“A guerra de gênero” – o documentário


Irmãs feministas!

Mulheres

Meninas

… e outros.”

 

Essa frase, uma das tantas tão significativas, é o início do discurso de Ireen von Wachenfeldt, presidente da organização feminista ROKS, na Suécia, mostrada no documentário “A Guerra de Gênero”.

Como disse Sartre, “O inferno são os outros.” Como no filme “Os outros” (de 2001), de Alejandro Amenábar, onde a Nicole Kidman é perseguida por aparições fantasmagóricas terríveis, até ela finalmente ter que encarar tudo que ela não quer: ver quem e o que são os outros e quem (e o que) ela é. E quem são os “Outros”, para a senhora que discursa no “A Guerra de Gênero? Ora, são meninos, homens, gays, transexuais, transgêneros, enfim, tudo que estiver fora do conjunto “Irmãs feministas, mulheres e meninas”. Isso soa estranho de várias maneiras, a não ser que você tenha um conhecimento um pouco mais próximo sobre o que se escreve e discute entre mulheres (isso mesmo, é um clube da Luluzinha) feministas radicais.

“A Guerra de Gênero” (“Könskriget”) é talvez o único documentário não-feminista de que eu tenha ouvido falar sobre feminismo de Estado. O documentário tem duas partes e foi exibido pelo canal nacional sueco, SVT in 2005. O título poderia ser traduzido como “A Guerra dos Sexos” ou “A Guerra dos Gêneros”. Eu traduzi como “A Guerra de Gênero” porque o título foi extraído de uma entrevista com a então presidente da (também então) influente organização feminista ROKS, que supostamente seria uma organização dedicada a abrigar e prestar apoio psicoterapêutico, mulheres vítimas de violência. Essa organização era muito importante, tinha um forte apoio de mulheres, feministas e políticos, e tinha total apoio do governo para cumprir sua missão.

Essas ideólogas psicopatas tem uma visão bem peculiar do mundo, das relações sociais e dos homens e das mulheres. Eu disse que elas “supostamente” se dedicavam a abrigar mulheres vítimas de violência porque elas mesmas, quando se sentem à vontade para isso, falam do seu propósito e objetivo maior. Essas mulheres estão engajadas numa Guerra Civil Mundial, a “Guerra de Gênero”. Esse documentário mostra algumas das implicações disso. É interessante de se mostrar e ver, contra a ingenuidade perigosa de quem sai acreditando que existe algum movimento, partido, grupo, que “liberte” as pessoas. As ideias mais pueris parecem insistir na cabeça das pessoas que parecem sentar o bum-bum na historiografia, e em vez de aprender com a História, repetem discursos batidos de grupos políticos sobre aqueles mesmos grupos, compartilham “memes” no Facebook, e folheiam revista “Caras” na sala de espera do dentista.

“Könskriget” foi pesquisado, produzido e narrado pela jornalista Evin Rubar. O documentário completo tem aproximadamente 2 horas de duração. Ele não está sendo comercializado no momento e pode ser visto no site youtube.

O documentário inicia com um trecho espantoso de um programa de um programa de debate da TV sueca, chamado “Svar direkt”, onde uma professora de teologia, na época relativamente desconhecida, começa a fazer uma narrativa fantástica, que lembra um filme de terror ou algum depoimento num julgamento de caça a bruxos. A palestrante afirma ter conhecimento de rituais secretos que aparentemente só ela no planeta conhece, e conhece com riqueza de detalhes. Ela é a professora Eva Lundgren.

EVA LUNDGREN

Entre as afirmações da então “Teóloga” Eva Lundgren:

  • existem rituais horríveis onde fetos são arrancados a faca dos úteros das mães, cortados em pedaços e sacrificados;
  • isso acontece em ambientes adultos, em círculos decadentes e socialmente influentes. Indivíduos muito importantes estão envolvidos, pessoas com profissões altamente respeitáveis;
  • essas pessoas também estão envolvidas na produção e distribuição de pornografia, tráfico de pessoas e tráfico de armas;
  • eles sequestram garotas, as quais são engravidadas, depois seus úteros são cortados, sacrificam os fetos e a história é acobertada, inclusive a própria existência e sequestro das garotas;
  • os fetos são pendurados em ganchos de carne, depois enfiam pílulas pela garganta desses fetos, e essas pílulas fazem os fetos explodirem.

Claro, não há evidência alguma sobre o que ela diz. Mesmo assim, a política investigou as denúncias onde elas pudessem levar, sem descobrir nada. As estatísticas sobre nascimento, morte e crime na Suécia revelam que suas afirmativas são impossíveis de ser reais. E Eva Lundgren não apresenta nenhum documento, evidência, testemunha, nada. Aparentemente, ela também não precisava.

