Esclarecendo a história dos Movimentos dos Direitos dos Homens – Parte 2

Nota editorial: Esta publicação é continuação do artigo Esclarecendo a História do Movimento dos Direitos dos Homens - Parte 1. Abaixo estão todos os outros tópicos: 2 ao 13.

2) Organizações de Direitos dos Homens

Em meados dos anos 1920, o termo “extorsão das pensões” tornou-se comum em todo o território americano. O escândalo das especulações de pensões – que, em alguns casos, se manifestou com algumas mulheres acumulando uma série de provedores, com quem elas estiveram casadas brevemente, movendo-se de jurisdição para jurisdição – deu origem às mais antigas organizações de direitos dos homens nos Estados Unidos.

Mas a primeira organização de direitos dos homens do mundo dedicada a uma ampla gama de questões masculinas, com o objetivo de uma reforma legal, foi fundada em 1926 em Viena, chamada Der Bund Für Männerrechte (“Federação de Direitos do Homem”, erroneamente citada em língua inglesa como sendo a Liga Für Menschenrechte, que era uma organização austríaca diferente de direitos humanos, também fundada em 1926). E, se você está se perguntando em qual livro você pode encontrar uma citação sobre essa organização, qual enciclopédia a lista, qual professor universitário a discute, a resposta é: nenhuma, zero, nada. Em outras palavras, a primeira organização de direitos dos homens foi apagada da história como se nunca houvesse existido.

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“Sigurd Hoeberth, presidente da Liga vienense para os direitos do Homem, afirma que um congresso para maridos injustiçados terá lugar em Viena em breve.”

A Federação de Direitos do Homem de Viena foi fundada em março de 1926 por Sigurd Hoeberth e durou (sob um nome diferente, após uma dissidência em janeiro de 1927) até que um comissário nazista o fechou em 1938, logo após a Áustria ser anexada à Alemanha. As Aequitas de Hoeberth, suas principais aliadas (distinguindo-se dos Justitia, exclusivamente homens, liderados pelo cofundador da Bund, Leopold Kornblueh ), eram mulheres, especificamente mães de filhos em idade de se casarem. Seus objetivos: encontrar soluções para as fraudes de paternidade, extorsões maliciosas de pensões, chantagem sexual e falsas acusações que ocasionavam encarceramentos. Hoeberth produziu oito números dos dois periódicos de direitos dos homens que seu grupo publicava – um dos quais foi nomeado “Autodefesa” – entre os anos de 1930 e 1934.

Nos Estados Unidos, muitas organizações surgiram – a The Alimony Payers Protective Association (Associação de Proteção para Pagadores de Pensão, depois chamada de National Sociological League), o The Alimony Club of Illinois (Clube de Pensão de Illinois), a National Divorce Reform League (Liga Nacional pela Reforma do Divórcio) e o New York Alimony Club (Clube de Pensão de Nova York) – sendo alguns proeminentes ativistas: Dr. Vernon B. Cooley, Robert Ecob, Dr. Alexander Dallek, Adolph Wodiska e Theodore Apstein. Eles se organizaram para lutar contra o esquema de pensões, mas expandiram sua abordagem para discutir outros problemas relacionados aos direitos dos homens.

Enquanto as portas da organização de Hoeberth em Viena ainda estavam abertas, ela alcançou nível internacional, convidando representantes das organizações americanas para uma conferência internacional. Charlie Chaplin foi um defensor americano da organização internacional. Mas essa internacionalização terminou em 1930, durante os primeiros meses da Grande Depressão (ainda assim, a Bunde, que se dividiu em duas organizações diferentes em 1927, durou até 1938). Nos Estados Unidos, outras organizações voltadas à questão da pensão surgiram e se desfizeram ao longo do século XX e sempre houve uma organização nacional defendendo a reforma da pensão em algum lugar dentro dos Estados Unidos que poderia ser encontrada por qualquer pessoa que a procurasse.

3) Mulheres ativistas dos Direitos dos Homens

As mulheres desempenharam um papel importante nos primeiros movimentos de direitos dos homens nos Estados Unidos. A Sra. Bessie Cooley, segunda esposa de um marido pagador de pensão, foi fundadora daquela que, por um bom tempo, seria a primeira organização de direitos dos homens dos Estados Unidos, a Society of Disgruntled Alimony Payers (Sociedade dos Pagadores de Pensão Descontentes). A Sra. Rose Fox e a Sra. Samuel Gompers juntaram-se a organizações existentes, a New York Alimony Club e a National Divorce Reform League, respectivamente, e apoiaram a causa publicamente apesar de nenhuma das duas ter sido pessoalmente afetada pelas injustiças. Além disso, mulheres sem vínculo formal com organizações de direitos dos homens, na qualidade de jornalistas, juízas e legisladoras, foram proeminentes na promoção da discussão de causas relacionadas aos direitos dos homens em grupos organizados.

A Sra. Cooley formou sua organização em 1927 para promover sua visão de que “Nenhuma mulher sem filhos que seja capaz de se sustentar é merecedora de pensão… Há muitas garimpeiras em busca de ouro entre as mulheres divorciadas e metade delas não merece consideração”.

Em 1932, a Sra. Gompers, uma viúva idosa, tendo ouvido inúmeras histórias de injustiças contra homens nos tribunais de divórcio, foi motivada a juntar-se à National Divorce Reform League, uma organização com cerca de 1.000 membros, para combater, em suas palavras, “as pensionistas vigaristas e o confinamento indefinido de homens nas prisões de pensão”. Ela não tinha medo de controvérsias, explicando, com um sorriso, a um repórter:

Recebo cartas de todo o país de mulheres me acusando de ser traidora do meu sexo. Bem, eu sou certamente uma inimiga das garimpeiras, se é isso que elas querem dizer.

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“Eu acredito em uma lei advogando em favor de uma equalização do fardo da pensão. Pessoalmente, eu me oponho ao pagamento de pensão para todos. Acredito que, se a esperança de obter uma pensão e uma renda confortável para o resto da vida sem esforço for retirada de muitas mulheres, haveria menos divórcios e a causa de muitos casamentos, com seus consequentes divórcios, deixaria de existir.” – Sra. Rose Fox, 6 de maio de 1934.

A Sra. Fox, porta-voz do New York Alimony Club, estava bem ciente do quão crucial seria o envolvimento de mulheres no movimento. Em 1934, ela explicou aos jornais: “Eu me juntei a este clube primeiramente porque, muitas vezes, uma mulher pode atacar seu próprio sexo com mais efeito que um homem”.

4) O Golpe do Coração Partido, o Jogo do Texugo e outros golpes

No início dos anos 30, três legisladoras estaduais se tornaram importantes defensoras políticas dos direitos dos homens: Roberta Nicholson (Indiana), Blanche Hower (Ohio) e Gladys Stewart (Missouri). Cada uma delas conseguiu passar leis estaduais banindo os processos de quebra de promessa, um tipo particular de processo civil que, desde o final do século XIX, havia crescido como epidemia. Na década de 1930, era universalmente conhecido o “Golpe do Coração Partido”, um insidioso golpe que o ativista pelos direitos dos homens Theodore Apstein chamou de “um dos golpes mais viciados e lucrativos que existem no cenário americano”.

A versão padrão do esquema era o seguinte: a mulher seduz um homem a propor-lhe casamento, persuadindo-o a escrever-lhe três cartas – o número geralmente exigido pelo tribunal – demonstrando seu desejo expresso de se casar com ela. Uma vez que esses documentos tenham sido obtidos, ela então cria um tipo de virada em seu relacionamento romântico que fará com que o alvo perceba que sua companheira se tornaria uma esposa insuportável, fazendo com que ele retirasse sua oferta de matrimônio. Próxima parada para a “vítima” do coração partido: o escritório do advogado.

