O flagelo da masculinidade moderna – Parte 1 de 3

Nota: Este é um dos clássicos do AVFM, um dos pontos em que nos afastamos de partidarismos na direção de contribuir para um movimento e para questões masculinas e de Direitos Humanos dos Homens. O artigo está dividido em 3 partes e estamos lançando juntamente com a versão em apresentação de vídeo, com áudio melhorado e legendas. – Aldir.

Saudações a todos, aqui é o Paul Elam com mais um episódio de A Voice for Men – na verdade, este vai ser em 3 partes – intitulado “O flagelo da masculinidade moderna”. Nele, vou examinar mais de perto o que eu vejo como o papel masculino, ou melhor, a cumplicidade dos homens neste (novo) mundo de governança feminista em que agora nos vemos. Espero que vocês o achem prazeroso e de alguma forma, informativo.

Milhares dos nossos jovens hoje estão presos em um impasse no caminho para realizar a masculinidade. Eles estão paralisados pela confusão de uma geração perdida diante de forças traiçoeiras que eles nunca viram, por razões que eles nunca foram capazes de compreender. Eles estão lutando e famintos; incapazes de alimentar suas almas em um mundo que os vê cada vez mais como desnecessários, como fardos.

Eles chegaram em uma era de impotência coagida, sua masculinidade nascente eviscerada e despojada muito antes de terem a oportunidade de dar forma ao seu caráter e seu destino. Nisso eles estão sofrendo com a perda das coisas que nunca tiveram, com a falta de coisas que eles nunca viram. Eles são, bem literalmente, uma geração perdida de caminhantes feridos, errando cegamente, vindos de um campo de batalha onde eles nunca souberam ter estado.

Sob essa luz, o caminho onde eles estão não é realmente o da masculinidade, mas simplesmente um escape da malignidade embrenhada no próprio tecido de suas vidas. E isso não os leva a qualquer campo seguro, mas diretamente para dentro de uma cultura sombria de superficialidade e autoindulgência: um lugar de opções sem obrigações; de autogratificação sem autoconsciência ou autodisciplina. É a marcha da morte do homem ocidental, destinado a um desaparecimento devastador assegurado pela atrofia intelectual, psicológica e moral.

Essa existência narcisista e sem objetivo é um escape forçado das vidas sob o véu de vergonha. Da masculinidade sendo reduzida a uma piada evolutiva aos olhos da cultura que a vê com desprezo, mesmo quando os mais velhos negam que isto esteja acontecendo. Com o apagamento amplo pela sociedade e abandono pelos pais mais ou menos completo, a nova (des) engenharia de juventude masculina está indefesa contra esta espiral descendente na direção da insignificância.

Isso está acontecendo ao nosso redor. Só é preciso olhar para os eventos atuais para ver que o mundo dos homens está, literalmente, descendo pelo ralo; desaparecendo das fundações estáveis da educação e emprego. Eles são alvo de desinformação sobre crime e violência doméstica e sobre tendências sexuais desviantes em relação a mulheres e até crianças. Essas não são mais ruminações de ideólogos transtornados. A demagogia agora emana diretamente do governo, apoiado por homens com togas e também com armas. O aparato judicial foi reformatado, não para a busca da justiça, mas para encarcerar homens a qualquer oportunidade, mesmo para possibilitar e encorajar acusações falsas para alcançar esse objetivo. Isso não é mais questão de atacar os homens. É sobre subjugá-los. E não está sendo executado por feministas ou mulheres, mas por homens.

Nós poderíamos sugerir que a solução é um redirecionamento para os dias passados, quando nós fantasiamos que os homens eram mestres de códigos sagrados; quando eles possuíam força e propósito, se levantariam contra essa tragédia crescente e a derrotariam. Nós estaríamos errados. Podemos apenas descobrir que Thomas C. Wolfe estava certo: Você não pode mais voltar para casa. E mais, você, realmente, não quer isso. Foi, de certa forma, o “lar” que nos levou a isso. E isso é uma verdade que precisamos encarar, não importa o quanto seja natural ou atraente a tendência de apontar para qualquer força externa e satisfazer nossas frustrações com a conveniência simplista de um inimigo facilmente identificável.

Como sempre, nosso verdadeiro inimigo está no espelho. A única coisa que vai nos salvar é encarar isso e agir em conformidade.

