Vamos Falar De… HOMEM

Meninas e meninos, estava eu aqui pensando que assunto falar pra recomeçar (poisé) meu site depois de um conflito com o outro template. Marido teve que formatar meu site e perdi tudo. Paciência! Com o tempo vou repostando. Mas então, nenhum assunto me animava até vir um dos meus assuntos preferidos na cabeça: HOMEM! Nem falo somente do homem como objeto de desejo, mas do mundo masculino, da masculinidade e tudo que envolve ela. Eu acho fascinante. Tenho muitos amigos homens e poucas amigas. Acredito que seja porque eu sempre me identifiquei com eles, apesar da minha feminilidade ir muito bem, obrigada. Até posso imaginar que seja justamente por isso que me dou bem com eles. Não me sinto vítima, refém nem injustiçada por ser mulher, pelo contrário, me sinto privilegiada. Meus pais se separaram quando eu tinha 2 anos e isso não foi empecilho pro meu pai ser Pai com “P” maiúsculo. Por ele, nos veríamos todos os dias e durante um bom tempo foi assim. Ele me levava à escola e me buscava todos os dias. Toda sexta-feira eu ia direto pra casa dele e só voltava pra casa da minha mãe na segunda depois da escola. Comprei meu primeiro sutiã com ele e também foi ele que comprou meu primeiro absorvente. Minha mãe sempre trabalhou muito e ele, por ser fotógrafo, tinha horários mais flexíveis. Mas o que fez a diferença mesmo foi a vontade dele de estar presente. Então minha primeira experiência com o mundo masculino foi com um homem que sempre me colocou em primeiro lugar e que sempre se desdobrou pra me dar o melhor. Na infância eu aprendi muito com os meninos. Foi com eles que eu compreendi a ideia de fraternidade. Não é como as meninas que elegem uma melhor amiga e ficam andando pra cima e pra baixo abraçadas como se adquirissem posse uma da outra pra falar mal das demais. É um time, onde todos tem sua importância. Aprendi a andar de bicicleta com eles, a entrar na porrada pra defender a minha turma, a jogar vídeo-game quando as meninas nem sonhavam com isso (ai, meu atari), a assistir MTV quando as meninas nem sabiam o que era isso, a admirar o super-homem pela sua integridade e a construir coisas: carrinhos, barcos, aviõezinhos. Não me entendam mal, eu adorava a Barbie! Mas o universo masculino me parecia muito mais rico. Na adolescência, eu não me identificava muito com os papéis de carta e as canetas com cheirinho das meninas. Eu gostava de rock progressivo e era frustrante que nenhuma das minhas amigas soubesse direito as músicas do Metallica ou do Pink Floyd. Então, naturalmente, eu fui ficando mais amiga dos meninos do que das meninas. Além disso, as piadas masculinas sempre me pareceram muito mais engraçadas. Talvez pelo humor mais ácido e ao mesmo tempo mais inocente, sem ressentimentos. E apesar da camiseta de banda, da bota coturno, eu me maquiava e usava top (preto, claro), o que despertou cedo paixões adolescentes das quais guardo doces recordações. O olhar de um garoto apaixonado é uma das melhores coisas da vida de uma adolescente. As mãos suadas e trêmulas de um garoto que ainda não sofreu decepções e que apesar de ainda brincar de abaixar as calças do colega no pátio do colégio, cuida de você como se já fosse um homem crescido. Quantas pizzas na madrugada enquanto jogávamos “Age of Empires” numa LAN improvisada na casa de um dos meninos, milk-shakes no boliche, e muitas bandas de garagem. Ah, esses garotos que tocam guitarra, bateria, baixo, teclado…tiram qualquer garota do sério. Sou fã no. 1 de bandas cover de adolescentes. Assistir ensaio das bandas do namorado que tocam as músicas de seus ídolos com tanta paixão que invejamos até seus instrumentos musicais. E é nessas horas que fica explícita a sensibilidade deles, transformada em arte. Me lembro bem quando um namorado meu me puxou pelo braço no backstage e me trouxe pro palco. Os fãs gritando enlouquecidos, aquela multidão me deu um frio na barriga que pouquíssimas vezes senti. E ele me disse no ouvido: “sente a energia” e eu senti, e entendi um pouco mais esses garotos que põem “Iron Maiden” no último volume no carro e cantam juntos como numa irmandade. Ah, essas garotos já um pouco crescidos que adoram reunir os amigos de infância num churrasco só porque estão com saudades um do outro. E que só pensam em picanha e cerveja mas que acabam com o nosso vinagrete e não páram de elogiar. Esses garotos-homens que tanto me pediram conselhos pra conquistar suas paixões e que sofriam na mesa do bar passando noites e noites só falando nelas. Mas que voltavam a ser crianças em segundos quando resolviam jogar RPG. Quantas conversas filosóficas na saída do cinema, quantas discussões políticas acaloradas depois de uma notícia no jornal. E quantas esfihas vocês conseguem comer hein?! E o fascínio pelos heróis? Quase como se esses personagens que salvam as pessoas e cuidam do planeta fossem seus exemplos de masculinidade. E não seriam? A vontade de proteger a amada, de ajudar os mais frágeis. O famoso discurso de Rocky Balboa sobre saber se levantar depois de levar uma porrada da vida. Quantos homens morreram na linha de combate defendendo seu povo? Quantos homens salvaram mulheres e crianças primeiro em tragédias? Quantos homens deixaram de comer pra alimentar suas famílias em períodos de escassez na história da humanidade? Ah, esses homens jovens que choram em seus casamentos e ao ver seus filhos no ultrassom. Esses que saem a noite pra comprar as coisas loucas que desejamos na gravidez. Esses que olham nos nossos olhos e dizem que a gente ta gordinha mas que nos amam mesmo assim (e que provam fisicamente que ainda nos acham atraentes). Esses homens que ficam quietos aguentando nossas crises de TPM, mas que às vezes perdem a paciência quando a gente tá chata e depois pedem desculpa (e dão um chocolate). Ah, esses homens que abrem a porta pra gente entrar, puxam a cadeira pra gente sentar e seguram nossa bolsa e nossos cadernos. Que se pudessem, dividiriam conosco a dor do parto. Que beijam seus filhos. Que sabem melhor do que ninguém que tem horas que um abraço vale mais que mil conselhos. Esses homens que dirigem sérios olhando pelo retrovisor e a gente fica só admirando suas mãos masculinas trocando de marcha. Essa energia, competitividade, coragem misturadas com a gentileza que nos fazem suspirar nos filmes e na vida real. Esses garotos que nascem da gente e em poucos meses começam a olhar para os carros com verdadeiro fascínio, que fazem o barulho do helicóptero com a boca e querem atingir o último andar da estante da sala em dois segundos da nossa ausência, que destroem todos os brinquedos tentando entender como funciona, mas que abraçam ursinhos e nos dão aquele beijo molhado na bochecha com cheiro de bala… que sonham em ser astronautas e viajar pelas estrelas. Ah, o que seria de nós, meninas, sem vocês? foto: Inmage.com Originalmente postado aqui.

2 thoughts on “Vamos Falar De… HOMEM”

  1. Já viajei para muitos lugares e um lugar curioso é a Suécia. Há uma obsessão por independência que chega ao ponto de desinteresse entre homens e mulheres. Tudo o que ela fala no artigo, é algo muito distante para a maioria dos suecos, o que resulta em uma tristeza constante nos rostos de todos que eu vi. Como diz Zygmunt Bauman, é esse jogo de ajudar e ser ajudado sem pedir e sem esperar nada em troca é que preenche nossa vida.

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