Eva Lundgren é originalmente norueguesa, filha de um trabalhador do ramo de construção e uma dona de casa. Ela trabalhou como modelo e após terminar o estudo médio, foi estudar Teologia em Bergen. Ela foi professora de sociologia, depois se tornou Chefe do Departamento de Pesquisas de Gênero na Universidade Upsala, na Suécia. Foi também professora convidada na Universidade de Nova Iorque.

Ela realizou, no início de sua carreira, uma pesquisa sobre violência doméstica em lares fundamentalistas cristãos. Fundamentalistas do tipo onde se vê coisas como “Ah, minha doce esposa está possuída pelo Demônio e o Senhor me guia a espanca-la até tirar o Diabo dela” – esse tipo de fundamentalismo.

Entre as teorias de Eva Lundgren, destaca-se o “processo de normalização”. Para ela, a violência contra a mulher é feita de forma tal que a mulher é totalmente dominada mentalmente, “possuída mentalmente” pelo homem, de forma que a brutalização da mulher se torna normal na sociedade e as próprias mulheres chegam a ver seu espancamento como uma demonstração de amor.

http://no.wikipedia.org/wiki/Eva_Lundgren

CAROLINE

Um triste encontro entre uma mulher jovem que sofre e ideólogas de gênero com apoio cego do Estado sueco.

Caroline é uma jovem tímida do norte da Suécia, que estava num mau momento por causa de um relacionamento. Ela procurou ajuda online e encontrou uma organização chamada “Bellas vänner” (“Amigas de Bella”), associada à organização chamada ROKS.

Caroline contatou o abrigo das “Amigas de Bella”, buscando um tempo de repouso e psicoterapia. Elas indicaram que ela fosse a um “acampamento de verão” em uma de suas propriedades, onde ela seria atendida por conselheiras. Só depois Caroline descobriria que estava cometendo um grande erro. Ela passou pela experiência de ver a sua vida entrar em choque com a ideologia de “poder e violência de gênero”. Num surto paranoico, ela acabou sendo sequestrada pelas “Amigas de Bella” e levada para uma fuga da “Rede de pedófilos satanistas” de Eva Lundgren e outras feministas.

Durante a “fuga”, Caroline conheceu a líder feminista norueguesa Tove Smaadahl, que tentou ajudar. Tove depois percebeu que tinha contribuído para submeter Caroline a uma tortura psicológica criminosa. O caso acabou posteriormente arquivado pela polícia sueca.

Smaadahl parece sinceramente emocionada ao dizer que até hoje se culpa por não ter desconfiado mais cedo das feministas “Amigas de Bella” que mantiveram Caroline e outra jovem, Anna, em cárcere privado e constrangimento ilegal. Mesmo assim, ela logo em seguida repensa: ela acha que de início, deve-se dar crédito a suas correligionárias feministas nesses casos. Anna não quis falar sobre o assunto com Evin Rubar e sua equipe de produção.

Mesmo assim, pessoas como Margareta Winberg continuam convictas de sua “missão” verdadeira, não exatamente declarada às suas sociedades (enquanto elas não tiverem mais poder do que têm). Gente como Ireen von Wachenfeldt considera qualquer informação estatística ou estudo que não apoie sua visão de mundo como uma “manipulação” de grupos como a imaginária “Rede de pedófilos satanistas”. E apoiam conseguem verbas para os projetos das tantas “Evas Lundgren” por aí.

Como alguém já disse: Pra que Cientologia, se você tem certas feministas? Pra que L. Ron Hubbard se você tem pessoas como Eva Lundgren?

http://no.wikipedia.org/wiki/Tove_Smaadahl

A ROKS

A sigla ROKS significa “Riksorganisationen för kvinnojourer i Sverige”, ou “A Organização Nacional por Abrigos para Mulheres na Suécia”. É uma organização feminista sem fins lucrativos, mantida por dinheiro público e trabalho voluntário.

O “ódio pelos homens e tudo que é masculino” – não é Feminismo… é apenas uma parte intrínseca do arcabouço teórico e mobilização política pós-anos 70. Entendeu ou quer que desenhe?

IREEN VON WACHENFELDT

Ireen von Wachenfeldt era Presidente da ROKS quando o documentário foi feito. Durante suas entrevistas, ela mostra que segue e ensina fielmente as “verdades” sociais de Eva Lundgren e luta para implantar as mudanças sociais, mesmo ela própria, em certo momento do documentário, mostrando que crê que não está havendo resultados.