Entretanto, a extração de grandes quantidades de dinheiro de noivos quebradores promessas não se limitava a mulheres que eram golpistas premeditadas. Em 1901, um jovem de 18 anos chamado Michael Beck interrompeu seu noivado com Matilda Wood, de 19 anos, mas um certo tempo  após sua tentativa de matrimônio ter sido frustrada por um clérigo que recusou casá-los, considerando as partes menores de idade. Então, quatro meses depois, quando a chama matrimonial de Michael se esfriou, a garota mandou prendê-lo. Ele definhou na prisão, não conseguindo pagar a fiança de 2.000 dólares que o tribunal exigiu como garantia dos 10.000 de indenização por coração partido que sua ex-noiva exigia dele.

A jornalista Nocila Greeley-Smith tratou sarcasticamente a quebra de promessa e o fenômeno coração partido em 1911, comparando o mercado matrimonial com o mercado de ações. Ela questionou: “qual remédio pode ser aplicado ao coração partido de uma alma sensível que descobre, de repente, que não está tão comprometida quanto pensava estar? Dez mil dólares é a cotação atual do mercado, como revelado por dois vereditos proferidos por simpáticos juízes em Nova York determinando este montante nesta semana”. A conclusão de Greeley-Smith: “Analisando os casos de quebra de promessa desta semana, este é um bom momento para se processar”.

Na realidade, o Golpe do Coração Partido era meramente uma versão atualizada do velho Jogo do Texugo, um golpe praticado por mulheres em parceria com cúmplices masculinos. O Jogo do Texugo foi epidêmico no século XIX, atingindo “centenas de homens em um mês na cidade de Nova York”. Na forma clássica do golpe, uma mulher atraente se aproxima de um homem de boa situação financeira e o leva para um lugar confidencial com a intenção de colocá-lo em uma situação comprometedora. Depois, o cúmplice masculino, normalmente um suposto marido ou irmão, entra e ameaça expô-lo ou acusá-lo, a menos que a vítima pague para evitar o escândalo ou a acusação falsa.

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27 de julho de 1907 – “Chicago May”, uma especialista no Jogo do Texugo. Condenada em Londres por atirar em “Eddie” Guerrin.

Outra variação do Jogo do Texugo, relatada na revista Time em 1930 e ainda florescente, é aquela que, como diz a Wikipédia, “envolve acusação de má conduta profissional. Em um exemplo dessa forma de golpe, uma mulher ‘doente’ visitaria um médico, descrevendo sintomas que a obrigariam a despir-se para um exame, exigiam que o médico examinasse seus órgãos genitais ou algum tipo de exame semelhante. Durante o ‘exame’, um ‘marido ou pai ultrajado’ entraria na sala e acusaria o médico de conduta desviante. A mulher ‘doente’, que é, naturalmente, parte do golpe, toma o lado de seu cúmplice e ameaça o médico com acusações criminais ou processo”.

Assim que a indústria do Golpe do Coração Partido foi barrada por uma proibição legislativa em 1935, velhas práticas de golpe surgiram para atrair mulheres perversas. Falsas acusações de assédio aumentaram, de modo que pequenas extorsões de homens por mulheres “ofendidas” na cidade de Nova York ficaram “tão difundidas que, de acordo com um dos ‘detetives confidenciais’ de Manhattan, qualquer homem que visite Nova York, não importa o quão discreto seja, é apenas sortudo se não for pego”.

O detetive Edward Z. Holmes explicou como mulheres perversas, limitadas pelas novas leis do Coração Partido, encontraram soluções empreendedoras para seu dilema:

“As moças costumavam ter de fazer nada além de levar um homem a escrever-lhes uma carta”, disse Holmes, “então elas o tinham. Hoje em dia, elas não podem chegar a lugar nenhum dessa forma, então elas têm trabalhado em armar pequenas armadilhas para colocar um homem em uma situação tão embaraçosa que ele prefere desembolsar uma nota de dez ou vinte dólares a chamar a polícia. Por exemplo, um dos golpes favoritos das moças é ficar em um canto e acenar para um homem dirigindo um carro fora da cidade. Ela está bem vestida e diz que está com pressa, pedindo ao homem que lhe dê uma carona por um par de quadras. No minuto em que o carro para em um sinal de trânsito, ele simplesmente descobre que, se não lhe der 10 dólares, ela quebrará a janela do carro e gritará! Funciona? Eu vou dizer que funciona!

Isso foi em 1935. Soa familiar para 2012?

O criminologista Otto Pollack observou que “o modus operandi feminino sugere que as mulheres têm inúmeras oportunidades de comportamento criminoso que não estão abertas aos homens” (The Criminality of Women, 1978, p. 38). E esse modus operandi feminino é infinitamente adaptável a novas circunstâncias. Como podemos ver a partir do estudo de assassinas em série, a sociopata feminina não opera em becos sem saída, mas ao ar livre, explorando comportamentos socialmente aceitáveis, como o noivado ou o casamento no caso do Golpe do Coração Partido e das viúvas negras, bem como o cuidado infantil e o cuidado da saúde. Ao contrário do típico assassino serial masculino, que parece precisar anunciar sua existência, deixando cadáveres claramente assassinados em seu rastro, a fêmea da espécie cobre suas trilhas com engenhosa inventividade, desfrutando de seu poder em privacidade fechada.

O termo “Jogo do Texugo” já é obsoleto há um bom tempo; contudo, o esquema continua nos dias de hoje de maneira atualizada, como nas calúnias envolvendo falsas acusações de assédio sexual ou estupro. Essas novas variantes não devem ser consideradas como algo recente e diretamente resultante de mudanças legais, mas simplesmente como adaptações de golpes de extorsão bem antigos que têm sido empregados por mulheres sociopatas nos últimos dois séculos. Esses golpes mais recentes não encontram sua origem no recente desenvolvimento do “progresso das mulheres”, como alguns argumentam, mas sim representam uma brecha atual disponível para o mesmo tipo de oportunista que, assim como sua contraparte masculina, tem existido desde tempos imemoriáveis.

O que é completamente novo, talvez, é que a tolerância cavalheiresca dos antigos (por parte dos juízes homens) em relação à criminalidade feminina foi agora substituída por novas oportunidades de exploração por políticas governamentais ideologicamente dirigidas que agem para criar uma licença de fato para a extorsão. E, com a advocacia financiada pelo dinheiro público no cenário, as chantagistas de hoje recebem apoio externo a tal ponto que se pode dizer que, atualmente, temos uma sanção legalizada ao “crime organizado”, da mesma forma que temos no setor bancário após a revogação do ato Glass-Steagall.

5) Golpes de guerra

As guerras proporcionaram outro golpe lucrativo para mulheres ardilosas. A Primeira Guerra Mundial deu origem àquilo que, em 1920, o juiz Thomas F. Graham chamou de “vampiras do casamento de guerra”. O juiz Graham apresentou o golpe do casamento da guerra a um correspondente de notícias:

A aproveitadora matrimonial é mil vezes mais perigosa que o especulador econômico, que pode ser mais facilmente alcançado pela lei. Desde que a guerra começou, o número de divórcios aumentou em 50% na Califórnia e eu tenho certeza de que o mesmo ocorre em toda a nação. Milhares de homens jovens, no calor da guerra, se casaram com mulheres, que vivem com eles talvez por dois ou três dias, e então elas vêm reclamar pensões. Conheço o caso de uma mulher que se casou com cinco soldados e, por muito tempo, juntou pensões de cada um. Muitas se casaram com soldados desejando que eles morressem na França, assim poderiam cobrar seguros. Agora que nossos soldados voltaram, muitos estão descobrindo que foram vitimados! Eles estão muito revoltados, desiludidos demais para lutar. Os tribunais devem fazer isso por eles.

