O documentário argentino “Apagando o Papai” (Borrando a Papá)

Há poucas semanas, o documentário argentine Borrando a Papá (Apagando o Papai) foi liberado na Internet. Eu esperava há uns dois meses para ter uma chance de ver esse documentário completo, desde que eu li no Voice of Europe, da AVfM, que feministas tentaram muito, muito, fazer com que o documentário fosse censurado na Argentina.

Minha intuição sempre me diz que se alguma coisa é fortemente censurada ou aborrece uma autoridade totalitária, então certamente deve ter algo relevante lá e aquela obra em particular precise ser lida/vista tão logo quanto possível. E Borrando a Papá não decepciona – ao contrário, acabou sendo muito melhor do que eu poderia esperar. E aqui está o paradoxo que me incomoda – o fato de ser um documentário tão bom significa que me causou nojo assistir.

Borrando a Papá mostra toda a tristeza dos pais e crianças argentinos que passam pelas mãos do Estado argentino, cujas políticas são implementadas por ideólogos com uma visão de mundo terrivelmente distorcida.

Ver o filme também me fez entender por que os feministas quiseram tanto manter esse documentário longe do público argentino. Os cineastas conseguiram registrar vários ideólogos se gabando alegremente de como maltratam pais ou como eles pensam que uma mãe assassinar seu filho de seis anos de idade  para “foder o pai” (essas são as palavras dela) não são indicação de um sistema mal orientado, mesmo que o pai tenha formalmente registrado queixa ao menos três meses  antes da tragédia.

O documentário é uma seta penetrando num Império do Mal muito verdadeiro, como nossa Editora, Erin Pizzey, chamaria. De fato, eles até mostram Pizzey no documentário, usando uma filmagem publicada por “manwomanmyth” no YouTube.

Os cineastas expõem ao mundo como o trabalho de um maltratador de crianças crônico e líder de uma quadrilha de pedófilos, Jorge Corsi, basicamente acabou influenciando a política sobre famílias não apenas na Argentina como no Chile, Brasil, EUA, Canadá, Alemanha, Espanha, Austrália, República Dominicana, México e alguns outros países.

Muito poucas pessoas sequer sabem quem é Corsi. Pesquisar seu nome no Google apenas resulta em links em espanhol – mas esse indivíduo projetou o que agora é chamado de “O método Corsi”, que supostamente é um método para diagnóstico de abuso sexual e violência – um método que é uma variação do Modelo Duluth, apenas mais insidioso e com escopo mais amplo do que apenas a violência doméstica.

Corsi iniciou o primeiro programa de Mestrado em violência familiar em 1989. Em seus currículos, não há menção de mulheres sendo perpetradoras ou de homens sendo vítimas. Na opinião desse “especialista”, tal coisa não existe. Ele também criou o chamado “teste do homem violento”, que ele próprio diz que pode ser completado sem sequer entrevistar o suposto homem violento. Eu não vou dizer mais sobre isso porque você tem que ver isso com seus próprios olhos no documentário. Isso é literalmente um caso incrível, do tipo que se tem que “ver pra crer”.

A parte mais chocante para mim é a que incluiu os comentários feitos por Lilian Hendel, uma psicóloga e colunista de TV, que disse abertamente acreditar que todos os homens que alegam ter sofrido violência são mentirosos e que as mulheres raramente, se tanto, mentem sobre esse tipo de coisas. E consequentemente, ela acha que o ônus da prova nos casos que ela chama de “violência de gênero” deve ser invertido. “Se eu digo que ele é culpado, então ele é, até que possa provar o contrário” – essas são suas palavras exatas. Para entender o que ela quer dizer com “violência de gênero”, eu sugiro que você leia minha série sobre Stalinismo espanhol de gênero, escrita há mais de um ano (parte Iparte II, and este artigo).

Igualmente deploráveis são as palavras dos membros do “Shalom Bait”- que é um centro para proteção de vítimas de violência doméstica. Uma dessas pessoas simples e abertamente diz que eles preferem aconselhar mulheres a prestar queixa de violência (verdadeira ou falsa) em vez de lidar com um processo de julgamento. Por que eles preferem isso? Porque a justiça tende a seguir “a ideologia de que o pai é importante.” Pois é, você leu certo! Um empregado do Estado argentino, um servidor público, pensa que a importância dos pais é uma ideologia!

É difícil mesmo listar, meramente, tudo de repugnante que é apresentado no filme, sem acabar incluindo o documentário inteiro. Assistir esse documentário quase me fez sentir dor – num sentido literal, mesmo.

Como disse, Andrei Costea, um dos editores doat AVfM Romania:

Um grande Estado em conluio com a ideologia feminista resulta em ódio contra a humanidade. Isso não é somente um câncer social. Pode-se ainda lidar com câncer e salvar alguns pacientes. Mas com feminismo, é puramente quase uma guerra contra a Humanidade. Eu, por exemplo, não consigo ver os fatos apresentados neste documentário como nada além de um ataque direto contra a própria Humanidade.

Outra coisa que eu achei notável neste documentário é que ele também fornece uma perspectiva internacional, portanto colocando a culpa onde ela realmente está – aos pés dos ideólogos, que revoam de nação em nação destruindo famílias. Imagens de protestos de pais na França, Itália, Espanha, Brasil, Chile, Reino Unido e EUA são mostradas.

Em outras palavras, esse documentário tem um equilíbrio quase perfeito de emoção, fatos concretos, exposição do Império do Mal, falam sobre os interesses financeiros dessa indústria e a perspectiva internacional. Por todas essas razões, eu vou ao ponto de dizer que “Apagando o Papai” é um documentário bem melhor que Divorce Corp, que a meu ver ficou muito fraco e incompleto.

E isso é tudo que eu vou dizer. Agora, por favor assista Borrando a Papá no AVFM em Espanhol. O vídeo tem legendas em inglês (se você clicar em CC), que eu posso atestar estarem bem feitas e sincronizadas.

Realmente, Borrando a Papá é definitivamente imperdível e deve ser considerado entre as cinco melhores produções não feministas.

Desfrutem!

Nota: Veja o documentário em castelhano com legendas em idioma português (brasileiro) abaixo. O documentário continua proibido na Argentina. Não se esqueçam que a nova lei que altera a lei da guarda compartilhada está para ser sancionada pela Presidente Dilma Roussef. – Aldir.

Postado originalmente no A Voice for Men. Tradução: Aldir Gracindo.

4 thoughts on “O documentário argentino “Apagando o Papai” (Borrando a Papá)”

  1. Mais um exemplo interessante de como a misandria é constitucionalizada no Brasil: http://eduardocabette.jusbrasil.com.br/artigos/159465385/medidas-protetivas-de-urgencia-da-lei-maria-da-penha-para-homens-vitimizados-uma-analise-de-viabilidade-e-necessidade

    Um jurista apoiando a Maria da Penha com o argumento de “tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente”, a qual até certo ponto concordo (não aplicado a esse sentido, que é esdrúxulo) e ainda por cima diz que ela não deve ser aplicada a homens. Para esse último, afirma que é usada por conta de polêmicas e afins… e que já existe meios jurídicos para se fazer “medidas cautelares” a favor dos homens.

    Afinal, porque então existe a Maria da Penha se já existe legislação para tal?

    No fim, após a crítica do que me parece ser outro jurista, apela ao “fato estatístico de que as mulheres são mais vitimizadas nessas circunstâncias”. Algo que a desonestidade intelectual é comprovada por diversos artigos do “A Voice For Men”.

    É só mais um exemplo de como o sistema judiciário prejudica homens e meninos…

    Excelente trabalho e excelente documentário. Um achado. O melhor de 2014.

    Grade abraço.

  2. Outro fator importante de ressaltar foi o de que aparentemente, segundo o próprio vídeo do documentário, no poder judiciário argentino, juízes são orientados a não postularem a possibilidade de uma acusação de violência doméstica feita por mulheres ser uma falsa acusação, mesmo as completamente sem provas ou fundamentos, e que em mais de 32 mil acusações até hoje, nunca qualquer mulher teve sua acusação considerada falsa, apesar das várias evidências que facilmente levariam a esta conclusão. Fiquei chocado com esta informação, e ao mesmo temo enojado com esta estrutura estatal extremamente injusta da Argentina,

  3. Esse documentário… acho q nunca me emocionei tanto vendo um…
    Pena q as emoções foram principalmente tristeza e raiva…
    Esse sistema argentino consegue ser ainda mais injusto q o brasileiro, caramba.
    Houve alguma mudança no sistema desde que o documentário foi feito?

  4. Alessandro GM96

    Hi. I’m brazilian. My name is Alessandro and I live this drama for 10years. I must say THANKS A LOT for getting to put in a movie all the situations I’ve lived… please… if it is possible… keep in contact with the producer of the film… he put my drama in a movie..

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