Von Wachenfeldt foi muito criticada durante a repercussão do “A Guerra de Gênero”, acabou renunciando ao cargo de Presidente da ROKS. Tempos depois, haveria negado que “os homens são animais.” Casada com um Ministro, posteriormente se tornou líder do “Partido de Esquerda”.

http://no.wikipedia.org/wiki/Ireen_von_Wachenfeldt

GUNILLA EKBERG

Gunilla Ekberg antes de ameaçar Evin Rubar, a “traidora”.
Gunilla Ekberg foi a pessoa dentro do governo que apoiou as feministas que atormentaram Carolinne e Anna.

Ekberg foi a “especialista” presidencial sueca em prostituição e tráfico de pessoas de 2002 a 2006. Ela estudou Serviço Social na Universidade de Lund e é formada em Direito pela Universidade de Columbia Britânica. Desde 2003 é uma cidadã canadense. Quando houve pedidos para que fosse retirada do cargo, após aparecer no documentário dizendo à jornalista que ela era uma “traidora”, a Ministra da Igualdade da época, Jens Orback, a defendeu e disse que tinha total confiança nela.

http://no.wikipedia.org/wiki/Gunilla_Ekberg

MARGARETA WINBERG

Margareta Winberg é entrevistada, supostamente na residência da embaixada sueca no Brasil: Por trás dos grandes partidos dos “patriarcas”, uma “árvore mundial” faz a “Guerra de Gênero”.

Margareta Winberg foi Ministra da Igualdade da Suécia. Ela aparece no documentário sendo entrevistada no que seria a Residência.

Em sua entrevista para o documentário, ela parece não se lembrar de muitas coisas sobre sua atuação política feminista no governo. Mas ela tem muita clareza e convicção nos objetivos que o Estado deve buscar, que é criar uma nova sociedade, livre do poder dos homens (O “Patriarcado” ou “Machismo” político e cultural). Para ela, como para suas associadas do movimento feminista sueco, é essa estrutura de poder de gênero que está por trás da violência doméstica contra a mulher, que e apenas uma das várias formas de degradação e violência de que as mulheres são vítimas na “Guerra de Gênero” mundial.

Ela conta foram suas participações fundamentais em ações das feministas suecas, como a que buscou garantir que a sua visão das “estruturas de poder de gênero” (Machismo ou Patriarcado) fosse ensinada em todas as universidades, por imposição governamental.

Margareta Winberg, como Ireen von Wachenfeldt, apoia inteiramente a “pesquisadora” Eva Lundgren, que já recebeu amplo apoio financeiro do governo federal sueco.

Curiosamente, esses objetivos vão sendo atingidos com a cooperação ativa de políticos e cidadãos do sexo masculino. Como ela diz sorrindo a Evin Rubar no documentário: “Às vezes eu achei que eles não entendiam o que eu estava fazendo.” Mas ela é bem mais aberta e eloquente na carta enviada à ROKS, lida pela sua Presidente Ireen von Wachenfeldt:

A todas as irmãs ativas, realizadoras e corajosas na conferência de aniversário da ROKS. 

Vocês são as folhas de uma árvore internacional, com raízes num solo comum. A árvore cresce enquanto o patriarca a rega com decisões ignorantes e desinformadas. Mas um dia, a árvore será mais alta que o patriarca. Nesse dia, irmãs, será o início de uma nova era!

Por isso eu digo: Da próxima vez que você ouvir grupos feministas como o “Marcha das Vadias” e as sexistas extremas “Femen” dizerem que a luta feminista não é contra os homens, mas sim contra o “Machismo”, que tal você desviar os olhos um pouco dos “peitinhos”, olhar para o que ela leva nas mãos e se perguntar se você sabe MESMO de que “Machismo” elas estão falando?

Talvez não.

EVIN RUBAR

Evin Rubar
Evin Rubar é uma jornalista que recebeu alguns prêmios por seus trabalhos. Ela é de origem curda. Talvez isso explique a coragem dela em questionar o stablishment. Os curdos são um povo sem país e são vítimas de perseguições violência por onde passam – inclusive no Iraque, onde foram alvo de um famoso massacre promovido pelo nobre ex-aliado e ex-inimigo dos EUA, Saddam Hussein e seu assecla, Ali, “O Químico”. Ela é talentosa, entusiasta de Direitos Humanos e corajosa o suficiente para fazer jornalismo investigativo sobre temas polêmicos como em “A Guerra de Gênero”.