Ironicamente, o juiz Graham havia ganhado reputação por sua rígida política pró-pensão, mas sua atitude de “cavaleiro branco” não poderia ser sustentada diante de casos ultrajantes envolvendo vítimas militares.

Para além da jurisdição do juiz Graham em San Francisco, essas “vampiras” também poderiam ser encontradas. O tenente Thomas J. Milton foi vítima de uma variante especialmente prejudicial de fraude. Quando retornou a Chicago de sua atividade em 1919 para reunir-se a sua mãe e seus dois filhos, um menino de 10 anos e uma menina de 6, que estavam vivendo com a avó desde que a mãe abandonara a eles e ao marido seis anos antes, ele soube que as crianças haviam sido levadas. Descobriu que, enquanto ele estava ausente, sua esposa tentou se apossar dos cheques de seus salários e, descobrindo que não tinha direito a nenhum pagamento, uma vez que não tinha a custódia das crianças, ela foi ao tribunal e ganhou a custódia e, desde que Milton voltou, recusou-se a deixá-lo ver as crianças.

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“3 de dezembro de 1921: Helen Drexler, garota de 22 anos, casou-se com 16 soldados; acumulou $500 mensais em pensões”

Durante a Segunda Guerra Mundial, as caçadoras de pensão receberam um novo apelido, “Allotment Annies”. Aquela que ficou conhecida como campeã das “Allotment Annies” foi Vivian Eggers. Eggers foi presa em 1942 por se casar sucessivamente com sete soldados. Dois de suas vítimas ficaram casados com ela por um único dia. Elvira Tayloe colecionou múltiplas pensões também. Ela se especializou em marinheiros. Como Elvira, Mimi Taylor também tinha uma queda por uniformes da marinha. Ela alcançou cinco pensões mensais por parte de marinheiros, mas, ao contrário de outras Annies, Mimi tinha um marido de verdade, que ela não se incomodou em deixar participar de seu negócio – e essa foi a sua queda.

Centenas de “Allotment Annies” foram condenadas por dar golpes em soldados durante e depois da Segunda Guerra Mundial. As condenações somaram 242 somente em 1946. Mais original que a maioria das Annies foi Gladys Goude. Ela se casou 15 vezes: 11 civis, todos trabalhadores de guerra, e mais quatro militares. Depois que o FBI foi avisado pelo marido número 15, Gladys foi enviada para a cadeia por dois anos e multada num valor de 2.000 dólares.

Em 1950, durante a mais recente mobilização de guerra, o FBI anunciou que o golpe das Annies estava de volta. A Guerra da Coreia, iniciada em junho, trazia 47 azaradas Annies para a atenção dos promotores federais.

6) O cavalheirismo judicial

No início do século XX, houve um grande clamor por extensão dos direitos das mulheres por parte de um grupo de pessoas que nunca é citado ao se falar de sufrágio feminino: juízes, promotores e xerifes. O motivo? As palavras do procurador de Chicago, John E. W. Wayman, falando em 1912, resumem:

Somente ao tornar as mulheres cidadãs e dar-lhes o direito ao voto elas poderão ser elegíveis para o exercício do júri. Espero ver o dia em que mulheres servirão em júris. Só então poderemos ver justiça contra mulheres criminosas e assassinas em nossos tribunais.

Há um grupo de cidadãos que discordou veementemente deste ponto de vista e fez uma oposição alta e clara. Entre aquelas que se opuseram à ideia de mulheres juradas, estavam: Lulu Blackwell, Elizabeth Buchanan, a Sra. Harriet Burnham, a Sra. Louise Lindloff, Margareth McCabe, a Sra. Antonio Musso e a Sra. Louise Vermilya. Todas essas mulheres, quando expressaram suas opiniões aos jornalistas em 1912, estavam aguardando julgamento pelo crime de assassinato.

Ao longo da primeira metade do século XX, Chicago era notória pela predileção de homens em todos os seus júris para absolver as assassinas mulheres, apesar do peso frequentemente esmagador das evidências. Articulistas de jornais de todo o país fizeram gracejos sobre a situação, mas havia também os artigos sérios expressando a consternação e o desgosto como que foi chamado de “Licença para matar” das mulheres de Chicago. Manchetes como “É o reino do terror? Maridos temem a morte – opinião de chicagoanos” (1913) e “Para as mulheres, matar é mais seguro do que roubar em Chicago” (1918) estiveram sobre repostagens a respeito de uma série de acusações frustradas de assassinatos cometidos por mulheres.

Esse “reino do terror” inspirou a advogada de Chicago Agnes McHugh a dizer aos repórteres que ela estava sendo considerada – por recomendação de uma associação de advogadas – ser nomeada procuradora especial para o último caso de homicídio de um marido. McHugh anunciou à imprensa que “um júri não condenará uma mulher assassina neste município se o promotor for um homem”, atribuindo a longa série de fracassos nas acusações de mulheres ao “cavalheirismo latente nos homens”, explicando que “os jurados veem dois ou três homens grandes e fortes sentados à mesa dos promotores e inconscientemente acham que esses ferozes promotores estão atacando a frágil e bela mulher na mesa dos réus”. A advogada considerou esse “cavalheirismo latente” como uma tentação para a mulher calculista: “Acredito que a indulgência dos júris às assassinas é a responsável pela onda de ‘crimes afetivos’ varrendo Chicago”, afirmando que “a mulher criminosa só receberá justiça quando houver uma mulher no tribunal para processá-la. Exigimos justiça para as mulheres – não simpatia sentimental ou clemência”.

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Mulher diz que apenas mulheres podem parar as mulheres que matam seus maridos: Com 20 mulheres de Chicago absolvidas por matarem maridos ou companheiros, advogadas pedem aos homens por “justiça em vez de simpatia”. 26 de setembro de 1916.

Quando o sufrágio feminino foi finalmente alcançado em 1920 com a ratificação da 19ª Emenda, o juiz de Chicago, Frank E. Johnston Jr., alegrou-se, anunciando que “quando as mulheres julgam os membros de seu próprio sexo, é uma certeza de que o sentimentalismo não mais causará a libertação das prisioneiras. Mulheres juradas votarão para condenar uma mulher culpada mais vezes, de forma que poderemos tornar Chicago segura para os maridos”.

O sufrágio logo trouxe mulheres para o judiciário. As primeiras mulheres juízas foram inflexíveis em expressar sua intenção de derrubar as injustiças do cavalheirismo dos júris exclusivamente masculinos. A juíza de Seattle, Rhea M. Whitehead, brincou em 1921: “um marido terá um julgamento justo e honesto no meu tribunal. Muitos homens são condenados por causa de histórias suplicantes de suas esposas!”.

No mesmo ano, a procuradora-geral adjunta de Oklahoma, a Sra. Katherine Van Leuven, foi enviada ao capitólio estadual para Ardmore para  auxiliar no julgamento de uma assassina do marido, Clara Smith Hamon.

Novamente em 1921, a juíza de Cleveland, Florence E. Allen, que logo seria a primeira mulher a sentar em um banco da Suprema Corte, explicou os males do que, em suas palavras, “não nasceu do cavalheirismo, mas os homens escolheram chamar de cavalheirismo algo totalmente diferente”. Em termos claros, ela anunciou que “é bem verdade que todos os homens – advogados, juízes, promotores, testemunhas e jurados – tendem a ser indulgentes com uma mulher sob acusação ou ligada ao caso de qualquer outra forma. A clemência não é deliberada, mas instintiva. Mulheres bonitas são muito inclinadas a fazer os homens perderem seu julgamento”.

