Em Defesa do PATRIARCADO

A humanidade tem o mau hábito ingrato de venerar falsos ídolos. Enquanto artistas ou atletas que serão apagados da história na próxima geração são celebridades, homens e mulheres que trazem contribuição inestimável ao bem estar humano são ignorados. Muitos apreciam as trajetórias de malfeitores como Al Capone ou Bonnie & Clide, mas poucos se interessam pela vida e obra de James Clark Maxwell ou Marie Curie.

A Ciência, por mais vidas que salve a cada avanço, invés de ser digna de gratidão, é mais facilmente temida e odiada, a julgar pelo modo como é retratada em nossas produções cinematográficas, sempre como a responsável por grandes desastres.

Não é de admirar então que outra das mais primordiais instituições sociais da história, capaz de levar a humanidade da selvageria à civilização, esteja sendo há meio século repudiada como se fosse a geratriz de todos os males.

O Feminismo de Segunda Onda, a partir de 1960, declarou guerra ao conceito de Patriarcado, acusando-o de nos retirar de um paraíso para um inferno perpétuo de opressão, com a forçada comparação da condição feminina em relação ao homem, com a condição de escravos em relação a seus senhores.

Mas somente uma completa insensatez ou extrema má fé pode achar que os opressores delegariam para si mesmos as tarefas mais perigosas e pesadas, vivendo menos e se sujeitando a todos os riscos enquanto as supostas oprimidas ficavam na segurança de seus lares. E como se estas, gestando ou amamentando crianças, estivessem ansiosas para se aventurar num mundo inóspito e selvagem, trocando de lugar com os seus “opressores”.

PATRIARCADO é um conceito que ao menos num ponto é pacífico, trata-se de um sistema social onde a função paterna é reconhecida e valorizada, e ao assumir a Responsabilidade por uma família, se torna inevitável que sobre a mesma tenha alguma Autoridade, pois esses valores jamais podem ser desassociados sem produzir terrível injustiça. Hoje a autoridade do marido sobre a esposa não mais se justifica porque ele não é mais legalmente responsabilizado pela segurança dela, nem por suas eventuais dívidas ou crimes, mas vivendo num mundo muito mais perigoso que o atual, a sobrevivência era preocupação prioritária, e suprir essa função sempre coube aos machos da espécie, não somente por sua maior desenvoltura física, mas também pela sua dispensabilidade em termos reprodutivos.

A morte de uma dezena de homens não causa a perda de potencial reprodutivo da morte de uma única mulher, e se houve sociedades que colocaram suas mulheres em risco tanto quanto seus homens, seguramente não duraram muito tempo.

Assim, o Patriarcado é o modelo de sociedade onde os homens abrem mão de sua liberdade e irresponsabilidade para trabalhar não somente para si próprios, mas em prol de uma ou mais mulheres em especial, e das proles destas, e a principal coisa que pedem em troca é a fidelidade sexual como forma de garantir sua patrilinearidade.

Que obrigações os homens selvagens teriam com uma comunidade? Eles poderiam muito bem correr errantes com suas lanças, caçando e trabalhando em pequenos grupos apenas para si mesmos, copulando com mulheres que encontrassem pelo caminho, sem se preocupar em proteger indefesos e vivendo o presente. Mas não é o que ocorre, os homens se associam com as mulheres, formam laços, protegem idosos e crianças, e durante muito tempo isso foi feito de uma forma difusa, sem que soubessem exatamente quais eram os seus descendentes.

Este fora um modelo social viável, mas em algum momento o apego aos próprios descendentes, talvez identificados com traços de similaridade, tornaram a Paternidade Difusa em Paternidade Específica, e muitos decidiram dar atenção especial àqueles que eram sua própria prole, bem como às mães destes. Seguramente a Paternidade Difusa conviveu com a Específica durante muito tempo, mas não demoraria a ficar evidente as vantagens da última. Principalmente para as mulheres!

O que uma mulher prefere? Que todos os homens tratem indiscriminadamente todas as mulheres como iguais, ou que algum lhe dê atenção especial? Ainda mais num contexto de luta pela sobrevivência, ela tende a preferir que ele concentre esforço e engenho nela. Não foram os homens que impuseram a fidelidade às mulheres, mas sim estas que não demoraram a perceber as vantagens de ter um companheiro exclusivo, que sempre colocaria ela e seus filhos em primeiro lugar. Até hoje ainda são as mulheres as mais interessadas em compromisso!

