Casamento gay? Que tal CASAMENTO NENHUM?

Não dá mais para ligar a TV para ver o noticiário, sem que seus sentidos sejam agredidos por algum conservador farsante, lamentando-se como uma gaita de fole sobre os males do casamento gay.

“Precisamos impedir que isso continue acontecendo”, dizem eles. “O casamento é feito por um homem e uma mulher. Deus todo poderoso assim o disse”. E então há também aquele obrigatório, enojante e redundante “precisamos proteger a santidade do casamento e a família”!

Como é? A santidade do casamento e a família??

Isso me faz imaginar se existe algum tratamento de reabilitação para esse tipo de pensamento.

O casamento moderno, caso esses Einsteins ainda não tenham percebido, tem toda a sacralidade de um sexo de vinte reais na rua. O matrimônio evoluiu para se tornar mais uma instituição descartável dentro de uma cultura descartável e não foram os homossexuais que nos trouxeram até aqui.  E nem serão eles quem colocarão o último prego no caixão.

Como de costume, não estamos facilitando a verdadeira compreensão do assunto, com acordes sonoros dos “Talking Heads”. A expressão “um homem e uma mulher” não é mais capaz de eliminar os problemas do casamento moderno, tanto quanto absurdos como “meu corpo minha escolha” já não são mais capazes de iluminar a questão do aborto.

Pior ainda, como qualquer defensor dos direito masculinos sabe muito bem, o casamento já deixou de ser “um homem e uma mulher” há muito tempo. A realidade dos dias de hoje é que os homens se casam com o Estado no qual eles vivem. A mulher faz parte da barganha só por alguns anos. E, quando a mulher dá tudo por terminado, as coisas realmente esquentam em relação ao Estado, que separará o homem de seus bens materiais, adicionando uma nova e bizarra dimensão para expressão “até que a morte os separe”!

E permitir aos gays que entrem nessa “roubada” vai ferir a instituição?

Vocês sabem muito bem que eu gostaria muito de encurralar alguns desses “gurus” e fazê-los responder algumas perguntas. Talvez Hannity (1) ou mesmo a garota de aparência anoréxica com aquele cabelo descolorido e alisado.

As perguntas seriam muito simples: onde vocês estavam e o que estão fazendo a respeito disso agora? Quando feministas pressionaram e obtiveram o divórcio com a casa, bens e indenização por nada, e conseqüentemente a taxa de divórcio atingiu a estratosfera, criando legiões de filhos problemáticos e sem pais, onde vocês estavam? O que estão fazendo a respeito disso agora?

Quando a ideologia feminista se espalhou, como um tumor maligno, pela mídia, pelos meios acadêmicos, pelo governo e pela cultura de uma forma geral, demonizando tudo que fosse masculino e criando um ruptura fundamental entre os sexos, que amaldiçoa o casamento até os dias de hoje, onde estavam vocês?? E o que estão fazendo a respeito disso agora??

Quando a Justiça de Família começou a pegar o dinheiro dos programas sociais destinados às mulheres, transformando os assentos dos Fóruns em verdadeiros feudos particulares, lucrativos centros onde o “estoque de mercadoria” se tornou a ruptura do elo de  ligação entre pais e filhos, onde vocês estavam?? E o que estão fazendo a respeito disso agora?? E some a esta uma outra questão. Você sabem o que vem a ser o dinheiro oriundo dos programas sociais destinados às mulheres e como ele vai do governo federal para dentro dos cofres da Justiça de Família? Ou isso precisaria de mais informação do que vocês conseguiriam digerir, entre os comerciais de “Cialis” apresentados pela “Fox News” (3)?

É claro, o ponto chave é que sabemos onde essas pessoas estavam e o que estão fazendo agora. Eles estão no lugar onde sempre estiveram, rastejando como baratas em qualquer meio de comunicação de massa, que possa chamá-los para dizer alguma coisa profundamente sem sentido sobre tópicos profundamente sem sentido, em nome de promoverem livros profundamente sem sentido.

Esses abutres querem proteger a santidade do casamento da mesma forma que Courtney Love (4) quer proteger a castidade.

E aqueles que gritam o mais alto possível sobre a suposta e sinistra perspectiva do casamento gay são os mesmos que não conseguiram parar de movimentar suas línguas sobre as virtudes do conservadorismo constitucional.

Sou fascinado por pessoas que chamam a si mesmas de conservadoras e defensoras de governos limitados (5), mas, sentam-se complacentemente como risonhos “Joões Bobos”, desde que o governo esteja fazendo valer suas crenças morais e religiosas sobre o restante da população.