Quando questionada, em 1922, por que os júris absolviam as mulheres, a juíza Allen explicou o que ela havia aprendido com sua experiência:

Os homens sempre se sentaram nos júris e, instintivamente, evitam responsabilizar totalmente mulheres por seus crimes. Agora que as mulheres se sentam em júris, espero que a porcentagem de condenações de mulheres seja maior. As mulheres são melhores que os homens em despertar simpatia. Eu tive uma mulher no meu tribunal, uma criminosa fria e calculista, que simulou um terrível desmaio após o júri condená-la culpada. Foram necessários quatro homens para levá-la para a prisão. Ela continuou tendo esses acessos durante tanto tempo que eu tive que adiar a pronúncia da sentença. Finalmente, eu tive de avisá-la de que, quanto mais tempo ela agisse assim, mais tempo ela ficaria na prisão. Dentro de alguns instantes, ela avisou que estava melhor e recebeu sua sentença mansamente, sem nenhum traço de sentimento.

Sem dúvida, neste período de misandria abertamente declarada ainda era relegada a extremistas ideológicos e alguns sociopatas criminosos, a introdução de cidadãs responsáveis do quadro do júri, bem como o número crescente de juízas e promotoras, ajudaram a conter a maré de homicídios impunes planejados por mulheres que, anteriormente, poderiam considerar seus riscos atrativamente baixos. E as cidadãs dos júris conseguiram colocar muitas dessas assassinas atrás das grades.

O problema do cavalheirismo veio à tona em 1922, quando a pena de morte para mulheres foi arduamente debatida na arena pública. A inspiração para a controvérsia era o caso da assassina Cora Lou Vinson, de Atlanta, Georgia. Cora Lou atirou no marido em sua drogaria por se atrever a ir contra os desejos da esposa, de quem estava afastado, de arquivar o divórcio.

Para cobrir a controvérsia nacional sobre o inesperado veredito de pena de morte que a Sra. Vinson recebeu dos famosos jurados cavalheiros de Georgia, a Associated Press enviou um jornalista para reunir opiniões de feministas e sufragistas proeminentes, assim como de uma advogada, uma policial, além de alguns juízes e xerifes, sobre a grande questão: a conveniência de executar uma mulher. Uma clara maioria dos entrevistados defendeu firmemente a ideia de uma pena de morte para as mulheres. As poucas exceções eram do Sul: dois homens, um xerife e o advogado, e uma mulher, a carcereira da cadeia que abrigava a mulher condenada. As feministas – que eram as que hoje chamaríamos de “feministas igualitárias”, não as “feministas de gênero” – estavam unidas em seu apelo à igualdade. A Sra. Vinson permaneceu despreocupada, dizendo: “Eu nunca serei enforcada. A sentença não me preocupa”. Como logo se veria, a assassina estava correta. No final, conseguiu uma sentença de vida negociada por um advogado.

No entanto, com o passar do tempo, cada vez mais mulheres se tornariam receptoras de sentenças de morte. Entretanto, muitas delas foram perdoadas pelos governadores. Por outro lado, muitas encontraram o caminho para a forca ou para a cadeira elétrica.

A situação na França da década de 1920 foi praticamente a mesma de Chicago antes de 1920. Uma mulher poderia matar seu marido e continuar impune. Os jurados homens eram cavalheirescos ao extremo. Tanto é que os franceses, em 1930, começaram a ter grande interesse em uma nova organização formada em Viena, o Bund de Sigurd Hoeberth. O incentivo para esse interesse? Em 1929, “47 esposas foram julgadas pelo assassinato de seus maridos – nenhuma pagando pelo seu crime”, de acordo com um artigo dos Estados Unidos.

O tema da pena de morte feminina ainda era controverso em 1937 quando Marian Mays Martin dedicou sua coluna Modern Woman ao tema, com a autora defendendo firmemente o lado da igualdade. Dessa vez, dezessete anos depois da conquista do sufrágio feminino, os juristas homens ainda eram vistos pela Sra. Martin como árbitros não confiáveis da justiça:

O destino de qualquer uma dessas criaturas estar nas mãos de um júri misto ou exclusivamente masculino deixa pouco espaço para especulação. Se seu destino estivesse nas mãos de um júri exclusivamente feminino, não haveria absolutamente nenhum. Não seria possível reunir doze mulheres que tivessem compaixão suficiente para lhes poupar a pena de morte. Mulheres criminosas não gostam de ser julgadas por outras mulheres.

Desde o início do século XX, o movimento pelos direitos das mulheres tem, para dizer o mínimo, mudado. As feministas do início do século XX – excluindo-se algumas misândricas marginais e supremacistas femininas – eram advogadas genuínas da igualdade que ou tinham uma visão ingênua da engenharia social ou procuravam sinceramente a justiça para ambos os lados.

7. Mulheres serial killers

É uma grande ironia que sejam os acadêmicos dos “estudos das mulheres” da década de 70 que tenham desafiado os estudos criminológicos anteriores por terem ignorado, na maior parte das vezes, mulheres criminosas. Na teoria ortodoxa atual, esse descuido se deve, de acordo com os especialistas em “gênero” – sim, você adivinhou – a uma tendência nos criminólogos do sexo masculino a subjugar as mulheres, encobrindo a vitimização das mesmas pelo estupro e violência doméstica.

Atualmente, acredita-se que mulheres assassinas em série são raras. Observadores mais ponderados, no entanto, observam que o modus operandi da grande maioria dessas criminosas, supostamente raras, é radicalmente diferente do assassino em série do sexo masculino. As mulheres, com raras exceções, não deixam uma série de cadáveres obviamente assassinados. Quase todas as mortes de suas vítimas são consideradas “mortes naturais” ou são cuidadosamente escondidas. Ninguém procura um assassino em série a não ser que tenha uma série de vítimas óbvias de assassinato. Em resumo, as mulheres criminosas desta categoria são presas com menos frequência do que os homens e também são menos pegas em operação. De acordo com a psicóloga forense Katherine Ramsland, deve-se diretamente à crença pública no estereótipo do serial killer como homem, branco e solitário o fato de assassinos seriais que não se encaixam nesse perfil, como mulheres, não-brancos e pessoas sociáveis, terem tanta licença para agir.

A mais completa lista de mulheres serial killers, publicada por Peter Vronsky, nomeia 140 casos. No entanto, novas pesquisas, conduzidas pelo autor deste artigo, trouxeram um adicional de 256. Mulheres serial killers constituem um assunto que ainda não foi completamente pesquisado.

Peter Vronsky, autor do abrangente e maravilhosamente bem escrito livro de 2007, Female Serial Killers, How and Why Women Become Monsters (sem tradução para o português), é uma história da justiça criminal – e até onde você pode ir sendo feminista. Ele arranca as máscaras dos politicamente corretos que parecem infinitamente imaginativos em fazer malabarismos mentais para criar desculpas universais para as mulheres. Para além da análise fascinante de um bom número de psicopatas do sexo feminino, o livro vale a pena ser lido apenas pela profunda alfinetada dada na infame, hipócrita e misândrica Phyllis Chesler.

No início do século XX, a noção de que mulheres assassinas em série (embora esse termo específico ainda não fosse usado) fossem raras teria sido considerada absurda. No ano de 1925, por exemplo, houve várias acusações de assassinas em série em andamento, sendo os nomes e rostos das assassinas conhecidos por um vasto público.

