O relógio corre em suicídios masculinos

Os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde1 revelam que aproximadamente 804.000 mortes por suicídio aconteceram no mundo em 2012, representando uma taxa de suicídio anual de 11,4 por 100.000 pessoas. No entanto, como suicídio é um tema delicado, e mesmo ilegal em alguns países, é provavelmente subnotificado e em países com dados vitais com um bom registro, o suicídio pode ser frequentemente mal classificado como acidente ou outra causa de morte. Devido a estes fatores, morte por suicídio provavelmente está próximo a 1,2 milhões de casos anualmente.²

Como a maioria dos leitores aqui saberão, homens são largamente super-representados nestes dados sombrios.

Como a maioria dos leitores também hão de saber, o stablishment está fazendo o máximo para omitir a prevalência do suicídio masculino   de sua retórica, como Steve Brulé descreveu tão bem no seu artigo em 2013 sobre os relatos de suicídio masculino na mídia. Aqui está um trecho de seu artigo descrevendo os pecados da omissão.

Se o suicídio deve ser abordado eficazmente, ele precisa ser entendido. Isto significa falar abertamente sobre o grupo humano a que pertencem as vítimas; Quem eles são e por que cometem suicídio, para começar. E ainda assim, mesmo no Dia Mundial de Prevenção de Suicídio, a mídia escolheu ser evasiva em relação à verdade. A matéria do “CTV News” sobre o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio mencionou os diversos grupos de suicidas, as complexidades do suicídio, que os indivíduos têm diferentes motivos e que diferenças ocorrem entre diferentes faixas etárias. Na verdade, eles tiveram problemas consideráveis ao tocar nestas complexidades.

Mas os comentaristas do CTV evitaram a estatística maior e mais significativa a respeito do suicídio: O número de vítimas masculinas é maior do que as vítimas femininas na proporção de 4 para 1. Quase todo mundo sabe este fato e esta estatística apenas representa as mortes por suicídio confirmadas. O verdadeiro número de suicídios masculinos é provavelmente muito maior: homens bebem até a morte, basicamente se automedicando para evitar dores emocionais intoleráveis e se envolvem em comportamentos extremamente arriscados, frequentemente levando a mortes prematuras “acidentais” como forma de distração da realidade de suas vidas

A maioria das postagens em websites que eu encontrei sobre o Dia Mundial da Prevenção de Suicídio também evitou deliberadamente o fato de que o suicídio afeta desproporcionalmente os homens, por exemplo aqui e na Wikipédia. O Centro para Dependência e Saúde Mental chega a mencionar adolescentes, soldados, e comunidades aborígenes como tendo taxas desproporcionalmente altas de suicídio. Mas não menciona os homens como um grupo de corte.

Nem mesmo o Suicide Prevention Canada menciona o fato extraordinário de que o suicídio é completado mais por homens, mesmo a significância estatística da taxa de suicídio masculino sendo tanta que “ser homem” deveria ser acrescentado à lista de fatores de risco de suicídio.

Mas o que acontece é o contrário. Esta verdade está sendo minimizada ou mesmo ignorada, como se o grupo masculino não fosse realmente importante. E este é o cerne da questão. Isto não é importante por que, como pesquisadores corajosos como Warren Farrell e Michael Gilbert mostraram, homens são considerados descartáveis em nossa cultura.

Não é que os pesquisadores do suicídio sejam tímidos de falar sobre determinados grupos de vítimas. A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) lista diversos grupos especiais de interesse e forças tarefa incluindo Comportamento Suicida em AdolescentesSuicídio no Local de Trabalho, Suicídio e MídiaSuicídio em Pessoas IdosasSuicídio em Prisões. Eles simplesmente se recusam a considerar ‘suicídio em homens’ como um grupo de interesse; o maior e estatisticamente significante grupo neste tópico inteiro. Na verdade, eu não pude encontrar nenhuma menção à desproporcionalidade de gênero em qualquer lugar do site do IASP.

Este é o elefante de 20.000 toneladas ignorado na sala: suicídio é esmagadoramente mais cometido por homens. Por que isto acontece? A mídia em nossa cultura não tem reservas em identificar o grupo masculino quando ele é identificado negativamente, como em crime ou violência, ou mesmo quando cria imagens falsas negativas dos homens, como sendo desajeitados, insensíveis, pais menos capazes, ou mesmo promovendo a afirmativa descreditada de que a violência doméstica é causada quase exclusivamente por homens. Mas quando homens são esmagadoramente as vítimas, o tópico se torna repentinamente neutro em relação a gênero, ou mesmo invertido usando alguma afirmação distorcida como quando Hillary Clinton disse que “as mulheres sempre foram as principais vítimas da guerra“.

O único site que eu encontrei que teve a coragem de dizer a verdade completa sobre suicídio masculino foi o do Governo do Reino Unido, que afirma abertamente que o suicídio é a principal causa de morte entre jovens do sexo masculino

A Fundação Americana para Prevenção de Suicídio (AFSP) lidera com a afirmação neutra de que “90% das pessoas que morrem por suicídio tem um transtorno psiquiátrico diagnosticável e tratável no momento de suas mortes”. Procure em seu website e você irá ler que homens cometem 4 vezes mais suicídios do que mulheres, mas a próxima estatística é particularmente reveladora: como raça, pessoas brancas têm a maior incidência de suicídio, maior que nativos americanos por uma margem considerável. À primeira vista isso é surpreendente, porque a maioria das pessoas acredita que nativos americanos têm um problema com suicídio. Mas o fato concreto é: o grupo com maior incidência de suicídio na América do Norte, e possivelmente no mundo, são os homens brancos, o mesmo grupo que feministas dizem oprimir todo mundo.

O A Voice for Men publicou muitos artigos sobre suicídio masculino e apontou muitos fatores de risco, dos quais não menos importante é a cultura misândrica global que leva homens a pensar que suas vidas não valem nada.

Para continuar aumentando a conscientização sobre este tema, nós adicionamos um relógio à página principal deste site para destacar a incidência global de suicídio masculino e, no processo, lembrar à imprensa marrom, acadêmicos e governos para dedicar mais energia ao problema.

Para isto terminar, aqui estão algumas noções básicas para os dados que nós usamos para ajustar o relógio:

  1. Disparidade de gênero no suicídio:

Apesar da grande variabilidade nas taxas, há uma taxa consistentemente alta de suicídio entre homens em relação às mulheres, com homens morrendo mais frequentemente de suicídio na razão de 3:1–7.5:1

A Organização Mundial da Saúde diz que a cada 40 segundos4 um suicídio acontece no mundo. Um estudo de 2002 encontrou uma taxa um pouco mais alta de um suicídio a cada 20 segundos,5 ou 180 por hora. Dividindo a frequência de suicídio pela taxa conservadora homem/mulher de 3:1, a frequência de suicídio masculino é aproximadamente 135 incidentes por hora ou um a cada 26,6 segundos

  1. Taxa de aumento de suicídios:

Os dados mantidos pela OMS sugerem que a taxa global de suicídio tem aumentado desde 1950, especialmente para homens.5

Global-suicide-trend-1950-2020
Tabela 1: Uma perspectiva global na epidemiologia do suicídio. Suicidologia. (2002)³

Tendência desde 1950:

Com base na tabela acima, ocorreram impressionantes 25 milhões suicídios masculinos até agora.

Entre 1950 (a data de início do relógio do suicídio) e 2002, os suicídios masculinos aumentaram em 49 por cento5 e as projeções baseadas nos dados sugerem que o número de suicídios vai novamente aumentar em 50 por cento entre 2002 e 2030.6

Embora estes dados não sejam perfeitos, são o melhor que nós temos. Se alguém puder fornecer dados mais atualizados e detalhados, será bem-vindo e ficaremos satisfeitos em ajustar o relógio e atualizar a informação nesta página.

Esperamos que leitores tomem este relógio mais seriamente do que o relógio nacional de débito e considerem seriamente os muitos fatores evitáveis apontados pelo AVfM – questões culturais reversíveis –  que contribuem para o suicídio masculino.

Fontes:

[1] World Health Organization, Preventing suicide: A global imperative. (2014)
[2] Meier, Marshall B. Clinard, Robert F. Sociology of deviant behavior (2011)
[3] Matthew K. Nock, Guilherme Borges, Suicide and Suicidal Behavior. Epidemiol Rev. (2008)
[4] World Health Organization, Preventing suicide: A global imperative. (2014)
[5] Bertolote JM, Fleischmann A. A global perspective in the epidemiology of suicide. Suicidology. (2002)
[6] Mathers CD, Loncar D. Projections of global mortality and burden of disease from 2002 to 2030. (2006)

Imagem: Cristian V
Postado originalmente no AVfM.
Tradução: Pedro Henrique.

10 thoughts on “O relógio corre em suicídios masculinos”

  1. Segundo algumas fontes, os homens, de fato morrem mais do que as mulheres em decorrência de suicídios. No entanto, as tentativas de suicídios seriam em sua maioria praticadas por mulheres, e a explicação para o maior número de mortes efetivas serem de homens, seria o fato de homens geralmente usarem métodos mais eficazes, como armas de fogo, e mulheres métodos menos eficazes, como doses elevadas de remédios.

    Fonte: http://www.abcdasaude.com.br/psiquiatria/suicidio

    Acho que isso seria um ponto a se analisar, pois pode ser usado por exemplo para contestar a alegação de que homens estejam sofrendo psicologicamente mais do que mulheres, já que as tentativas de suicídio seriam maior entre as mulheres, e não entre os homens, supondo que seriam as mulheres a estarem sofrendo mais, e não os homens. E o fato destes estarem morrendo em maior número em decorrência de suicídios, seria simplesmente pelo fato de estarem usando métodos mais eficazes de suicídio.

    1. Marcus Valerio XR

      O problema, prezado, é que há uma notável dificuldade em saber se o ocorrido foi mesmo uma tentativa de suicídio, ou apenas um ato desesperado de chamar atenção. É altamente provável que boa parte dos atentados femininos contra a própria vida não tenham a real intenção de dar cabo da dela, e por isso a escolha do “método ineficaz”. E isso ocorreria exatamente porque as mulheres sabem que essa medida, por outro lado, é muito eficiente em trazer-lhe empatia, cuidados e preocupação. Ao passo que para os homens isso acontece em escala muitíssimo menor. A mulher suicida seria vista com benevolência, uma vítima, o homem suicida visto como um fracassado, um perdedor.

      A outra possibilidade explicativa é ainda mais desabonadora, pois envolveria uma notável maior incompetência de efetivar o intento, bem como menor coragem de utilizar método de fato mais eficientes, o que depõe contra a determinação em levar o suicídio adiante.

      Claro que alguém poderia alegar o oposto e dizer que os suicídios efetivos de alguns destes homens talvez também não tivessem a intenção de ir às vias de fato, mas o foram de forma acidental.

      Ou seja. O que quero dizer é que infelizmente temos que trabalhar com o Único dado realmente objetivo, que é a morte consumada. Isso é um fato concreto e inconteste. Houve uma morte auto provocada, o que pressupôs, no mínimo, uma tentativa que assumiu tal risco e com grau suficientemente elevado para ser efetiva. Já as tentativas mal sucedidas ficam imersas num mar divagante de possibilidades que terminam por inviabilizar qualquer conclusão eficiente.

      Mas num ponto você tem razão. Se esse assunto fosse levado a um amplo debate público, não tenha dúvida que feministas iriam inverter por completo a situação e insistir exatamente nesse ponto, visto que o vitimismo irracional e inconsequente é sua especialidade, capaz de fechar por completo os olhos para os fatos concretos, que são as mortes consumados e esmagadoramente maiores de homens, e jogar mil holofotes no sofrimento subjetivo das mulheres, como o fez Hillary Clinton.

      1. Artur Bernardo Mallmann

        exato, quem nao teve uma amiga adolescente que tentou se “suicidar” cortando os punhos superficialmente..

  2. Tenho também uma sugestão a fazer aos autores destes artigos do AVfM, que é a de citar a página de onde tiraram as informações repassadas nos artigos, e não somente o nome da obra de onde elas foram tiradas, pois isto facilitaria o serviço de verificação da informação, trazendo também mais credibilidade e confiabilidade aos artigos publicados.

    Convenhamos, não é fácil ler um relatório com mais de 100 páginas a procura de uma informação especifica que provavelmente estará descrita em uma única página do relatório.

  3. Achei um artigo sobre bullying que foi pouco divulgado. Do mês de abril 2015. Uma das causas de doenças mentais são originadas por bullying e que podem levar ao suicídio mesmo em idade adulta. Abaixo o titulo do artigo.

    Moms helps girls, not boys, survive bullying

    No site futurity.org uma pesquisa da universidade de Michigan.

      1. Artur Bernardo Mallmann

        se contabilizar as adolescentes que “tentam suicídio” e saem correndo pedindo ajuda acredito nisto…
        sério tive mais de uma amiga que contaram estas histórias sem pé nem cabeça, nem elas levavam estes episódios a sério, geralmente era para chamar a atenção.

        1. acontece que a esquerda, unica que diz combater o bullying, na verdade não o combate, e sim nos prejudica com sua campanha desarmamentista. o bulier alfa ou marginal o que seja, sempre leva a melhor. eu não me deixo mais enganar nem pela esquerda nem pela direita, pois são dois braços da sinarquia(governo mundial secreto). pela direita atacam os ”loucos que sofrem bullying’ com a psiquiatria, segregando e destruindo cerebros com drogas. pela esquerda vem o desarmamentismo, nos colocando em cheque e importentes em relação ao mundo. por exemplo, hoje em dia não ter um carro ja é motivo pra marginais te atacarem na rua, durante o dia, quando simplesmente voce está indo a um trabalho por exemplo. e ter um carro num país miseravel é impossivle, a nao ser pros caras que se dão bem na vida, os babacas, os psicopatas etc. sou apolítico devido a isso.

    1. acontece que a esquerda, unica que diz combater o bullying, na verdade
      não o combate, e sim nos prejudica com sua campanha desarmamentista. o
      bulier alfa ou marginal o que seja, sempre leva a melhor. eu não me
      deixo mais enganar nem pela esquerda nem pela direita, pois são dois
      braços da sinarquia(governo mundial secreto). pela direita atacam os
      ”loucos que sofrem bullying’ com a psiquiatria, segregando e destruindo
      cerebros com drogas. pela esquerda vem o desarmamentismo, nos colocando
      em cheque e impotentes em relação ao mundo. por exemplo, hoje em dia
      não ter um carro ja é motivo pra marginais te atacarem na rua, durante o
      dia, quando simplesmente voce está indo a um trabalho por exemplo. e
      ter um carro num país miseravel é impossivle, a nao ser pros caras que
      se dão bem na vida, os babacas, os psicopatas etc. sou apolítico devido a
      isso

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