Novidade: isso não é conservadorismo, nem mesmo uma imitação barata dele. É uma teocracia no estilo dos aiatolás. E isso contribui tanto para os direitos masculinos quanto o próprio feminismo.

Eu não ficaria nada incomodado com tudo isso, se estivesse restrito apenas aos idiotas da mídia. Deles eu só espero que falem muito e entendam pouco! É assim que eles ficam ricos!

Mas, quando eu vejo ativistas dos direitos masculinos esposando essa célebre causa, é como uma se estaca perfurasse o meu “idiotômetro”!

Por que, pelo amor dos Tolos, qualquer homem procuraria proteger a santidade de uma instituição, que, nos dias atuais, é a mais prolífica fonte de opressiva discriminação contra ele próprio?

No entanto, eu vejo isso o tempo todo, sobretudo vindo de ativistas dos direitos masculinos, mais do que de patriotas que pensam ser ativistas.

Tanto quanto os teocratas fanáticos não devem se confundir com os conservadores constitucionais, patriarcas não devem se confundir com ativistas de direitos masculinos. Na minha opinião, nossos programas são  diametralmente opostos.

Patriarcas querem retornar aos imaginários dias de cavalheirismo e glória para os homens, quando eles eram os chefes de família e as mulheres apenas lavavam louças e faziam, mais ou menos, quaisquer outras coisas que lhes eram ditas. Eu uso a palavra “imaginários” por uma boa razão. A época em que os homens tiveram todo o poder e dominação sobre as mulheres jamais existiu. Não passa de uma fantasia que os patriarcas modernos acabaram engolindo e que lhes permitiu sentir toda a nostalgia de um sonho impossível, outrora vivido por uma outra geração. Tenho certeza que seria um mundo agradável para aqueles que tem obsessão por controle, mas, embora nunca tenha existido, a pasta de dente já está totalmente fora do tubo e já não mais é possível colocá-la para dentro novamente! E o cavalheirismo, naquilo que se refere a colocar as mulheres em primeiro lugar, sempre às custa dos homens, tem muito mais em comum com o feminismo do que com os direitos masculinos.

Defensores dos direitos masculinos (MRA), pelo menos na minha definição, desejam apenas escapar do sexismo, preconceito e traição que estão envolvidos com o casamento e com qualquer outra instituição que diga respeito aos homens. E isso nos põe, novamente em minha opinião, na irônica posição de terminar aquilo que as feministas iniciaram: um ataque final e completo contra o matrimônio.

As feministas venceram esta, meus caros: o jogo acabou e a derrota é total! O que resta do matrimônio não é mais recuperável: é água que não mais pode ser descontaminada; é um aleijão que não mais pode ser curado! E a melhor coisa a fazer é acabar com esta miséria de uma vez por todas! Tenho esperanças de que, depois que a cultura se recuperar dos danos causados pela doutrina feminista, virá um tempo em que a sanidade estará de volta à mesa.

Assim, se o casamento gay corrói a santidade da instituição, eu digo “tudo bem”. Vamos lhes imprimir habilitações de casamento aos montes! Eu vou correr e pegar um pouco de arroz.

Há uma enormidade de assuntos, aqueles que os “gurus” ignoram, que realmente demandam muito mais atenção. Não perderei meu tempo para investir em qualquer outra coisa, e, muito menos, naquilo que, em última instância, sabota a vida dos homens ainda mais.

Não há a menor dúvida de que foram as feministas que colocaram o matrimônio em regime de vida artificial mantida por aparelhos. Devemos lamentar tudo isso e olhar para o futuro, com esperanças renovadas, de que, algum dia, homens e mulheres compartilharão novamente uma vida em comum, com amor e dignidade. Mas, nos dias de hoje, devemos apenas fazer aquilo que é mais decente  para com o matrimônio e simplesmente desligar os aparelhos. Neste meio tempo, eu não vou investir minha energia para me preocupar com programas  políticos de grupos de interesse que simplesmente levaram a si mesmos à destruição.

 

Notas de tradução:

1) “Talking Heads”: grupo britânico de rock pop dos anos oitenta, cuja tradução significa “cabeças falantes”;

2) Hannity: Sean Hannity, âncora da emissora “Fox News” e apresentador do programa de mesmo nome, de perfil eminentemente conservador;

3) “Fox News”: emissora de TV norte-americana, de perfil notoriamente conservador;

4) Courtney Love: cantora de rock, de perfil liberal e psicodélico, que prega o amor livre;

5) Governo limitado: estilo de governo sóbrio e conservador, que investe pouco em programas sociais por entender que o cidadão tem de ganhar sua vida através do trabalho e não através de políticas assistenciais;

Tradução: Jeovan Penteado
Texto original aqui

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