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Três mulheres que admitiram envenenar 29 pessoas. 3 de maio de 1925.

A nova pesquisa oferece alguns dados frescos. A categoria “Viúvas Negras”, as mulheres que assassinaram dois ou mais maridos (em muitos casos, com vítimas não cônjuges além deles), agora tem oitenta integrantes, muitas nuca listados antes como sendo assassinas em série. Enquanto a lista dos que enviaram quatro ou mais maridos para os túmulos tem, no momento, dezessete.

Um grande número de prestadoras de cuidados infantis que não eram listadas anteriormente e que eram assassinas em série de crianças incluem nomes notáveis, como a adolescente alemã Ida Schnell, que foi presa em 1906 depois de matar bebês furando grampos de cabelo em seus crânios; a filantropa russa Madame Kusnezowa, que, em 1913, foi acusada de ter assassinado 1.012 crianças envenenadas; Elizabeth Ashmead (1900), que matou centenas, Helen Geisen-Volk (1920), imigrante alemã em Nova York e ex-enfermeira da Cruz Vermelha, assassina de cinquenta e três bebês e também torturadora de crianças; e Georgia Tann (anos 1930-1950), uma pervertida sexual e molestadora de crianças, traficante de bebês e sequestradora, que era reconhecida nacionalmente como educadora de bebês ao mesmo tempo em que atuava como perita em assassinatos, responsável pela morte de bebês cujo número pode chegar aos milhares.

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The Centaur, 2 de setembro de 1882, página 2: “Maridos envenenados por atacado. Horríveis revelações.”

Um grande número de associações de assassinas de maridos esquecidas veio à tona na nova pesquisa. Desde os anos 1880 até o final da década de 1930, os jornais de língua inglesa frequentemente traziam relatórios sobre esses assassinatos, ocorrendo principalmente na Europa Oriental, com manchetes como “Maridos envenenados por atacado” (1882); “Dez maridos envenenados” (1890); “Um novo negócio: envenenamento de maridos em escala industrial” (1891); “Assassinato de maridos” (1895); “Epidemia de envenenamento na Hungria: oitenta homens assassinados” (1901); “Mulheres formam clube para matar maridos” (1903); “Mulher mata 300 a pedido de esposas” (1909); “Extermínio de maridos” (1911); “Queriam ser viúvas e enforcaram seus maridos” (1933); “Fita de matar moscas foi usada para matar maridos” (1935); “Como esposas ganharam poder matando maridos em massa” (1937). Outro desses clubes de assassinatos de maridos, localizado em Belgrado, chegou a criar uma organização oficialmente registrada chamada Clube Lucretia. Em 1926, cinco das integrantes do clube foram presas e acusadas de serem as líderes.

Outro fato pouco conhecido é que algumas assassinas e série se especializaram em matar mulheres. A anteriormente não listada Leopoldina Kasparek, uma austríaca condenada em 1917, estrangulou quatro mulheres idosas e agrediu o pescoço de muitas outras. A russa Darya Saltykova torturou e assassinou 138 mulheres jovens até que sua perversa carreira terminou em 1801. A grega Miriam Soulakiotis torturou e assassinou 177 mulheres jovens antes de sua prisão em 1950. A mexicana Juana Barraza assassinou cerca de 49 mulheres idosas. Essas últimas três apareceram em muitas listas de serial killers, mas, por alguma razão, elas nunca apareceram em nenhuma discussão a respeito de “assassinos em série e gênero”. E há muitas, muitas outras sádicas assassinas em série de mulheres cujas histórias são conhecidas, mas não conhecidas o suficiente, ou que foram totalmente obscurecidas pelo tempo e pela falta de interesse dos estudiosos – até agora.

8) Violência doméstica contra mulheres

Em 1986, a revista Newsweek publicou um relatório sobre violência doméstica com a seguinte afirmação: “A política de negligência em relação à violência doméstica foi tolerada até que as feministas começaram a focalizar a questão do abuso de cônjuges há uma década e insistiram que os agressores de mulheres deveriam ser tratados como criminosos violentos. A polícia do país finalmente começou a levar a sério a violência doméstica.” (Attitudes change toward domestic violence, Newsweek, 3 de março de 1986, p. 58).

Tal alegação é uma mentira. Aqui estamos nós, duas décadas e meia depois, e a mesma farsa – a alegação de que a violência doméstica era tolerada pela sociedade e pelo direito antes das feministas de 1960 chegarem para salvar o mundo – ainda permanece. A verdade é que, nos Estados Unidos, a violência contra mulheres sempre foi levada a sério pela polícia e pelos tribunais e, mais importante ainda, pelas comunidades em que ocorreram tais crimes. Se houver qualquer exceção à intolerância da lei com relação à violência doméstica contra as mulheres no passado americano, isso provavelmente foi devido à burocratização federal devido à Guerra Contra as Drogas e o início da militarização e da burocratização pesada da polícia local, combinada, talvez, com a permissividade geral da contracultura dos anos 60.

No entanto, ninguém, antes da década de 60, teria acreditado na alegação falsa que é corrente nos dias de hoje. Durante muito mais de um século antes da década de 60, os jornais relatavam regularmente detenções de agressores de mulheres e, até meados do século XX, relatavam as várias punições do crime: encarceramento coletivo, sentenças de prisão, humilhação pública, flagelação e outras formas de punição corporal, ilustrando os destinos dos malfeitores com ilustrações ou fotos dramáticas.

Atualmente, a mentira de que a violência doméstica contra as mulheres ficava impune pelo sistema legal do passado é, muitas vezes, apresentada de maneira elaborada, adicionando-se a afirmação fraudulenta de que a sociedade em geral considerava a violência doméstica tolerável e, portanto, a negligência da lei e dos tribunais para com essa violência (negligência que não existia) era apenas reflexo da suposta aceitação generalizada de toda a população.

O fato é que, antes dos anos 60, não só a agressão a mulheres não era aceitável pela população em geral, mas a resposta pública a esse crime era, frequentemente, extremamente dura e os cidadãos não se incomodavam em não esperar que a lei e a polícia resolvessem a questão. Eles poderiam lidar com as coisas por sua própria conta. Relatos de jornais antigos mostram agressores de mulheres sendo submetidos a espancamento, banimento da comunidade, ser coberto com alcatrão e plumas e, em alguns casos reincidentes, até mesmo a linchamento.

Alguns exemplos:

Em 27 de janeiro de 1853, o The Jeffersonian Republican, jornal de Stroudsberg, Pensilvânia, relatou a morte de um agressor da esposa em Nova York, Joseph Hines, que fora linchado por três homens que, passando pela casa do agressor e ouvindo as crianças chorarem, apoderaram-se dele e lhe deram uma terrível surra, tão grande que ele morreu dois dias depois. O escritor resumiu assim a opinião predominante da época a respeito da violência doméstica contra mulheres: “É uma pena que todo vil malandro que bate em sua esposa não possa ser tratado dessa maneira”.

Em 1885, em Pittsburg, um grupo de senhores formou uma sociedade para arrecadar fundos para a acusação de agressores de mulheres.

Em 23 de março de 1914, na pequena cidade de Malvern, Iowa, “uma delegação de cidadãos, composta por um ministro, membros da igreja e homens de negócios” fez uma visita a um recorrente agressor de sua mulher para exigir que ele saísse da cidade se ele se preocupasse com sua saúde. Ele tomou o conselho e fugiu.

A questão da violência doméstica contra a mulher foi um dos principais tópicos de discussão entre meados de 1880 e o início do século XX, como atesta o grande número de artigos de jornais relatando o acalorado debate público sobre o problema e sua solução. Desde o início, o emprego da chicotada em poste foi central no debate. Ilustrações que datam de 1885, que mostram a flagelação de agressores de mulheres fornecem evidência dramática da seriedade da discussão. O principal defensor do uso chicote foi Theodore Roosevelt, que promovia seu uso desde 1899, quando era governador de Nova York, e continuou a fazê-lo depois de se tornar presidente.

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4 de junho de 1886 – Flagelação de agressores de mulheres: o pelourinho e o poste de chicotadas em Newcastle, Delaware.

Um livro de 2006, Rethinking Domestic Violence, de Donald G. Dutton, discute o debate acalorado sobre o uso do chicote como punição para agressores de mulheres, mas sua afirmação de que “foi apoiado por líderes sufragistas” é enganosa. Tais líderes aceitaram a proposta do presidente Roosevelt, mas, quando votaram na convenção da National Americal Suffragist Association de 1905, ela foi rejeitada. Da mesma forma, em 1911 e em 1913, grupos de direitos das mulheres do Distrito de Columbia e da Califórnia, respectivamente, condenaram publicamente a punição.

As penas de punição corporal para condenados por violência doméstica acabaram se tornando obsoletas. Maryland foi o último estado a mantê-las. Em 1938, a flagelação de Clyde Mille em Baltimore foi exibida em fotografias por todo o mundo, mas, nesse período, tal evento era raro. Um dos últimos casos de flagelação de um agressor de mulheres foi o de Lloyd Busching em 1945, novamente em Maryland, que forneceu inspiração para uma revista em quadrinhos contra a violência doméstica.

9) Sequestro de crianças

Em 1997, um livro sobre o sequestro de crianças nos Estados Unidos foi publicado pela professora da Universidade da Califórnia, Paula S. Fass, considerada a autoridade nacional sobre a história da infância. O livro é inteligentemente construído de modo a esconder o fato de que ele é, na realidade, uma propaganda tendenciosa projetada para criar uma narrativa histórica que servirá de base para os protocolos coletivistas de cuidado de crianças criados pelas Nações Unidas (sob a UNESCO). A tese subjacente do livro é que os pais são muito protetores de seus filhos e eles devem ser persuadidos a mudar suas atitudes antiprogressistas e retrógradas, permitindo que a “sociedade” tenha mais e mais autoridade sobre seus filhos. A professora Fass, para “provar” o erro dos costumes protetores dos pais, vai criando uma falsa narrativa através da apresentação de exemplos cuidadosamente selecionados, mas não representativos, e da omissão de fatos politicamente incorretos.

Filme En Hjemlos Gugl (“Um pássaro sem-teto”) – Noruega, 1911. Um dos primeiros das dezenas de filmes produzidos antes de 1940 a tratar do assunto do sequestro de crianças por um dos pais (sequestro parental).

Algumas das falsificações e omissões incluem:

  • Levar o leitor a acreditar que as crianças não eram sequestradas por ciganos quando, na verdade, elas eram com frequência, fato não aceito pela doutrina politicamente correta;
  • Reivindicar que os pais não tinham nenhuma boa razão para se preocupar com o sequestro de crianças antes de 1874, quando um famoso caso foi amplamente divulgado, fazendo com que o público, de acordo com Fass, tenha se tornado exageradamente protetor;
  • Não incluir as gangues de sequestro de crianças operando já em 1839;
  • Não incluir o fato politicamente incorreto de que o primeiro e amplamente divulgado caso de sequestro de crianças ocorreu em 1819 e foi cometido por uma sequestradora, além de ofuscar a questão das mulheres sequestradoras em geral e omitir notáveis casos de sequestradoras na primeira década do século XIX;
  • Reivindicar, apesar da evidência esmagadora e facilmente acessível em contrário, que o sequestro realizado por um dos pais não era visto como um grave problema social no início do século XX, um engano que ela usa como tática para reforçar sua falsa tese de histeria criada pela mídia.
  • A minimização radical da participação de mulheres em tais atividades criminosas, mencionando poucos casos de sequestradoras do sexo feminino e fazendo generalizações enganosas para assegurar que a mulher sequestradora pareça marginal e limitada a um número limitado de tipos: rainhas antipáticas e loucas varridas.

Na publicação de 1997, o livro recebeu inúmeras revisões acadêmicas e nenhuma delas questionou qualquer suposto “fato”, nem mesmo o mais improvável deles, incluído no volume. Pode-se razoavelmente dizer que a falsa história de Fass é, atualmente, aceita como factual e ninguém na academia está inclinado a desafiar seu status canônico publicando fatos que a contradigam. Assim, as declarações do livro são, atualmente, tratadas como fatos pelos leitores a quem se destinava: os formuladores de políticas burocráticas e os acadêmicos formadores da opinião daqueles que devem implementar tais políticas.

Nove anos depois da publicação do livro, em 2006, Fass participou de uma conferência na New School for Social Research em Nova York, uma instituição criada expressamente com o objetivo de promover a engenharia social, intitulada “Parentalidade – por que temos medo de abandoná-la?”. A conferência teve como objetivo de ajudar os criadores de políticas assistenciais a encontrar maneiras de convencer criativamente o público a aceitar a crescente interferência governamental em seus direitos parentais.

10) Alienação parental

Uma das piores fraudes jamais perpetradas por profissionais misândricos é em torno do fenômeno a que, hoje, chamamos de “alienação parental”. A alegação é de que se trata de um fenômeno recentemente identificado (e inexistente), cujo termo e sua definição destinam-se, principalmente, a incriminar as mães e que o principal objetivo daqueles que promovem sua consciência é ganhar liberdade para se entregarem a perversões sexuais com seus próprios filhos ou ter acesso a suas ex-mulheres para cometer abusos contra elas.

A verdade é que a alienação parental, constantemente chamada no passado de “envenenar a mente da criança” ou “alienar os afetos da criança”, tem sido comum em casos de divórcio desde o início do século XIX. Os registros históricos revelam que pais foram alienadores, sendo acusados desse comportamento por suas esposas e, além disso, que mulheres foram acusadas de ser alienadoras por familiares do mesmo sexo. Dois casos bem documentados de Londres no início do século XIX, Westmeath contra Westmeath (1820) e Ball contra Ball (1827) envolvem acusações de alienação parental. No primeiro, o pai foi acusado; no último, houve acusações cruzadas de alienação. A descrição mais eloquente de alienação parental já publicada é o livro de 1980, Somewhere Child, de Bonnie Lee Black. É um relato doloroso e brilhantemente escrito de um pai alienador – e sequestrador – e o estrago que ele causou.

Em 1939, a colunista de opinião mais lida em língua inglesa, Dorothy Dix, discutiu a tendência generalizada de muitas mães para deixar seus maridos e, em seguida, destruir as relações de seus filhos com o pai. Dix descreveu algumas das táticas de alienação e as condenou como criminosas:

Dentre todos os crimes, não há nenhum mais sombrio ou mais cruel do que separar um pai de seus filhos e, ainda assim, muitas mulheres o fazem diariamente sem nenhuma dor ou culpa porque elas acreditam ter o monopólio sobre seus filhos. Elas sequer são justas sobre isso pois elas sabem que o pai não pode lutar por suas crianças por não ter uma casa para mantê-los, ninguém para cuidar delas.

Esse tipo de “monopólio” é vivamente representado em dois casos dos primeiros anos da década de 1950, os quais revelam as dinâmicas da alienação parental perpetradas por uma mulher contra uma mãe e sua filha: os casos de Star Schneider (10 anos) e Marlene Matchan (9 anos). Em ambos os casos, o tribunal identificou a alienação e decidiu dar a guarda à mãe como estratégia para acabar com o envenenamento da mente da criança pela avó. Fotos de ambos os casos foram publicadas em jornais e nos dão um vislumbre inquietante da miséria das crianças vitimadas.

