantes hoje se reduzem a repetir axiomas e propalar ofensas aos questionantes. Isso não é pensar, sequer é liberdade de pensamento. Isto não é autonomia, nem de homens nem de mulheres, não é independência, nem nada remotamente similar. É como uma muleta que uma pessoa perfeitamente saudável acredita que precisa para poder andar. Uma muleta que, ainda por cima, está acorrentada à um circulo, uma zona confortável onde tudo está claro, onde o certo e o errado estão absolutos, onde tudo está “preto-no-branco”. Largue a muleta. Ande. Saia do círculo. Pense por si mesm@ e descubra os “tons de cinza” do mundo real.

Que tal começar lendo um dos livros escritos por algum dos sujeitos referidos acima? Certamente são leituras com certo viés. Ora, isso incomoda? Amadureça, pois todo mundo tem o seu viés. Aceite isso, então mantenha o senso crítico ligado sempre, e ouça sempre os lados opostos. Certamente a Simone de Beauvoir e suas fãs escrevem de modos e com pensamentos claramente enviesados. Você deixa de ler elas por causa do viés que elas possuem, ou você às lê por causa do viés que elas possuem? Que tal permitir a entrada de novas informações vindas do outro lado da humanidade, o lado masculino? Que tal permitir o nosso direito de resposta, e levá-lo a sério?

Foto: hairymuseummatt (original), DrMikeBaxter (trabalho derivado).

1 thought on “A permissão para discordar”

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *