Como o feminismo conseguiu estragar os laços familiares

O primeiro abrigo no mundo dedicado ao cuidado e reabilitação de famílias com tendência à violência foi aberto em Chiswick, Londres, em 1971. Nos primeiros meses, uma pequena casa que nós batizamos de Chiswick Women’s Aid (Amparo a Mulheres de Chiswick) foi aberta como um centro comunitário para servir como lugar de encontro para mulheres da comunidade e seus filhos para que nós pudéssemos todos partilhar nossos talentos e trabalho dentro da nossa comunidade.

Eu tinha sido expulsa do recente e emergente Women’s Liberation Movement (Movimento pela Liberação das Mulheres, como o feminismo era chamado) porque, desde o começo, eu o denunciei como fraudulento por enganar mulheres desesperadas por todo o país a doar três libras e dez shillings (uma quantidade de dinheiro razoável naqueles dias) para se juntar a um movimento que prometia dedicar-se a melhorias para mulheres no mundo todo.

Minha briga com o movimento era que, desde o começo, um núcleo de mulheres marxistas de meia-idade – muitas delas profundamente entranhadas no sistema educacional, universidades, serviço público e mídia – estavam mentindo para as mulheres por toda parte. Elas não estavam preocupadas com o dia-a-dia das mulheres em casa com seus filhos. Sua principal ambição era reeducar mulheres para acreditarem que a família era um lugar perigoso para elas e que neste novo amanhecer, a família seria definida como mulheres com crianças e o papel dos homens como protetores e provedores seria dispensado. A armadilha era dizer que o feminismo buscava a igualdade com os homens, e muitas mulheres e alguns deles caíram nessa.

Meu pai, mãe e irmão foram capturados pelos comunistas em Tien Sien em 1948 e mantidos sob prisão domiciliar por três anos. Eu estava ciente do movimento comunista, que estava agora varrendo o mundo ocidental, financiado largamente com dinheiro russo e lavagem cerebral ideológica maoísta. Nos anos sessenta, intelectuais de esquerda estavam com todo vigor defendendo as atrocidades perpetradas por Mao na China e Stalin na Rússia. Nos grandes coletivos, nós fomos avisados que nós devemos nos formar em grupos através do país, nos encontrarmos uns nas casas dos outros e ‘elevarmos nossas consicências’. Cada grupo foi visitado por um ‘camarada’ que nos dizia que a raiz do nosso sofrimento era o fato de que nós éramos ‘oprimidas’ por nossos cônjuges e à medida que nós continuássemos a trabalhar e entender nossa opressão, nós iríamos como um grupo nos livrarmos do que nos acorrentava, dos pais dos nossos filhos e nos ‘libertarmos’.

Em 1971, os Democratas, a mídia, as universidades e um bando de jornalistas de esquerda estavam todos pulando para o outro lado para lutar na vindoura revolução contra o capitalismo. O que os homens não tinham entendido era que suas cônjuges não estavam mais lutando lado a lado com seus irmãos, e sim rapidamente modificando suas metas. O capitalismo para as feministas não era mais o inimigo, e sim o ‘patriarcado’.

Seu grito de guerra era que homens tinham desde o tempos remotos violentado e oprimido mulheres, e este novo movimento emergente libertaria todas as mulheres do casamento e da servidão. No lugar, a revolução das mulheres entregaria uma vida livre da dominação e servidão masculina. O movimento feminista iria assegurar berçários vinte e quatro horas e mulheres, que agora poderiam requerer um ‘divórcio sem culpa’, poderiam esperar ansiosamente para ficar na casa matrimonial financiada por seus cônjuges. Mulheres poderiam finalmente trabalhar fora competindo com os homens.

Enquanto nosso pequeno abrigo em Belmont Terrace continuou a receber mulheres e crianças desesperadas, ele começou a chamar atenção dos jornais locais. Minha principal preocupação era que a informação na mídia das artimanhas do movimento feminista estavam desaparecendo. Estava também ciente de que quando as pessoas passaram a saber sobre nossa luta para manter o abrigo aberto, estávamos recebendo dinheiro quase diariamente pelo correio. Nossa segurança residia no total apoio que nós tínhamos pelo país, e o Hounslow (Prefeitura de Hounslow) foi forçado a desistir de tentar nos fechar.

Eu estava ciente de que, das primeiras cem mulheres que vieram ao abrigo, 62 delas eram mais violentas do que os homens que elas largaram. Eu conhecia as histórias inteiras das famílias que vinham aos meus cuidados. Também vi alguns dos homens que queriam minha ajuda e tentei abrir um abrigo para homens porque reconhecia que as raízes da violência doméstica residiam em uma violência familiar intergeracional. Meu interesse era criar uma comunidade terapêutica para ajudar minhas mulheres propensas à violência e seus filhos que precisavam de tempo para aprender diferentes estratégias de sobrevivência que não fosse violência. Mulheres que fossem vítimas inocentes da violência de seus cônjuges não precisavam de terapia, mas precisavam de um lugar seguro para ficar com seus filhos até que elas pudessem seguir em frente na comunidade.

Em 1974, nós decidimos fazer um pequeno congresso em nossa igreja para convidar grupos emergentes que estavam tentando criar abrigos em suas próprias áreas. Nós não sabíamos que feministas radicais estavam agora criando abrigos assim que perceberam que seus financiamentos estavam definhando enquanto mulheres normais deixavam o movimento em desgosto. Não só elas seriam financiadas como elas poderiam usar os abrigos nos EUA para fazer lavagem cerebral em mulheres para acreditarem que ‘todas as mulheres eram vítimas da violência masculina’. Em nossa patética pequeno congresso no salão da igreja, muitas mulheres começaram a entrar e nós ficamos estupefatos. Ficou muito óbvio que havia acontecido inúmeras reuniões antes desses grupos de mulheres juntarem-se conosco.

Em 1974, vinte e sete grupos até mesmo de Dublin e o norte da Escócia se reuniram em um congresso nacional organizado pela Chiswick Women’s Aid………

“Ela (Pizzey) via o espancamento de esposas essencialmente como um problema psicológico e alegava que certos tipos de mulheres eram ‘propensas à violência’ e provocavam a agressão. Para as feministas, isso era uma bobagem perigosa: elas viam violência doméstica como uma expressão do poder que homens exerciam sobre as mulheres, em uma sociedade onde a dependência do sexo feminino foi construída na estrutura da vida cotidiana. De sua própria extensa experiência de trabalho em abrigos, elas concluíram que o espancamento de esposas não era a prática de uns poucos desviados, mas algo que podia emergir no curso ‘normal’ das relações conjugais.’ [Trecho de Sweet Freedom, publicado por Blackwell em 1987 ISBN 0-631-14957-0.’ As autoras Anna Coot and Beatrix Campbell ativistas no movemento feminista].

Fui para casa devastada imaginando que o que eu temia, desde que abri meu abrigo, havia acontecido. Essas mulheres não tinham interesse no destino das mulheres e crianças desesperadas, muito menos iriam elas um dia considerar homens como vítimas. A partir daquele congresso, grupos militantes rapidamente se formaram no Women’s Aid Federation (Federação de Amparo às Mulheres) e documentaram seus objetivos feministas explícitos. Nenhum homem podia trabalhar nesses abrigos, meninos acima de doze não podiam vir com suas famílias – as mães de meninos adolescentes teriam que tomar outras providências. A posição em 1974 pelo mundo ocidental era que esse império político em rápida ascenção podia agora florescer financiado por abrigos às custas das mulheres e de seus filhos.

Com financiamento ilimitado, outros grupos que desejassem criar abrigos não foram capazes de se filiar à National Federation se eles não jurassem lealdade ao movimento feminista. Todos os grupos tinham que pagar uma taxa anual à Federação, a Federação não estava sob obrigação de financiar abrigos, e todas as doações e dinheiro de quem paga impostos iriam para promover os objetivos da revolução feminista no mundo todo. Congressos foram organizados periodicamente e feministas dispunham de poderosa posição para promover sua ideologia para os participantes. Mulheres nas universidades faziam lavagem cerebral em suas alunas e criaram cursos em ‘estudos de mulheres’, que homens não podiam cursar. Rapidamente esses Estudos de Mulheres expandiram, como um câncer maligno, por todo o mundo acadêmico e mulheres jovens eram encorajadas a verem a si mesmas como vítimas indefesas. Elas foram ensinadas a acreditar que não podiam confiar que seus colegas homens não se intoxicariam, as estuprariam e as violentariam, e em pouco tempo as universidades se tornaram hostís aos homens jovens.

O movimento feminista também saiu a campo para treinar pessoas no judiciário, na polícia, assistentes sociais e todas os conselhos tutelares. Muitas mulheres foram aconselhadas por advogados a conseguir um divórcio rapidamente alegando que foram vítimas de violência doméstica. No Canadá, quando um pai volta para casa do trabalho e encontra sua casa sem sua esposa e filhos, isso era chamado ‘limpeza’. Se ele chama a polícia para dizer que sua família estava desaparecida, ela não lhe diz onde estão; tudo o que a polícia lhe diz é que ela e as crianças estão a salvo. Se ele não se submete às exigências de sua esposa, ela pode alegar (o chamado ‘tiro certeiro’) que ele violentou sexualmente seus filhos e não poderia mais vê-los de novo.

