Quando eu soube que esperava uma menina, eu não sabia como era ser homem

Eu sempre quis ter um filho (homem), sempre me dei melhor com homens (tinha amigas, mas eram em menor numero). Então, quando soube que esperava uma menina, fiquei três dias em choque. Meu prolema era colocar mais uma “sofredora” no mundo.

Não, sério. Chorei de pena dela e tudo mais. Prometi pra mim mesma que minha filha nunca usaria rosa, nunca teria uma barbie. Se era pra por uma mulher no mundo, que fosse uma guerreira, pensei. Já meu marido queria uma menina. Ela nasceu, os mimos começaram, as roupinhas rosas surgiram em presentes de parentes e amigos e um belo dia me rendi ao mundo cor-de-rosa feminino com babados e tudo de clichê que existe.

Mesmo assim, vindo de uma família feminista, eu tinha minhas ressalvas. Estava sempre pensando na “opressão” da beleza, e coisas do tipo quando minha filha disse que queria ser princesa e sua cor preferida era rosa. Meu primeiro pensamento foi o de que o “machismo” tinha alcançado minha filha, mesmo eu querendo evitar. Mas o pensamento paranoico já estava enfraquecido e eu não podia fazer outra coisa do que aceitar, dentro da minha proposta de criação com gentileza e respeito.

O problema é que quando eu contava isso nos grupos feministas, minhas colegas não acreditavam…me alertavam para o perigo de criar “princesas” e como a Disney colabora para esse patriarcado se perpetuar. mas mesmo mostrando outros personagens femininos pra minha filha, como Fiona, Monica, era das princesas que ela sempre gostou, uma escolha dela, não minha.

Daí veio meu filho e eu comecei a prestar atenção no mundo dos meninos. A primeira questão foi que meninos não choram. Como assim “não choram”? Eu nunca consegui entender essa diferença que queriam impor entre meus filhos. Se um chorou, mamou, dormiu comigo, o outro tinha que ter os mesmos direitos, e tem. Por economia, meu filho vestiu rosa e brincou de boneca. Tudo era dos dois.

Mas assim que ele começou a entender certas coisas, ficou fascinado por carros. NINGUÉM ensinou a ele isso. Saíamos na rua e ele apontava pros carros, aviões, trens. É mais bruto, bate mais, quer desmontar as coisas pra ver como funcionam enquanto minha filha dança na sala rodando o vestido. Essa cena me fez enxergar que certas diferenças não são culturais, mas biológicas.

Comecei a pesquisar sobre isso porque eu sabia que mantinha a maior igualdade possível justamente pra não influenciar. Quando eu postava isso nos grupos de mães, era chamada de machista, reacionária. Fui expulsa de um grupo quando tive um insight: a violência obstétrica não é machismo, mas corporativismo e tecnocracia. Não tem nada a ver com causa feminista. Quando dei o exemplo das circuncisões, que vem aumentado, pronto. Queimei meu filme no mundo materno.

Mas de fato, fui várias vezes pressionada a operar meu filho. Tratei de uma infecção que ele teve sozinha, foi sorte eu ser enfermeira, porque todos diziam que a solução era entrar na faca. Hoje ele está com o pênis intacto. Agora querem desmamá-lo pra ele não ficar “mimadinho” e porque ele é “hominho” e eu mulher.

Eu não sabia como era ser homem. Mas a empatia me abriu os olhos.

Agora o numero de meninos nas universidades tem diminuído. Pra onde esses meninos estão indo? Qual será o futuro do meu filho?

Foto: Wikimedia commons, “Baby boy”, por Voiceboks.

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