Assassino mata 6: 4 homens e 2 mulheres. Motivo: Misoginia!

Nos comove saber que feministas no Brasil, assim como no exterior, têm a cara e a coragem de tentar culpar a “misoginia machista” por um evento desses. De que forma melhor que esta se ilustra o grande (des)privilégio masculino da descartabilidade? E não que qualquer assassino não pudesse passar a participar de qualquer movimento ou grupo, mesmo o nosso, antes de chegar a expor sua pior, mais baixa dimensão humana. Mas enfim, mais ainda virá nesses próximos dias.

– Aldir, adaptado de editorial do site principal.

Por agora, você provavelmente já ouviu falar do tiroteio em Isla Vista, realizado por um jovem perturbado chamado Elliot Rodger.  Elliot, que possivelmente tinha autismo ou síndrome de Ásperger, vivia num lugar projetado para ajudá-lo a tratar suas dificuldades de relacionamento social.  Elliot era parte de uma comunidade online chamada “Ódio PUA“, um site dedicado a revelar ‘os the golpes, mentiras e técnicas de marketing enganoso usadas por gurus dos encontros e da comunidade da sedução para enganar homens e lucrar com eles.’ Elliot postou alguns vídeos muito perturbadores no YouTube, nos quais ele insulta as mulheres que rejeitaram suas aproximações e devaneia sobre matar todos os homens no planeta exceto ele próprio.

Vídeo da “retribuição”, postado por Elliot, ameaçando cometer os assassinatos (em inglês):

https://www.youtube.com/watch?v=MQUW3Km01BM&bpctr=1401063284

Se você pudesse liberar um vírus que pudesse matar cada homem solteiro na Terra, exceto você mesmo, porque você tem o antídoto, você o faria?

Você será o único homem vivo, com todas as mulheres. Você poderia escolher quem quisesse entre qualquer mulher bonita que você quisesse, e teria se vingado dos homens que as tiraram de você. Imagine que satisfação seria isso.

Parece que Elliot era um pregador do ódio à igualdade de oportunidades, dividido entre o desejo de matar mulheres e o de matar homens. Afinal de contas, quando as balas começaram a voar, ele matou 6 homens e 2 mulheres e feriu vários outros, cujo gênero não está claro até o presente momento.

Ele também matou a si próprio.

Confesso que foi um choque para mim ver as ações dessa pessoa tão profundamente perturbada e confusa sendo relacionada ao Movimento pelos Direitos dos Homens.  O Daily Kos não hesitou em proclamar que Rodger fora “influenciado” pelo MDHM, embora apresente zero evidência de que esse fosse, de fato, o caso.

O Movimento pelos Direitos dos Homens, como eles se chamam, é um grupo nebuloso de pickup artists e misóginos que se reúnem online e estão tentando criar um movimento baseado em ódio, desdém e medo de mulheres.

Nós sabemos, que Rodgers foi influenciado por esse movimento, sendo ele inscrito em múltiplos canais de “pick up artist” ou “Direitos dos Homens” no YouTube (Para aqueles aqui que não usam YouTube, quando um usuário se inscreve em um canal, ele recebe notificação quando aquele canal posta um novo vídeo).

Exceto pelo fato de que todos os links que o KOS posta leva a sites Pick Up Artist e nenhum leva a sites do MDHM.

Comentaristas do Jezebel também rapidamente repetiram o mesmo erro, insistindo que Pick Up Artists e ativistas por Direitos dos Homens são a mesma coisa – algo que seria quase divertido se eles parassem para pensar no número de mulheres casadas com filhos que participam do Movimento pelos Direitos Humanos Masculinos.  Como, exatamente, nós, mulheres, seríamos Pick Up Artists?

Os comentaristas do SPLC  fazem a mesma conexão, novamente sem evidência alguma.

alternatesteve2 • 15 hours ago

Ah, droga. Eu tinha esse sentimento terrível, por já algum tempo agora, que alguma coisa assim iria acontecer. E agora aconteceu.

Honestamente, F*** o “Movimento dos Homens”. F***-se eles todos.

The Frisky segue, alegando que assassinar 6 homens e 2 mulheres é “baboseira de livro de estudos sexistas MRA (men’s rights activists, ou ativistas por direitos dos homens) no seu nível mais autointitulado e violento.”  Eu pareço ter estado ausente no dia que esse livro-texto foi publicado.