No mundo instável e muitas vezes estranho do movimento dos homens, tentamos responder a essa doença social; criar um abrigo, mesmo que seja intelectual, para os refugiados dessa guerra esquecida por Deus. É uma missão muitas vezes atrapalhada por nossas próprias mãos, mas mesmo assim o trabalho prossegue, se arrastando na direção de soluções. Nós tentamos, eu acho, como homens que enxergaram além da Matrix, formular uma resposta apropriada e nossa própria forma de criar alguma sanidade e equilíbrio novamente na consciência coletiva; forçar isso além dos arquitetos da misandria institucional, tanto homens quanto mulheres. Mas, mesmo quando exercemos pressão, não conseguimos encontrar exatamente qual inimigo contra o qual lutamos.

Nós não identificamos com segurança, nem sequer tentamos completamente, que papel a masculinidade tradicional desempenhou no problema. Infelizmente, o que nós muitas vezes fizemos é praticar a política teimosa de crianças feridas que insistem que não tiveram nenhum papel no que recaiu sobre suas vidas. Nós, às vezes, reagimos com raiva e energia à misandria, mas rechaçamos com igual vigor examinar seriamente como nós criamos e permitimos isso com nossos códigos masculinos de conduta. Consequentemente, todos os nossos esforços baseados nessa abordagem falharam – e miseravelmente. Nós fizemos algum progresso e sem dúvida isso amadurecerá em algum movimento efetivo, mas não antes que nós aceitemos mais do que a hostilidade que sentimos contra os inimigos que percebemos.

Nossa resposta mais funcional, até agora, é largar tudo e seguir nosso próprio caminho, mas eu insisto que saída não é destinação, mas sim uma retirada necessária da linha de fogo; uma chance de reagrupamento coletivo e de repensar. Lembre-se que os jovens ulcerando nessas encruzilhadas, também, à sua própria forma, “saíram”. Isso não parece ter sido tão bom para eles.

E isso nos força, mais cedo ou mais tarde, a engolir a pílula que será amarga para alguns. E encarar a realidade que alguns vão achar inaceitável.

As feministas estavam certas. A masculinidade tem, na forma como ela se relaciona com a realidade contemporânea, elementos corruptos, opressores e destrutivos que precisam mudar.

Sim, eu digo isso literalmente. Não, não estou brincando.

De fato, todo o cerne do meu argumento é que a degradação social monstruosa que nós estamos vendo, mais do que qualquer outra coisa, é resultado de masculinidade obsoleta e terrivelmente mal direcionada.

Evidentemente, mesmo que nós procuremos mais profundamente que um nanômetro no assunto, nós descobrimos que a objetividade e razão nos levam por uma trajetória filosófica inteiramente diferente da mentalidade apoplética, distorcida e patológica dos ideólogos feministas.

Para mapear nosso curso, nós faremos duas coisas que as feministas nunca fizeram. Primeiro, vamos olhar para o assunto sem uma agenda politicamente motivada de vingança injustificada ou intenção de dominar a outra metade da população. E dois, nós vamos proceder com o sincero objetivo e beneficiar a todos, não apenas um grupo-elite.

O único lugar sensato para começar é uma compreensão mais embasada da própria masculinidade, algo que não pode ser feito em um ensaio de 3.500 palavras, mas pode, mesmo com um tratamento próximo do apropriado, chegar a conclusões muito melhores do que o que aconteceu nos últimos 40 anos de Estudos da Mulher e de Gênero. Nós podemos confiar nas contribuições combinadas da História, Mitologia, Política e, mais importante, Sociobiologia humana.

Afinal, somos uma espécie de animais cuja própria existência dependeu do desenvolvimento de estratégias reprodutivas, a principal delas sendo que os machos mais agressivos e poderosos são selecionados para acasalamento pelas fêmeas mais viáveis reprodutivamente. Essas estratégias surgiram de um ambiente de necessidade e produziram uma forma eficaz de produzir descendentes com a mais alta probabilidade de sobrevivência. Como uma função de sobrevivência, essa estratégia, e não uma conspiração patriarcal, modelou uma hierarquia masculina, para o que nós hoje chamamos masculinidade.

E esse será o tópico da parte 2 desta série. Uma olhada mais próxima nos homens. E na hierarquia sob a qual eles vivem.

 

Postado originalmente no AVFM em 1o de Julho de 2010. Tradução: Aldir Gracindo.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *