Não tenho pena do “karma” de Julie Burchill

Julie Burchill é uma escritora inglesa, autora best-seller, colunista e feminista militante. Na verdade, ela é uma radfem. Foi ela quem teve um artigo retirado de jornal online pelo extremismo com que ela atacou transmulheres.

Entre as brilhantes e fragrantes excrescências com que contribuiu para a realidade dos homens e mulheres, meninos e meninas, com o que escreveu, está este artigo de 1999. Na época, uma campanha publicitária pretendia abordar o tema, já que os números de suicídio masculino na Inglaterra são alarmantes.

Burchill detestou a iniciativa. Mais comum que mato em terreno baldio é a tática de feministas de protestar contra qualquer iniciativa por homens e meninos e exigir que seja voltada para mulheres e meninas, somente e sempre! Como se fosse possível envenenar só metade de um poço. Seus motivos, para quem conhece a doutrina feminista, também não chegam a surpreender. Aos olhos dela, a vida dos esportistas é um estímulo constante à violência contra a mulher. Portanto, não importam os suicídios desses homens socialmente construídos para oprimir e violentar. As mulheres, afinal, como qualquer feminista diria, sempre sofrem mais que os homens. Diz ela:

Que homens jovens tenham sucesso mais vezes do que as garotas, não é realmente a questão. De fato, os mais insensíveis entre nós diriam que é muito bom que homens jovens finalmente encontrem alguma coisa em que sejam melhores do que as garotas.

Burchill diz isso porque, como se sabe, homens se suicidam mais; mas mulheres fazem mais tentativas de suicídio. Se eu fosse o equivalente a um feminista do nível sub-humano de Burchill, eu raciocinaria que as mulheres são incompetentes até nisso. Felizmente, eu não tenho pelas nossas garotas o ódio presunçoso que Burchill tem pelos nossos “opressores e privilegiados” jovens.

A questão da tendência maior de suicídios masculinos e de tentativas infrutíferas entre mulheres é discutida já há muito tempo. Uma explicação bastante aceita, inclusive entre os que defendem direitos dos homens, é que homens tendem menos a pedir ajuda, as mulheres, mais. Os homens no suicídio realmente se suicidam silenciosamente. Entre as mulheres que tentam, é um recurso extremo não para o suicídio, mas com uma esperança de serem ajudadas. Claro que essa explicação é vista como extremamente misógina pelos feministas “moderados”.

Mais pérolas de Burchill, do mesmo artigo de 1999:

Será que eu sou a única pessoa cínica o suficiente para pensar que um bom texto para a campanha lançada no futebol deveria ser “não descontem em vocês mesmos, caras – esmurre uma mulher”? Mês passado, uma pesquisa descobriu que mais de metade dos homens jovens consultados pensavam que bater em uma mulher é aceitável sob certas circunstâncias.

O raciocínio feminista é interessante de observar. Se o tema é suicídios, elas pulam para outro assunto, onde possam falar de problemas piores de mulheres – ou piores aos olhos delas. Outra característica dessa mentalidade é o ultra-tradicionalismo e conservadorismo em papéis de gênero quando interessa, ao mesmo tempo que são ultraigualitárias ou superprogressistas, quando conveniente. As duas coisas estão no texto de Burchill. Mas, mudemos de assunto também e falemos de violência contra homens e mulheres.

Um argumento de Simone de Beauvoir, em seu livro “O Segundo Sexo”, repetido por escritoras como Colette Dowling em “Complexo de Cinderela”, é que a indiferença ao sofrimento dos meninos, assim como a proteção e empatia especial de pais, família e sociedade para com as meninas é destinada a fortalece-los e torná-los independentes e dominantes. Mesmo assim, feministas constantemente se indignam com qualquer percentual de qualquer público que diga que seja aceitável.