Evin, era uma jornalista já conhecida e mulher, de forma que foi bem recebida pelas entrevistadas mais importantes durante a realização do documentário. Ao longo das entrevistas, porém, conforme ela questiona suas interlocutoras, é perceptível a mudança de tom e de expressões. Sem saber que está sendo gravada, uma delas ameaça: Não espere ter ajuda de nenhum dos nossos abrigos. Evin retruca: “Se eu for agredida [por um homem]? A resposta é: “É isso que acontece quando você nos trai.”

Após realizar “A Guerra de Gênero”, a “traidora da sororidade” teve que arcar com as consequências: a reação das feministas que ela expôs dentro do Governo e do próprio governo, particularmente o poderoso Partido Social Democrata de lá. Seu documentário foi acusado de ser tendencioso à comissão de fiscalização de rádio e TV sueca, comissão cuja presidente, a política feminista Lena Adelssohn Liljeroth, era participante ativa da ROKS.

As acusações contra Evin e a SVT foram do seguinte “nível”:

  • de usar o depoimento de uma jovem emocionalmente instável, Carolinne, que não seria confiável – as acusadoras convenientemente “esqueceram” que a versão de Carolinne foi confirmada em vídeo por uma famosa feminista norueguesa, Tove Smaadahl;
  • Ireen von Wachenfeldt, então presidente da ROKS, acusou Evin de submete-la a um interrogatório policialesco, repetitivo e cansativo, que acabou levando-a a dizer coisas como “Os homens são animais” – você acredita que a jornalista tenha feito maldades que um policial ameaçador NÃO TERIA CORAGEM de fazer à poderosa Presidente da ROKS?… É, eu também não.
  • de dar muito espaço a Carolinne, ouvir pouco a ROKS e não ouvir as duas feministas “Amigas de Bella” – observem que as “amigas” se recusaram a depor; e quando vocês veem o documentário, o espaço espaço dado para defesa e exposição das teorias psicopatológicas é tão grande que o documentário em alguns trechos parece ter o objetivo e panfletar a causa do feminismo radical à la Eva Lundgren.

Enfim, foi por aí. O documentário, com suas gravações e entrevistas, fala em defesa de si mesmo. O resultado do julgamento pela comissão também é previsível: o documentário foi julgado TENDENCIOSO e sua exibição foi proibida na Suécia.

Evin e a SVT apelaram então ao Corregedor de Justiça do Parlamento, recorrendo por ter sido julgados por uma comissão governamental presidida por uma associada da organização denunciada. O Corregedor negou provimento e manteve a decisão da comissão. Entenderam o que é Feminismo de Estado? Posteriormente, Lena Adelssohn Liljeroth, que condenou o documentário e proibiu futuras exibições na Suécia, se tornou Ministra da Cultura.

Evin recebeu ameaças, assédio, acusações, injúrias e calúnias. Ela também foi premiada por seu “A Guerra de Gênero”. A ROKS e o governo também foram atingidos pela repercussão do programa. Tiveram que fazer uma troca entre feministas nos cargos. A ROKS já não é mais tão influente na Suécia. E o mundo todo pode ver, hoje, o documentário pelo youtube, graças a alguém que usa o nome de usuário de Figaropravda.

Filmografia da Evin Rubar:

  • I skolans våld, 2003;
  • Könskriget (A Guerra de Gênero), 2005;
  • Det svenska sveket, 2007;
  • Syndabockarna, 2008; e
  • Slaget om muslimerna, 2009

Ela recebeu os seguintes prêmios:

  • Prêmio de Jornalismo “Stiftelsen Staten och Rättens”, em 2003 por “I skolans våld”;
  • Guldspaden (Pá de Ouro) in 2005 for “A Guerra de Gênero”;
  •  Kristallen (O Cristal) in 2005, por “A Guerra de Gênero”.

Obrigado, Evin!

Veja o documentário completo, com as duas partes, traduzido e legendado por mim em PT-BR, aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=y8lz5yX-kJM&list=PLgMCMsUi8TgyDXICGpXPAjnkiNiXDpFvG

Abraço forte a todos,

Aldir.

4 thoughts on ““A guerra de gênero” – o documentário”

    1. Eu sei, vai ser reposto. E com legendas melhores. Acredito que conseguimos ter isso postado amanhã. Obrigado por passar e comentar.

      1. Jorge Alan Ribeiro

        Cada vez que o Youtube deletar por pressão das feminazi,publique de novo. Esses fascistas vão se cansar de tanto denunciar.

  1. Peraí….estou confuso! Arrancar fetos, dilacerá-los, úteros cortados,…..isso não é uma cena de um ABORTO, “senhoras” feministas?!?!

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