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29 de agosto de 1952 – “’Vai embora’, chora criança, rejeitando a mãe – ‘Vai embora’, chora Marlene Matchan, 9, enquanto bate na mão estendida de sua mãe, Louise McBride. O acesso de choro aconteceu no tribunal de Los Angeles após a disputa pela guarda entre a avó de Marlene, Florence Zautner (à esquerda) e a mãe da menina. A guarda foi dada à mãe após o juiz acusar a Sra. Zautner de ‘envenenar brutalmente a mente de sua neta contra a mãe’. Ralph McBride, o padrasto de Merlene, está à direita”.

No caso Schneider, a mãe alienada, Ethel Martin (anteriormente Schneider) revelou que ela própria tinha sido uma criança alienada de seu pai pelas artimanhas de sua mãe, avó da agora alienada, a pequena Star. “Depois que meu pai e minha mãe se divorciaram”, testemunhou a Sra. Martin, “minha mãe me jogou contra meu pai. Eu odiava meu pai quando era menina”.

Em resumo, o registro histórico mostra que o “envenenamento mental”, ou “alienação parental”, relacionado a casos de guarda de crianças não é específico de um sexo nem é um conceito inventado nos anos 80 por aqueles que cunharam o termo moderno.

11) O pai desengajado

O livro do historiador Robert L. Griswold, Fatherhood in America: A History, foi publicado em 1993. É uma obra miserável e politicamente correta; uma narrativa aleijada pelas falácias construcionistas sociais. O autor havia se distinguido, anteriormente, pela teoria idiota de que, pelo fato de alguns dos primeiros arquivos de divórcio em cortes americanas, datados do século XVII, não conterem documentos se referindo à guarda dos filhos, pode-se concluir que os pais daquele tempo não se preocupavam com seus filhos. Seguindo servilmente os dogmas do construcionismo social, a Fatherhood de Griswold ridiculamente declara, como sendo um fato comprovado, que “o gênero é construído histórica e socialmente”. Ele apresenta um quadro no qual os pais – como todos os outros seres humanos, de acordo com a teoria construcionista – não possuem nenhum caráter essencial ou ação individual, mas são apenas um grupo de fantoches reagindo, todos da mesma maneira, às condições históricas – e, com a ajuda crescente de estudiosos, marchando ao longo da inevitável linha contínua da história em direção ao “progresso” social.

Ao discutir se os pais do século XIX tiveram interesse significativo em seus filhos, Griswold cita algumas cartas encontradas em um arquivo, apontando duas cartas enviadas por mais, o Sr. Kendall e o Sr. Laflin, mostrando que ambos eram pais intimamente engajados. Mas Griswold achou necessário filtrar as evidências em seu filtro construcionista para que elas se encaixem à sua narrativa pré-fabricada.

Homens como Kendall e Laflin não estavam sozinhos. Eles representavam um tipo de paternidade congruente com atitudes longamente desenvolvidas sobre as crianças e em consonância com a moral doméstica que dizia que os homens deveriam comprometer energia emocional para com suas esposas e filhos. Mas tais laços emocionais eram difíceis de se estabelecer e, provavelmente, incomuns (página 15).

A respeito da relação pai-filha, ele faz uma afirmação construcionista, sem se preocupar em apresentar qualquer suporte ou evidência, dizendo que “a frequente ausência do pai do ambiente doméstico, ao lado da imersão da filha em um mundo feminino, impediu relações profundas entre pai e filha” (p. 17).

Infelizmente, devido ao fato de grande parte do público ter abraçado, por décadas, esse tipo de filosofia – sustentando que não existe nenhum caráter humano essencial, nenhuma ação pessoal e que a sociedade “evolui” em vez de meramente se transformar – muitos têm caído na premissa de que os laços entre pais e filhos são uma “construção social” em vez de uma parte essencial da psique humana natural.

12) Fixação misândrica

O que é fixação misândrica? É a obsessão pela erradicação da masculinidade.

Ao contrário do que hoje se poderia supor, a fixação misândrica não é necessariamente o resultado de uma doutrinação ideológica. Casos históricos revelam que ela pode existir sem que o sujeito tenha sido influenciado por ideologias marxistas ou eugenistas. A doutrinação pode, obviamente, exacerbar certas tendências preexistentes no sujeito, mas ela não é um pré-requisito necessário para a fixação. Vários casos até agora completamente ignorados pelos historiadores, que datam do final do século XIX até meados do século XX, oferecem uma visão da mentalidade de mulheres sujeitas a uma fixação misândrica.

Maria Irrgang, que morreu em 1901, foi líder de uma organização austríaca misândrica chamada Jungfrau Verein (Associação das Virgens). Irrgang chamou a si mesma de “campeã mundial de ódio aos homens”. Ela não apenas detestava os homens, mas também todos os seres do sexo masculino, independentemente da espécie. Quando Irrgang morreu, em 1901, suas seguidoras tentaram assiduamente obedecer aos ditames para seu funeral deixados em uma carta. Os homens, obviamente, estavam proibidos de comparecer. Mas o grupo de ódio aos homens descobriu, para seu desânimo, que não poderiam encontrar uma mulher com força suficiente para levar a bandeira de seu clube na procissão, então elas contrataram, relutantemente, o serviço de um membro do sexo detestado para que seu símbolo de ódio pudesse flamular orgulhosamente.

Este ódio a todos os seres vivos masculinos foi compartilhado pela misândrica americana Sarah Hunt, nascida por volta de 1834. Depois de fugir de seu marido e filhos (mas não de sua filha) em 1889, Hunt descobriu como tocar sua fazenda sem a presença de um único animal do sexo masculino.

Inveterada odiadora de homens, Harriet Evans, nascida por volta de 1841, passou a maior parte de sua vida sob o reinado da Rainha Victoria. Ela permanecia dentro de casa, com as cortinas fechadas, para evitar o exterior infestado de homens. Mas, uma vez que o filho de Victoria, o Rei Eduardo VII, herdou o trono, a Srta. Evans teve de fazer arranjos especiais com o serviço postal – para evitar entrar em contato com selos com a imagem de um homem. Quando aconteceu de manusear cédulas que carregavam a imagem do monarca, ela as jogou rapidamente no fogo.

1878 viu o início da carreira vingativa da obsessiva Sarah Hyslop que, tendo sido abandonada por seu noivo, dedicou sua vida a uma campanha militante de abandono de noivos no altar a fim de se vingar de todo o sexo. Ela alcançara 53 vítimas quando morreu, em 1939.

A americana Louisa Strittmater, que morreu em 1944, chamava os homens de “inimigos inveterados das mulheres”. Foi revelado em seu testamento que ela acreditava que “os homens algum dia involuiriam para os macacos”. Ela “ansiava pelo dia em que a ciência permitiria que as mulheres tivessem filhos sem a ajuda dos homens”. Uma vez que a mulher adquirisse esse poder, ela desejava que “todas as crianças do sexo masculino fossem mortas ao nascer”. Ela deixou seu dinheiro para o Partido Nacional das Mulheres pelo Avanço do Feminismo.

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Hungria, 1933 – O Método de Rieger: Viktoria Rieger distanciou-se dos métodos convencionais das assassinas de maridos da Europa Oriental, que quase sempre envolviam veneno.

Viktoria Rieger, conhecida no vale do Tisza, na Hungria, pelo apelido de Pedro Fumador – que recebeu porque ela, que todos pensavam ser ele, “nunca fora vista sem um cachimbo na boca” – foi uma das dezenas de mulheres que assassinavam maridos de outras mulheres como “serviço” para elas. Ao contrário da maioria das assassinas em série da Hungria, ela não era uma oportunista gananciosa, pois nem sempre lucrou com os assassinatos cometidos. Seu método era incomum. Em vez de fornecer veneno para a esposa que desejava se livrar do marido, como a maioria de suas irmãs no crime, ela própria fazia o trabalho sujo. A esposa atraía a vítima para um celeiro onde Viktoria iria golpea-lo sobre a cabeça e, em seguida, enforcar o marido inconsciente empregando um laço preparado com antecedência. Em 1933, após uma longa série de “suicídios”, a assassina foi finalmente exposta e presa. Mas, quando apreendida pela polícia, “Pedro Fumador” foi confundida com um homem. A equipe da prisão finalmente descobriu a verdade e os médicos, mais tarde, determinaram que ela sofria de um desequilíbrio hormonal causado por uma desordem glandular. Viktoria Rieger tinha um grande ódio por homens. Os investigadores acreditavam que Viktoria, que escapara de um casamento infeliz 22 anos antes, tinha uma “ideia fixa de que todas as esposas eram abusadas e, portanto, dar o troco seria uma nobre cruzada em que ela poderia libertar o máximo de mulheres da desgraça de ter um marido”.

Assim, vemos que a infame Valerie Solanas, que foi capaz de publicar seus sonhos eugenistas de uma solução misândrica para o mundo, não era tão incomum como poderia parecer. A fixação misândrica, ao que parece, merece atenção.

13) As origens da palavra “misandria”

Atualmente circulando como “meme” na internet, há uma afirmação falsa sobre a origem da palavra “misandria”, sustentando que a palavra é de origem recente e que foi inventada por ativistas dos direitos dos homens depois dos anos 1960. Uma blogueira misândrica tem inclusive relinchado: “Misandria não existe. É uma palavra de origem moderna. Então parem de usar isso!”. O fato de nenhum dos dicionários da internet oferecerem datas precisas de sua origem só encoraja a proliferação da falsidade. Tanto o Oxford e o Miriam-Webster apontam seu uso mais antigo por volta de 1940.

O fato é que as palavras “misandry”, “misandrist”, misândric” e “misandrous” apareceram no idioma inglês no século XIX e não foram empregadas apenas por homens. A palavra alemã com o mesmo significado, “misandrie”, apareceu em 1803 (note que o alemão tem uma palavra diferente, menschenhassen, para o que nós denominamos “misantropia”). A nova pesquisa que oferece essas informações já foi disponibilizada on-line, mas podemos esperar que desinformações continuem a vazar daqueles que se dedicam a fiscalizar o “crime de pensamento” que é discutir a misandria.

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18 de setembro de 1951. Palavra do dia, por Bach. MISANDRIA (mi.san.dri.a), substantivo. Antipatia ou desprezo por homens, partindo de uma mulher. – “Ela jurou que nunca teria de olhar para nenhum homem!”.

 

Palavras finais

Uma frase de um tópico recente de bate-papo surgiu, no qual o escritor fez um esforço sincero para defender a ideia de que existe misandria: “Os homens não foram submetidos à violência e à opressão das mulheres, esse não é o debate”. Essa afirmação, infelizmente desinformada, representa precisamente o tipo de dilema, devida à falta de informação sobre o passado, que inspirou a composição do presente artigo. A realidade é que não podemos esperar ter sucesso em contrariar premissas falsas com relação ao presente enquanto aceitarmos premissas falsas sobre o passado.

É fato que os sistemas totalitários, sem exceção, empregam a falsa história como uma grande arma estratégica que, quando implantada, consegue semear confusão e fraqueza, minando a clareza de entendimento que é pré-requisito para que a população se organize para lutar de forma eficiente.

Nosso mundo cheio de burocracia, claro, contém muitos marxistas e controladores governamentais bem pagos para garantir que cada fato histórico revelado neste artigo seja, em curto prazo, completamente submetido ao tratamento de uma “teoria crítica” que, ignorando fatos e substituindo discursos, explique cada um desses acontecimentos como mais um exemplo de “opressão” de quem vive na “sociedade patriarcal”. Consequentemente, cabe aos sãos entre nós certificar-se de que os fatos contidos neste artigo sejam vistos pelo público e, mais importante, seja visto por meninos e meninas que estão, neste momento, sendo conduzidos por engenheiros sociais presunçosos para dentro das presas vorazes daquela monstruosa e consumidora matrix politicamente correta que nós chamamos, eufemisticamente, de “cultura contemporânea”.

Um país sem memória é um país de loucos. – George Santayana

 

Originalmente publicado no A Voice for Men em 20 de fevereiro de 2012. 
Tradulção: Aurélio Jaguaribe.
Também disponível em espanhol e farsi.

3 thoughts on “Esclarecendo a história dos Movimentos dos Direitos dos Homens – Parte 2”

  1. Muito boa a pesquisa, só que esse histórico não é de um movimento de direitos dos homens, é de uma auditoria interna do universo feminino. Aqui, essas mulheres defendem maridos, irmãos, pais, nunca homens. Quando muito, elas criam um bloqueio de emergência contra vadias vigaristas. Mesmo hoje, é muito difícil ver um equivalente feminino do homem feminista. Desculpe, o meu próprio trabalho antifeminista na internet desde 2006 não me deixa me impressionar fácil.

    1. Acredito que o ‘formato’ do ativismo pelos direitos dos homens e meninos é muito diferente do movimento feminista.
      O movimento feminista é inerentemente misândrico e depende de uma narrativa de guerra entre os gêneros, ainda que venha com disfarce de igualdade, equidade ou a porra que seja. Como dizia um amigo meu, merda continua sendo merda ainda que você a cubra com lona e perfume.
      Neste sentido, um “feministo” não desfruta de ‘completa cidadania’ dentro do feminismo, ele é tratado como um corpo estranho, sendo no máximo tolerado, constantemente aprisionado na sua “eterna desconstrução dos privilégios concedidos pelo patriarcado” e frequentemente expulso.
      Escravos são melhor considerados que um feministo. Cães de rua são melhor considerados que um feministo.

      Por outro lado, não vejo o mesmo no ADHM. Há vezes em que é ressaltada alguma coisa de “guerra dos sexos”, mas de forma mais factual e nem sempre pondo a culpa no “sistema matriarcal/mulheriarcal”. Coisas como disparidades sociais – situação da população prisional e da população de rua e questões parentais, só para dar exemplos.
      E as soluções propostas para tais problemas não costumam passar pela ideia de remoção arbitrária de direitos das mulheres ou concessão de privilégios a homens em-razão-de-serem-homens.
      Por exemplo, ninguém sugeriria eliminar completamente o direito da mãe à guarda em uma disputa pelos filhos, mas apenas o reconhecimento de que o direito seja igualmente exercido pelo pai.

      Neste sentido, o papel de uma mulher pró-DHM é muito diferente de um feministo. Uma pró-DHM é uma aliada, alguém que detém a mesma posição de respeito. Ela não é maltratada, como se fosse menos que gente. É alguém que desfruta da mesma cidadania dentro do movimento.

      1. Muito bem colocado, parceiro. Mas você entendeu que a guerra dos sexos não existe no ativismo de direitos humanos dos homens exatamente porque o patriarcado é uma farsa? E existe no feminismo porque o ginocentrismo é real? Uma mulher, mesmo sendo feminista, pode entender isso quando o mundo real ou o movimento feminista não deixa escolha.

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