Jessica Valenti proclama que “misoginia mata”, sem a mínima noção do fato de que mais homens que mulheres foram mortos. Matar homens é misoginia? Eis aí uma interpretação curiosa.

Mesmo sendo claro para mim que nada além de ignorância e preconceito é o que orienta esses escritores sobre o MDHM e os ADHM, eu me pergunto como a associação entre PUA e o MDHM passou a existir?  Porque eu cheguei ao MDHM trazida pela preocupação com a igualdade legal e social entre homens e mulheres e não por amargura por problemas em namoro e interação, eu conheço pouco da comunidade PUA.  Eu encontrei o Chateau Heartiste e até escrevi postagens sobre como parte do seu material está terrivelmente equivocado, mas eu não me recordo de encontrar uma discussão séria sobre questões políticas e sociais que afetam homens e meninos em seu site.

E a ironia mais pungente para mim é que Elliot era membro de um site ANTI-PUA, então nem mesmo parte da comunidade PUA ele era, absolutamente.  Suas fantasias incluíam matar homens e mulheres, mas o foco dessas pessoas parece ser obstinadamente em como ele odiava mulheres.  Ele matou mais homens do que mulheres e mesmo assim eles focam obstinadamente nas vítimas mulheres.

A única conclusão a que eu posso chegar é que isso é um teatro político, em evidências ou fatos para apoiar a afirmação de que Elliot era um membro do MDHM ou de quaisquer comunidades do MDHM.  Em uma tentativa desesperada de pichar o MDHM como violento e odiento, feministas proeminentes na mídia estão ignorando evidências e cadáveres para criar uma associação entre o desejo por igualdade social e ataques homicidas.

Isso é, além de triste, totalmente de se esperar.  É triste que feministas usem os cadáveres de jovens inocentes e façam deles estandartes a evidenciar algo que não existe e nunca houve. É triste que feministas nos meios de comunicação pisem sobre homens mortos e feridos para fazer estardalhaço sobre mulheres mortas e feridas e então alegar que estão interessados em igualdade. É triste que esses feministas pranteiem mulheres mortas, mas não homens mortos.  E é triste que feministas insistam que uma comunidade de homens e mulheres trabalhando para assegurar que tanto meninos quanto meninas, homens e mulheres, sejam tratados com justiça e igualdade sejam a razão pelo acesso mortal e trágico de Elliot.

O fato é que o ataque de Elliot realmente expõe uma questão de importância central para o MDHM – o inadequado, quase inexistente, tratamento de problemas de saúde mental para homens jovens.  Socialmente, nosso tratamento parece ser esperar até o jovem torturado ponha uma bala na própria cabeça e orar para que ele não leve vítimas inocentes consigo.

Como uma estratégia para questões de saúde, não está funcionando muito bem.

Compare isso com como nós respondemos a mulheres que estão mentalmente frágeis após o parto. Nós buscamos detectar a depressão pós-parto e jogamos dinheiro e recursos para manter tanto mulher e crianças protegidas, porque se nós não fizermos isso, muitos bebês vão acabar mortos. As mulheres lutam com problemas mentais também e se voltam contra os inocentes. Mas, em vez de ignorar essas mulheres e torcer pelo melhor resultado, nós criamos programas com o fim de ajudá-las.

Houve evidências muito mais do que suficientes, especialmente no YouTube, de que Elliot era uma pessoa enfrentando dificuldades perigosas, lutando com demônios que ele não parecia conseguir entender ou com que arcar. Uma sociedade que tivesse compaixão real por homens e meninos responderia a um homem sofrendo como Elliot da mesma forma que respondemos a mulheres que sofrem.

Então, neste sentido sim, Elliot está ligado ao MDHM e aos ADHs. Ele é um dos homens e meninos por quem nós estamos lutando. Se nós tivéssemos entrado em ação, Elliot estaria vivo.  Sua vida também importava. Se nós tivéssemos recursos e meios para auxiliar jovens homens que lutam para se integrar na nossa sociedade complexa, suas vítimas ainda estariam vivas.

Duas belas e jovens mulheres perderam suas vidas em Isla Vista. Mas também quatro belos e jovens homens. E treze outras pessoas foram feridas. De qualquer forma, eles merecem compaixão também. Eles são mais do que meras pedras nas quais se afiam machados políticos.

Homens também são pessoas. Por que isso é tão difícil para algumas pessoas se lembrarem?

 

Com muito amor,

 

JB

 

4 thoughts on “Assassino mata 6: 4 homens e 2 mulheres. Motivo: Misoginia!”

  1. Não tem nem como esse garoto ser ativista do MDHM sendo que os motivos dele são justamente os opostos aos quais pregamos: que o valor de um homem não se define por ele sair ou não com mulheres e que não existe essa baboseira de que homens que saem com muitas mulheres são superiores aos outros, isso que os PUA e, aqui no Brasil, os realistas, chamam de “alfas” e “betas”. Somos totalmente contra a classificação de homens em maiores ou menores e contra definir o valor de um homem com base nas opiniões femininas. Basta ver nossas discordâncias com grupos como esses, que eu acho que poderiam render um bom artigo.

    A causa da perturbação mental dele também não é o autismo. Essa foi, inclusive, a primeira vez que eu vi a notícia de um autista cometer assassinato. Eu acho que ele devia ter algum problema de interação social mais sério, talvez um transtorno de personalidade.

  2. Pelo que deu para perceber, ele não era nem ativista do MDHM e nem PUA.

    Também deu para perceber que ele não era misógino, pois em seus vídeos ele demonstrava um certo ódio pela sociedade (humanos) em geral (misantropia), ou seja, ele odiava a sociedade humana, tanto homens quanto mulheres, e não apenas mulheres (misoginia).

    Agora, Luan Garcia, eu sou PUA a mais de 4 anos, e posso lhe garantir que o PU é muito mais complexo do que parece, com diversas “escolas” e métodos, e nem todos usam conceitos como “beta” e “alfa” para se referirem as pessoas, e/ou classificarem-nas de alguma forma.

    Não obstante, esta nomenclatura (alfa e beta) vem da própria biologia, e diz respeito a hierarquia social dentro de um grupo de animais. Alfas são os que estão no topo, enquanto betas os que estão em baixo, alfas são os que possuem maior destaque dentro do grupo, betas o inverso, os alfas são sim, os que conseguem o maior número de parceiras sexuais, e possui grande influência social dentro do seu grupo, enquanto os betas o inverso, e isso é observado não só entre animais selvagens mais também entre humanos. É um assunto que não tem por tanto, nada a ver com igualdade de direitos e deveres perante a lei.

    1. Foi mal, demorei para ver sua resposta.

      Obrigado pelos esclarecimentos, confesso que sabia pouco sobre o PUA. Também vi depois que esse rapaz já havia saído do movimento PUA há muito tempo, justamente porque os membros o consideravam muito extremista e, quando cometeu os assassinatos, ele inclusive participava de um grupo anti-PUA. Então ele realmente não era ativista.

      A questão que você comentou de ele não ser misógino, mas misantropo, faz muito sentido e reforça minha ideia de que ele tivesse algum tipo de desvio social.

      Já a nomenclatura “alfa” e “beta”, eu entendo que são termos biológicos; me referi a certos grupos (e aqui não menciono nenhum grupo em específico, pois sei que existem várias facetas diferentes nos diversos grupos MDH, PUA, MGTOW, masculinistas, etc.) que adaptam esses termos aos seus ativismos para reforçar essas diferenças entre os homens considerados “alfa” (aqueles que têm mais influência social e que chamam mais atenção das mulheres) e os denominados “beta” (que não têm esse status e atenção feminina), incentivando todos os homens a se tornarem “alfas” para serem valorizados, quando, penso eu, nós deveríamos incentivar os homens a não quererem perseguir nenhum modelo de comportamento apenas para obter status e valor de acordo com a opinião feminina, e sim se valorizar pelo que ele é – ou seja, que todos têm valor, independente de serem classificados como “alfa” ou “beta” de acordo com os valores sociais… Por exemplo, vejo muitos grupos ensinando aos homens “como se relacionarem com as mulheres” ensinando-os a serem “alfas” para que elas os valorizem, mas eu penso que um homem não precisa ficar baseando seu valor próprio naquilo que as mulheres pensam ou esperam dele. Na verdade, penso que essa atitude é escravizá-lo, não libertá-lo. Isso sem falar que não são todas as mulheres que se sentem atraídas só pelos mais “influentes”, existem muitas diferenças. Bom acho que deu pra entender… Mas isso é uma opinião pessoal, claro.

  3. O incrível é que as feministas só se importam com as mulheres, se for homem não importa, e o mais impressionante, se for “sexo não relatado” elas também não ligam! Mesmo que seja um ser humano que tem 50% de chances de ser uma mulher, se não for explicitamente mulher, elas não ligam.

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