Como Harald Eia abalou a ideologia de gênero

A “Teoria de Gênero” sofreu um grande golpe em 2012. O Conselho Nórdico de Ministros (uma comissão internacional de formada por representantes dos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia) decidiu encerrar Instituto de Gênero Nórdico (NIKK). O NIKK era fundamental para o poder de ideólogos de gênero terem em mãos fartas verbas dos contribuintes nos países nórdicos, produzindo bases “científicas” para políticas sociais e educacionais que fizeram esses  países serem considerados os mais “sensíveis às questões de gênero” do mundo – por critérios dos próprios ideólogos em suas instituições, claro.

Como resultado, o NIKK luta para ressuscitar desde o ano passado. O site do Instituto já saiu e voltou ao ar algumas vezes. No entanto, quase não se vê notícia disso na mídia internacional. Há algum tempo, o site do Instituto voltou a funcionar com um novo nome: “Informações Nórdicas para o Conhecimento de Gênero“. O antigo Instituto agora está abrigado pela Secretaria para Pesquisa de Gênero da Suécia (alguma surpresa aí?). No site, que está reconstrução, já se pode ler novamente artigos com a “cientificidade” que conhecedores reconhecerão, como para dizer que o desequilíbrio climático do planeta se deve ao excesso de poder nas mãos dos homens.

Harald Eia
Harald Eia

A decisão do Conselho foi tomada após a o canal de TV estatal norueguês exibir um documentário expondo falta de caráter científico do Instituto. O produtor da série é Harald Eia, comediante conhecido na Noruega por suas sátiras na TV. Harald Eia tem formação em Ciências Sociais. Ele ficou intrigado pelo chamado “paradoxo norueguês da igualdade de gênero”. O “paradoxo” é que, apesar de todos os investimentos governamentais orquestrados pelos “engenheiros sociais” e da Noruega ter sido escolhida o país com maior igualdade de gênero, homens e mulheres continuam a preferir profissionais consideradas como “estereótipos de gênero” (mulheres ainda tendem à enfermagem e medicina, homens ainda tendem mais a tecnologia, construção civil, etc.). Mesmo com todo o investimento governamental, as preferências profissionais de homens e mulheres não só parecem persistir, como por vezes parecem se tornar mais tradicionais do que antes.

No documentário, Eia, com sua equipe de filmagem, fez algumas perguntas simples e relevantes aos grandes “especialistas em Gênero” do NIKK. Depois, entrevista os cientistas responsáveis por pesquisas recentes envolvendo o tema em países como a própria Noruega, Reino Unido e EUA. Harald mostra a todos os cientistas as respostas fornecidas por seus colegas. Eia registra em vídeo como as afirmações das autoridades nórdicas em Gênero, que orientam as dispendiosas políticas de “igualdade”, causam espanto na comunidade científica – principalmente porque fica explícito como os pesquisadores de gênero baseiam suas afirmações nas suas próprias teorias, sem fundamentação em pesquisa empírica. Harald então volta a Oslo e mostra as gravações aos pesquisadores do NIKK. Acontece que, diante de pesquisas científicas empíricas, os “Especialistas em Gênero” não conseguem defender suas teorias perante dados fatuais.

O vexame que foi a exposição pública da farsa que são as pesquisas de gênero do NIKK, as pessoas começaram a fazer perguntas. Afinal, são 56 milhões de euros do dinheiro dos impostos usados para patrocinar as “pesquisas” de ideólogos de gênero sem qualquer credenciamento científico exceto o fornecido por eles mesmos.

O documentário, essencialmente, consiste de algumas perguntas honestas, simples e objetivas, feitas por um sociólogo e comediante sinceramente interessado em desvendar o “Paradoxo da Igualdade de gênero”. Mas isso foi suficiente para mostrar que todo celebrado edifício da “Teoria de Gênero” não conta com alicerces, mas sim com a exploração da ingenuidade pública. Quiçá essa lição seja aprendida por mais pessoas em outros países, outros continentes e na ONU, onde essa ideologia, com seu potencial de capitalização econômica e política, é acalentada pelos ocupantes dos gabinetes prestigiosos.

O documentário completo de Harald Eia foi disponibilizado por ele mesmo no site vimeo. Inicialmente, estava protegido pela senha “hjernevask” (“Lavagem cerebral” em norueguês, título aliás muito bem escolhido para o documentário). Todos os episódios estão com legendas em inglês.

Para os falantes do idioma Português, disponibilizei a versão legendada da Parte 1 (“O Paradoxo da Igualdade”). Você pode ver apenas este episódio aqui:

Todos os episódios, são os seguintes, com os links para assistir com legendas em inglês:

Parte 1 – The Gender Equality Paradox” (O paradoxo da igualdade de gênero)
Parte 2 – The Parental Effect” (O efeito parental)
Parte – Gay/straight(Gay/Hétero)
Partd 4 – Violence(Violência)
Part 5 – Sex (Sexo)
Part 6 – Race (Raça)
Part 7 – Nature or Nurture (Natureza ou aprendizado)

Edição: Com toda a repercussão da primeira parte, eu e outros legendamos todas as demais 6 partes. Elas podem ser vistas nesta lista de reprodução:

 

A notícia original foi publicada em 2012 no Turtle Bay and Beyond e este artigo originalmente, é de 05/04/2012.

Abraço forte,

Aldir

Fotos: Wikimedia Commons

11 thoughts on “Como Harald Eia abalou a ideologia de gênero”

  1. Esse documentário do Harald Eia detona esses ideólogos de uma forma honesta e brilhante.

    Já assisti o documentário e digo uma coisa: Quem assistiu esse documentário e ainda assim acredita nessas invenções feministas só pode ser um sociopata. Não é a toa que o NIKK foi destruído, a cara de pau e a falta de humanidade desses feministas ficou explícito.

    A parte 7 é especialmente revoltante ao ver o que fizeram com o menino em nome dessa ideologia de gênero.

  2. Valdemar Kjær

    Esse vídeo é muito bom. Mostra que a igualdade de gênero muito provavelmente é uma falácia oriunda da sociologia, que nega a ciência como um todo. Fica muito evidente que a ideologia de escopo sociológico compromete seriamente a ciência, a busca pela verdade que as pessoas não querem aceitar. Esses pseudo-cientistas noruegueses (será que estudaram no Brasil?) só aceitam o que querem ouvir e nada mais.

  3. Só porque existem joios em meio ao trigo não quer dizer que toda reivindicação feminista e estudos sobre gênero sejam meras falácias. Há uma enorme gama de trabalhos realmente científicos acerca do assunto, e os que eu tenho lido nunca negam o lado biológico, apenas afirmam que o lado social interfere de forma substancial no indivíduo e na sua formação. Esses estudos buscam relatar as assimetrias de gênero, na maioria das vezes infundadas. Destacam, também, que essa construção social é danosa até mesmo para o homem. Por exemplo, no Brasil, as mulheres já possuem um grau de escolarização muito maior. O vídeo, pelo que eu vi, não está desvalorizando todo conhecimento já produzido, mas sim denunciando os “especialistas” noruegueses que não seguem os métodos científicos. Vale ressaltar, também, que a igualdade de gênero não é buscada em todos os âmbitos da vida das pessoas. O que se preza é a não-discriminação e igualdade de oportunidade para ambos os sexos. Se uma desigualdade for averiguada, busca-se trabalhar em cima dela para que ela não se torne institucionalizada e esconda por trás de si relações desarmoniosas de poder.

    1. Nós sabemos que teoria de gênero não é exatamente o mesmo que ideologia de gênero. E já sabemos que a gigantesca maioria dos “estudos” de gênero nasce do pressuposto de que existe uma opressão. Os estudos são feitos coletando só os dados que forem servir para confirmar os fins de lucro econômico e político de ideólogos que dominam esse campo e não vão abrir mão de todos os bilhões que obtém criando falsas estatísticas, estudos enviezados, factoides, urgências artificiais. Não importa se se provarem falsos, eles repetem a mesma mentira infinitamente. E não, eles não se preocupam com a evasão educacional masculina que eles mesmos criam. Mas que o seu comentário é um bom “concern trolling”, isso é.

  4. O documentário é matador e tal, mas é difícil avaliar exatamente o impacto do mesmo nesta história e, principalmente, não compro a idéia de que ele foi o fator decisivo.
    Isso soa mais como um roteiro romantizado da história.

    1. Ele foi decisivo por realmente fazer com que as pessoas pensassem sobre a questão de gênero de forma científica. Mas acho que não deve ter visto o documentário completo

      1. Deixo mais claro:
        – O documentário é matador => ele é exemplar e demole o NIKK
        – mas é difícil avaliar exatamente o impacto do mesmo nesta história => o impacto deste documentário na história do fechamento do NIKK.

        Não nego a importância deste documentário, mas sinto que tem muito mais coelho neste mato. Eu fiz meu dever de casa e eis o que encontrei:

        Certain journalists have speculated about the decision to restructure NIKK, and its relation to the public debate that followed the seven-part television documentary series “Hjernevask” (‘Brainwash’), by the comedian and documentarian Harald Eia, which aired in spring 2010 on the Norwegian broadcasting service NRK. However, the Norwegian Research Council has denied that the programme had any influence on its decision not to renew the Norwegian research programme on gender in 2011

  5. Caio Rodrigo Mitsuzumi

    Gostei muito do documentário, mas precisava de links ou nomes para os trabalhos científicos para poder discutir apropriadamente com a galera tapada, especialmente com as feministas. Alguém tem ideia de como consegui-los?

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