Eu conversei sobre isso certa vez com Alice Bianchini – mestra, doutora em Direito Penal e feminista especialista em violência contra a mulher. O percentual que ela citou, se me lembro bem, foi de aprox. 20% de pessoas entrevistadas numa pesquisa em São Paulo que consideraram justificável, em alguns casos, a mulher apanhar. Mas, como eu apontei a ela, a pesquisa não perguntou se o homem, em alguns casos, não merece apanhar. Ou seja, tradicionalistas e “femimarxistas” competem sobre quem, entre eles, acha menos aceitável violência contra a mulher – em caso algum. Esses dois times, na minha experiência, acham absurda a hipótese de legítima defesa contra o ataque de uma mulher, mesmo armada ou mesmo cinco mulheres. Evidentemente, os mesmos dois grupos veem as coisas de forma bem diferente quando se trata de homens alvo de violência.

De volta a trechos de Burchill:

Me perguntar se eu sinto simpatia pelos suicídios após testemunhar isso (a morte do pai dela por câncer causado por asbesto) é, eu sugeriria, tão insensível e ignorante quanto minha insensibilidade deve parecer para você – como pedir a um africano faminto para simpatizar com um anoréxico.

Da última vez que eu sugeri que suicídios deveriam ser ignorados, recebi um pequeno número de cartas de pessoas cujos filhos tinham se matado. Todos eles exigiam um pedido de desculpas. Eu os aviso para, dessa vez, economizar seus selos porque, sabem, eu não me importo.

… as saídas voluntárias de umas poucas centenas de homens jovens saudáveis por ano deveriam ser tratadas como tragédias privadas, não um problema público. Deixem eles para lá.

Isso me lembra, claro, dos casos próximos, notícias e estatísticas de suicídio masculino. No mundo todo, não só os homens se suicidam mais, como se suicidam cada vez mais. Na Inglaterra, além de sempre terem se suicidado mais, os homens se suicidam cada vez mais. Em números absolutos e percentualmente. Eles passaram de 63% dos suicídios em 1981 para 78% em 2013. Mortes humanas só são compreensíveis caso a caso, não em números e estatísticas.

Em 2013, aliás, a Hyundai pôs no ar um comercial bem-humorado. A piada era sobre um homem deprimido e suicida que tentava se matar na garagem, mas fracassava e terminava humilhado e ridículo. A ideia era destacar uma qualidade do produto. A empresa resolveu pedir desculpas e retirar o comercial após a repercussão de uma carta aberta postada por Holly Brockwell em seu blog, uma inglesa cujo pai se suicidou quando ela era criança. Esses são alguns trechos:

Quando o comercial começou a passar…. Eu comecei a tremer.

Tremi tanto que eu tive que parar de segurar minha bebida, antes que derramasse. E então, eu comecei a chorar.

Eu me lembrei de olhar pela janela e ver a polícia e a ambulância, imaginando o que estava acontecendo.

Me lembrei da mamãe me colocando sentada para explicar que o papai tinha ido dormir e não ia acordar, e não, ele não poderia me levar para o aniversário do meu amigo na próxima semana seguinte.

Não, ele não poderia voltar do céu só por um dia, mas ele gostaria, se pudesse. Me lembro de ter descoberto que ele morreu segurando o coelhinho da minha irmã em seu colo. …

Eu só queria o meu pai.

Não se trata aqui de discutir temas de piada e o mau gosto. O inegável é que a perda de uma vida humana, principalmente de forma precoce, e especialmente um ente querido, é uma tragédia.

Como normalmente acontece com os homens nessas circunstâncias, o pai de Holly, Geoff, se suicidou silenciosamente. Ela nunca soube exatamente por que.

A diferença entre feministas e radfem é que as teorias feministas em voga são grotescas o suficiente para responsabilizar a própria masculinidade dos homens por isso. Os homens, afinal, seriam o único grupo opressor a criar um sistema de poder opressivo contra todos, inclusive eles próprios, estabelecendo obrigações deles para com os oprimidos capaz de leva-los, entre outras coisas à morte. Teorias pseudocientíficas obviamente odiosas como essa, fundamento teórico feminista, não são novidade. Já houve e há grupos com ideias semelhantes sobre negros, homossexuais, judeus. Radfems são uma consequência lógica e mais abjeta dessas teorias. Para elas, os homens são simples, inerente e irremediavelmente malignos. Não como membros de uma mesma família, realmente.

E aí está uma ironia trágica.

No começo desta semana, Jack, filho da escritora, cometeu suicídio.

Em uma postagem pública em seu Facebook, a radfem disse:

Meu amado filho Jack Landesman se matou no início desta semana. Ele está em paz agora e sem dor, mais, e claro, eu não acredito que a vida termina com a morte, então, sorte minha.

Cuide das pessoas que você ama, eu tentei e falhei.

Na mesma postagem, Julie diz que encontra conforto em seu companheiro. A maioria das radfem é “lésbica política”, ela está na minoria.

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Lendo a notícia, eu vi o comentário de um ADH lamentando a morte de Jack e se perguntando se ela pensa da mesma forma, vivendo o mesmo drama que ela desprezou em outros familiares.

Honestamente, eu não me importo se ela mudou. Eu me importo com gente como o Geoff e os outros milhões de pessoas, principalmente homens, que morrem cedo demais. Inclusive o Jack. Me importo com outros familiares e amigos. Escrevendo isso, eu penso em dizer: Não sejam como o Geoff e o Jack. Acho isso tão importante que escrevo sobre e trabalho para o AVFM voluntariamente. Me importei com aquela radfem “lindinha” e os familiares, quando ela falseou o próprio suicídio.

Mas pela Burchill, por tudo o exposto acima, não senti empatia. Ela até tem um companheiro homem para confortá-la, afinal.

5 thoughts on “Não tenho pena do “karma” de Julie Burchill”

  1. Xavier Milson

    Sou obrigado a concordar.

    Por mais que a opinião dela seja deplorável, é mais importante alertar sobre os perigos do silêncio, do que tentar abrir os olhos de uma egocêntrica que comete o mesmo crime há mais de uma década.

  2. O Salsichão do Amor

    Tipica história de gente preconceituosa que acaba sofrendo do mesmo mal que nunca procurou entender. O ódio a transformou em um clichê!
    E ela, que tanto negou a dor de homens e familiares de suicidas, acabou com o próprio filho sofrendo do mesmo mal. Ele é a vitima e provavelmente ela pode ter sido a maior incentivadora do suicídio do garoto.

    O triste desta história é que é possível que nem assim ela comece a entender a dor dos homens ou de seus familiares…

  3. com certeza ela educou o filho pra ser um verme sem ego, que coloca a sociedade acima de si mesmo, com essas merdas de psicologia freudiana, as teorias de freud saõ usadas em prol do feminismo, pra fazer o homem se envergonhar de si e colocar a sociedade acima dele mesmo. eu vou contar uma historia, eu ja fui forçado a terapia num hospicio onde uma terapeuta dessas freudiana me xingou de viado, mimado, retardado, covarde, só porque falei que não queria mais terapia pois queria seguir meu proprio caminho e estava ali forçado assim como fui forçado a ser internado. a aberração não ensinou o filho a ter ego, a acreditar em si mesmo, a guerrear contra o mundo, deu uma educação politicamente correta, o que é pior que ser criado na porrada, pois eu fui criado na porrada e pelo menos desenvolvi uma misantropia muito forte, agora ser criado pra ser um marica sem ego, o cara vai achar que aprovação social é tudo, que sociedade é o que importa, se matou porque foi um babaquinha que achava que amizades e relacionamento era tudo, tipico de pessoas normais, que colocam o coletivo, a cultura acima de si mesmos. eu prefiro viver em eterna guerra contra o mundo e preservar meu ”eu” ou ”ego” o que for, do que me rebaixar a me encaixar nessa merda chamada sociedade.

    1. Aldir Gracindo

      Já vi outros comentários seus aqui e é evidente que a sua “militância virtual” misantrópica vai na contramão dos valores do AVFM. Antes fizesse tratamento com um bom profissional. Está banido.

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