Filho de uma mãe narcisista

O relato a seguir é de um filho que foi alienado pela mãe narcisista e que sofreu violência física e psicológica.
A identidade da vítima será preservada.
Sammy.

Eu tenho 24 anos atualmente, quase 25. Tive que sair da minha cidade natal e estou morando em Fortaleza – CE, depois de ter que aturar abusos morais e psicológicos por parte da minha mãe até os 21 anos.

Meu pai pedia a minha guarda desde os meus 8 anos, quando ele descobriu que ela usava o dinheiro da pensão indevidamente e não pagava minha escola.

Se a lei contra alienação parental já existisse na época, talvez minha vida fosse diferente. Talvez eu tivesse tido uma educação melhor e não tivesse que lidar com traumas psicológicos que eu guardo até hoje.

Minha mãe chegou a mudar de residência diversas vezes pra me manter longe do meu pai, e tentava me dopar pra criar um contexto onde eu seria tido como incapaz e ela receberia uma pensão vitalícia.

Meu pai pagava cerca de 3 salários mínimos. Dinheiro mais que suficiente pra ela viver bem e não precisar trabalhar. Que deveria ser destinado a minha criação e educação, mas que seria usado para manter a vida de luxo e conforto dela.

Minha mãe era muito interesseira e narcisista, com uma certa propensão a teatros e surtos de raiva. A vida da minha mãe sempre foi gastar dinheiro em festas, roupas, coisas assim. Ela passou metade da minha adolescência me obrigando a mentir que ela tinha 36 anos, que nossa relação de mãe e filho era ótima. Então tipo, no geral, para as pessoas de fora, ela parecia uma boa e amorosa mãe. Só eu sabia o quanto ela era irresponsável e negligente, mas temia falar sobre isso com terceiros.

Minha mãe tinha um plano com a minha avó de conseguir convencer a justiça de que eu era incapaz psicologicamente, assim como minha avó fez com uma tia minha que já faleceu, e que tinha esquizofrenia. Minha avó recebe pensão do meu avô até hoje por isso.

Por conta desse plano ela me trancava muito em casa, me impedia de fazer coisas sozinho e me desenvolver, me isolava do meu pai, e às vezes me dopava com os remédios da minha tia.

Se eu “fizesse ela passar vergonha” ou atrapalhasse as saídas dela de alguma forma, qualquer coisa que colocasse em risco a imagem dela, ela me batia em casa com uma violência sem igual, usando tamanco daqueles de plataforma ou cinto com aquelas pedrinhas. E isso geralmente incluía me trancar no quarto logo após o “castigo” pelo péssimo comportamento e por levantar suspeitas sobre a imagem dela.

Eu ainda tenho algumas cicatrizes, a maioria nas pernas e nas mãos.

Minha irmã também teve problemas psicológicos ligados a regressão. Muitas vezes ela agia como se tivesse 5 anos, sendo que era mais velha que eu. Quando ela completou 18 anos saiu de casa e começou a se cuidar, hoje ela está bem.

Minha irmã colocou minha mãe na justiça por negligência, porque a violência ela nunca teve como provar. O processo corre na justiça até hoje.

Meu pai colocou minha mãe na justiça por minha causa muitas vezes. Teve uma época na minha infância que ela ironizava dizendo que todo ano tinha uma data comemorativa do meu pai tomar minha guarda. Ela colocava na minha cabeça uma ideia de que ele queria tirar o dinheiro que era pra mim e me enchia de presentes nesses períodos. Eu caí por um tempo enquanto era novo.

Dos 13 anos em diante ela se mudava muito pro meu pai não me achar. eu fiquei sem contato com ele até os 17 anos.

Meu pai era aposentado da Petrobrás e pagava 3 salários mínimos de pensão pra ela, mediante acordo voluntário na justiça, pra que eu tivesse uma boa educação e qualidade de vida. Muita coisa eu só fui descobrir quando sai da casa dela, só de colégio atrasado foi mais de 10 mil reais que ele teve que pagar.

Apesar do pouco contato meu pai sempre me ajudou, principalmente quando sai da casa dela.

Durante um bom tempo ela me perseguiu em locais de trabalho e arruinou meu serviço, tudo pra me obrigar a dar dinheiro pra ela.

Com tudo isso eu acabei ficando muito revoltado com a vida. Só melhorei quando conheci minha atual religião, tenho aprendido a ver as coisas de outra maneira.

Recentemente a minha mãe, que atualmente está sozinha, conversou comigo por telefone e eu liberei o perdão a ela.

Eu precisava ficar em paz, mas eu não confiaria morar ou conviver muito próximo a ela novamente.

Eu acredito que nunca vou conseguir esquecer totalmente as marcas e os traumas que ela me causou.

Essa é a minha história. Sou filho de uma mãe narcisista, eu sofri alienação parental e terei que conviver com as péssimas recordações e os traumas da minha infância e adolescência por toda a vida.

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