As cortes se tornaram uniformemente hostis a homens e pais. Um programa punitivo chamado ‘Duluth Model’ (Modelo Duluth) foi introduzido em 2006, referido como um programa para algozes, e juízes foram aconselhados pelos conselhos tutelares que os pais deviam completar o programa, mesmo se fossem considerados inocentes de todas as acusações feitas por suas esposas. Não havia intenção terapêutica por trás desse modelo, seu principal interesse era em envergonhar e intimidar (bully) homens desesperados para ver seus filhos até que eles tivessem que começar a pedir desculpas por seus privilégios masculinos. Eles também tinham que confessar que eles eram culpados de violentar mulheres em virtude de serem homens. Se um homem se recusasse, ele nao teria permissão para ver seus filhos.

Internacionalmente, influências e pensamentos feministas foram tomados por mulheres, acreditando que elas estavam apoiando um movimento que estendeu a mão para outras mulheres para lutar por igualdade com os homens. Pelos próximos quarenta e cinco anos, as mulheres em todas as esferas da vida estavam se movendo em posições de poder e as oportunidades iguais abriram opções de emprego para todas as mulheres. Movimentos foram feitos para insistir que deviam haver cotas para mulheres para fixá-las nos empregos. Quando um homem e uma mulher têm qualificações iguais, o trabalho deve ser oferecido à mulher.

As mulheres também estavam alcançando altos postos no sistema educacional e nas universidades, serviços públicos e organizações internacionais como as Nações Unidas. O que ninguém pareceu notar é que feministas estavam discretamente recrutando outras feministas para o trabalho e lentamente os homens foram empurrados para fora de muitas esferas nos mercados de trabalho.

Um número crescente de homens despedaçados começaram a emergir na internet, dizendo sobre como falsas acusações significavam que eles foram arrastados de suas casas por suas cônjuges que não mais precisavam oferecer qualquer evidência para sustentar suas acusações. Nas democracias ocidentais, todos têm o direito de ser considerados inocentes até se provarem culpados. Os homens perderam esse direito e são considerados culpados e tinham que provar sua inocência. Os homens perdem seus filhos quando esposas perversas decidem impedir qualquer tentativa de permitir o pai veja seus filhos, e os tribunais não fazem nada sobre isso.

Com o passar dos anos, a taxa de suicídio de homens começou a aumentar, de longe ultrapassando a taxa para mulheres, e nada foi feito. Eu estava sozinha por muitos anos tentando fazer com que minha voz fosse ouvida. Era um lugar solitário para estar porque era impossível fazer as pessoas entenderem que o que eu podia ver estava acontecendo. As pessoas tinham a tendência a me reduzir a uma paranoica. Nada que eu escrevesse podia ser publicado porque os editores costumavam selecionar mulheres jornalistas para me entrevistar, que acabavam por me silenciar. Havia uma censura igual em editoras. Os editores queriam romances sobre mulheres vítimas e homens brutais.

As feministas que administravam abrigos falsificavam números de pesquisa. Uma vez ou outra números de mulheres que foram agredidas foram dados, mas nenhuma menção é feita de que homens também são vítimas. Números para mulheres que foram assassinadas também são dados à imprensa, mas não há menção de homens sendo mortos por suas cônjuges. Nenhuma das estatísticas feministas resiste a um exame rigoroso. Há muitos anos que temos estudos empíricos internacionais que sempre demonstram que na violência conjugal ambos homens e mulheres são igualmente culpados. Mas esta informação cai em ouvidos mocos e nenhum governo está interessado.

Nenhuma tentativa é feita para conter a enxurrada de demonização de homens e meninos. Porque o sistema educacional discrimina meninos há tanto tempo e pelo jeito que os ensinam, temos gerações de homens jovens preteridos na educação por sucessivos governos. Um enorme número de meninos vivem sem pais e movem-se pelo sistema educacional sem nenhum modelo masculino. Homens foram expulsos do ensino por causa da corrente que os corrompe com sugestões de que eles podem ser pedófilos. Surgem gangues de meninos sem pai procurando papéis masculinos e um senso de masculinidade. Ao longo de duas décadas, fizeram os homens se envergonhar de terem nascidos. Meninos pequenos foram marginalizados e qualquer comportamento masculino como brincadeiras fisicamente ativas são punidas nas escolas. Num esforço para serem aceitos pelas feministas, homens criaram grupos como o ‘white ribbon campaign’ (campanha da fita branca).

White ribbon está ajudando a criar ferramentas, estratégias e modelos que desafiem conceitos negativos e ultrapassados de masculinidade…’ Em outras palavras, a campanha white ribbon quer afeminar os homens, começando na escola, pelos meninos mais jovens, quando estão mais vulneráveis. Assim, de uma idade precoce, homens estão sofrendo lavagem cerebral para terem vergonha do comportamento normal e para submeterem suas vidas a uma versão afeminada do que eles são levados a pensar que realmente deveriam ser.

Certamente, homens e mulheres muito violentos que agridem uns aos outros e aos seus filhos (mães são bem mais propensas a agredirem crianças que os pais) deviam ser sujeitos a processos penais, no entanto a guerra contra homens e meninos nos levou para um caminho histórico desconhecido. A condenação e envergonhamento de homens chegou a proporções épicas e a reação está formando agora, onde muitos homens estão se recusando a se casar e, em muitos casos, até mesmo a viver com mulheres. Olhando para esse fenômeno desapaixonadamente, tenho que concordar com eles. Por que alguém arriscaria perder sua casa, seus filhos e sua renda quando sua cônjuge sabe que ela pode expulsá-lo da sua vida e impedir-lhe de ver seus filhos bastando ela pegar o telefone e sem evidência alguma ser condenado como um criminoso?

Muitos homens estão com medo hoje em dia. Homens em altos cargos podem ser acusados (de novo, sem qualquer evidência) e publicamente postos em julgamento pela mídia através de mulheres fazendo acusações que às vezes se espalham por quarenta anos. Mesmo se a Crown Prosecution (Ministério Público britânico) decidir não processar depois de um mês das acusações pesando sobre o homem e sua família, eles vão dizer que o caso não irá a julgamento ‘por falta de evidências’. Eles não admitem que eles ainda de novo tentaram destruir o homem e deviam pedir desculpas e declará-lo inocente. O acusador não se responsabiliza por destruir um homem inocente. De acordo com a Crown Prosecution na Inglaterra, ‘Todas as mulheres que acusem violência sexual ou estupro TÊM QUE ser acreditadas’. Creio que seja essa a regra no mundo todo. Como pode ser que o MP tem o poder de tirar o direito de um homem de ser considerado inocente até que provado culpado?

Alguns homens simplesmente ficam discretamente longe de relações com mulheres e alguns, amargurados e esgotados, incendiam a internet com sua raiva, outros se reúnem sob o título ‘Men going their own way’ (Homens tomando seu próprio rumo) uma organização informal de homens que pensam da mesma forma. A Voice for Men (Uma Voz aos Homens) é uma plataforma da internet onde homens podem se encontrar, compartilhar suas experiências, ajudar e aconselhar uns aos outros. Seu primeiro congresso internacional foi feita em Detroit há dois anos atrás. Eles foram perseguidos fora do hotel que eles tinham escolhido para seu congresso por feministas locais, mas eles foram em frente. Participei daquele congresso e me admirei com a quantidade de homens e mulheres que vi se juntando para trabalhar em direção ao fim da violência contra todos. Antes que isso pudesse acontecer, nós tivemos que nos afastar da falsa acusação de que são os homens os agressores e as mulheres as vítimas.

Acho muito arrogante que mulheres creiam que podem dizer a outras mulheres que elas são tão fracas e tão indefesas que não podem confiar nelas para tomarem responsabilidade sobre suas próprias escolhas nos relacionamentos ou sua participação na violência. Nós estabelecemos que as raízes da violência estão na violência familiar intergeracional. Agora nós temos que expor as mentiras e a apropriação fraudulenta do dinheiro do contribuinte para financiar um império do mal.

Precisamos avançar rapidamente porque nossas crianças estão sendo prejudicadas em nosso sistema educacional. Nossas relações com os outros estão sendo destruídas por esse monstruoso regimento de mulheres. Acima de tudo porém, neste presente clima de guerra aberta travada contra homens, crianças são as principais vítimas. Sempre acreditei que a família é o pilar de qualquer civilização e é dentre esses braços amorosos de ambos os pais que podem nutrir e fazerem crescer suas crianças para serem membros amorosos de nossas comunidades. Acho que nos próximos cinquenta anos as pessoas vão olhar para trás espantadas porque as pessoas estavam tão cegas pelo feminismo que elas ignoraram esse cavalo de Troia em seu meio.

Igualdade para todos é um objetivo digno, mas criar um movimento de ódio contra metade da raça humana é o que aconteceu. Temos que denunciar o feminismo pelo que ele é: exploração de todos nós por poder, domínio e dinheiro.

 

Erin Pizzey é fundadora do Chiswick Womens’ Aid, o primeiro abrigo do mundo para vítimas de violência doméstica. Ela é professora, militante, e publicou livros sobre violência doméstica, incluindo o pioneiro “Propenso à Violência”. Ela é também Editora e Conselheira sobre políticas para violência doméstica do A Voice for Men.

Artigo publicado originalmente no A Voice For Men.
Traduzido por Igor Rizzo Contarini  e André Levy.

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