Os rebentos de um pai responsável recebiam tratamento especial, mais dedicação, proteção, melhor treinamento, e mesmo com sua morte, seus objetos pessoais eram herdados por suas mulheres e descendentes, que ficavam mais abastados. Foi uma delirante inversão achar que a propriedade privada deu origem ao Patriarcado! O contrário! Foi o reconhecimento prévio da paternidade e a dedicação dos pais que com o tempo resultou na propriedade privada acumulativa. Retroalimentando a necessidade de confirmação da linhagem, e tornando mais rigorosa a necessidade de fidelidade.

E isso não significou uma imposição arbitrária, pois todas as sociedades sempre tiveram a figura das mulheres sexualmente livres. A diferença é que estas não recebiam a proteção especial que os homens forneciam às mulheres comprometidas, que ficando em nítida vantagem, não por outro motivo prosperaram se tornando maioria. Eis o ”duplo padrão”!

Esse contrato social ao menos por um bom tempo foi livre e mutuamente benéfico, exigindo sacrifícios de ambos os lados, e se tornou tão bem sucedido que com o tempo as mães se tornaram as principais guardiãs da instituição, exigindo o mesmo comportamento comprometido e responsável de suas filhas. Como não iriam querer para elas o que as próprias desejaram?

Não a toa jamais houve civilização matriarcal, pois isto significa um estado praticamente natural onde as partes não assumem compromissos e onde os homens ficam livres para agir como bem quiserem, invés de se empenharem por suas famílias. Houve tribos ou aldeias “matriarcais”, mas as primeiras sociedades patriarcais logo prosperaram e as sobrepujaram, levando-as à extinção. Mesmo hoje há no máximo favelas ou guetos “matriarcais”. Mas todas as grandes sociedades são patriarcais, e somente a ignorância pode pensar que países desenvolvidos onde a instituição do casamento tenha desandado aboliram o patriarcalismo, ainda que o tenham prejudicado, pois este apenas mudou da figura direta para a figura indireta de um Estado Paternalista. Os homens continuam realizando a maior parte dos serviços de infraestrutura e assumindo as funções mais perigosas, além das ciências e tecnologias de ponta, e na maioria das vezes ao menos pagando suas pensões.

Odiar o Patriarcado, apregoar-lhe a origem de todos os males e considerar que o mesmo existe para oprimir mulheres concedendo privilégios a um gênero que até hoje vive menos, morre 10 vezes mais em acidentes de trabalho e continua se sacrificando em defesa do gênero feminino ao menor sinal de perigo, não é apenas uma profunda ignorância. É um atestado insofismável de ódio contra própria civilização e a toda espécie humana.

Marcus Valerio XR
xr.pro.br

17 thoughts on “Em Defesa do PATRIARCADO”

  1. Parabenizo o autor do texto para vivacidade em expor sua ideias, com coerência e simplicidade. Há, porém, no texto acima, uma incorreção crucial que merece o devido destaque e o devido debate. Infere-se do artigo que todas as sociedades foram e continuam sendo patriarcais, o que leva à conclusão de que o modelo de sociedade dos dias de hoje ainda é patriarcal! Com todo respeito, mas, isso é uma ilusão! Qualquer um que tenha mais de quarenta anos de idade viveu parte de sua vida no patriarcado e sabe perfeitamente que aquela realidade acabou há muitos anos (pelo menos quinze). A emancipação feminina, seguida da ascensão do feminismo, pôs um fim a cinco mil anos de patriarcado. Negar isso é ignorar todas as mudanças que o mundo sofreu na década de noventa e que se perpetuam até hoje. Se ainda vivêssemos numa sociedade patriarcal, este “site” simplesmente não existiria, assim como, não existiria AVFM, nem o movimento de direitos masculinos (MHRM)!! Vivi uma parte da minha vida no patriarcado e posso asseverar que aquele mundo não guarda a menor semelhança com o mundo de hoje. As diferenças são muitas e cabais, mas, em resumo, é possível afirmar que, no patriarcado, os homens tinham poder, fama, prestígio e respeito, além de toda a carga de deveres e responsabilidades que a sociedade lhes impunha (havia um equilíbrio entre benefícios e malefícios)! Hoje, os homens (enquanto grupo humano) foram completamente despidos desses atributos, que, paulatinamente, foram transferidos todos para as mulheres (enquanto grupo humano). No entanto, os deveres e responsabilidades permaneceram! Não importa que mais homens trabalhem ou que mais homens estejam em cargos de poder: isso é simplesmente irrelevante!! O trabalho e o poder, nos dias de hoje, são exercidos para beneficiar o sexo feminino, em prejuízo do masculino. É exatamente isso é o que diferencia a extinta sociedade patriarcal da sociedade atual: um matriarcado ginocêntrico e misândrico, onde a mulher é centro do universo, enquanto o homem não passa do burro de carga destinado a sustentar esse sistema. Ou não é isso que vivemos nos dias de hoje?? De resto, o artigo está muito bom, o que denota o bom nível de seu redator.

    1. Prezado Jeovan…

      Obrigado pela mensagem, e não me surpreende que tenha feito esta observação. Na verdade previ argumentos desse tipo, e ainda vou desenvolver melhor o tema em textos posteriores. Mas posso já adiantar por que discordo respeitosamente de sua colocação.

      Ocorre que o principal objetivo do texto é purificar o conceito de patriarcado de todos os males e distorções que o discurso feminista lhe impingiu, e penso que até mesmo você acaba refletindo parte deste discurso em seu comentário, como se o patriarcado, classicamente, legasse um posição privilegiada ao homem, como você mesmo disse “poder, fama, prestígio e respeito” dos quais hoje teriam sido “completamente despidos”. Ora, em algum grau isto é verdadeiro, mas é exatamente a superlação dessas benesses passadas que o Feminismo de Segunda Onda focou, como se isto fosse o principal, e o que apresento nesse texto é que isso é perfeitamente secundário e mesmo dispensável para caracterizar o patriarcado, cuja característica principal é, além da responsabilidade paternal, ser a base de sustentação da civilização.

      O que importa para afirmar que ainda vivemos num modelo patriarcal, ainda que severamente repudiado e odiado, é que além da maioria das crianças ainda terem país responsáveis, ao menos economicamente, continuam sendo os homens que mantém a civilização funcionando, independente de serem, para isso, reconhecidos como benfeitores ou não, e independente de isso se dar em privilégio de um gênero ou outro. É perfeitamente defensável que, na verdade, a civilização sempre existiu mais em benefício das mulheres que dos homens, que sempre viveram mais, com mais segurança e mais conforto. A grande diferença atual é que o reconhecimento disso diminuiu, e o feminismo, por sinal, só conseguiu tamanha façanha graças ao financiamento bilionário de elites perfeitamente patriarcais que o subsidiaram para atacar, sabe-se lá com que motivo, a base de sua própria civilização.

      A maior evidência disso é que se de um lado as mulheres parassem por completo de trabalhar, como em uma greve global, de certo teríamos enormes problemas e mergulharíamos numa crise, mas a civilização permaneceria indefinidamente, como permaneceu ao longo da história, ainda que com muitos problemas adicionais. Mas se fossem os homens que parassem de trabalhar, em um dia o sistema de transporte, correios e entregas pararia, no segundo dia não haveria mais água nem comércio interestadual, pois toda a malha rodoviária e aeroviária paralisaria. Em uma semana no máximo acabariam as telecomunicações e a energia, e antes de um mês a civilização desabaria por completo. Anos depois teríamos um mundo medieval com resquícios de tecnologia avançada que não funcionaria.

      E isso sem sequer tocar na questão da segurança.

      O Patriarcado é, sobretudo, o que nos separa da barbárie, e se ainda estamos na civilização é porque ele permanece, por mais vítima de ingratidão e incompreensão que seja. A questão agora é evitar que tamanho ataque à base de sustentação da sociedade humana não se consuma em definitivo.

      Amigavelmente

      Marcus Valerio XR
      xr.pro.br

      1. E eu próprio ainda estou tentando definir melhor esses conceitos. Por muito tempo considerei que vivemos numa sociedade matriarcal androcrática, que antes deveria ser patriarcal ginocrática, mas atualmente estou revisando esses termos.

        Acrescentando que proponho o arché de patryarchy no sentido de uma autoridade sobre os descendentes, em harmonia com a responsabilidade e em parceria com as mesmas prerrogativas pela mãe. No matriarcado apenas a mãe possui essas prerrogativas diretamente reconhecidas, e evidentemente, sozinha, raramente consegue administrá-las devidamente. O Patriarcado divide esse encargo com os homens, sendo a verdadeira igualdade.

  2. Olá, prezados Marcus Valerio XR e administradores deste site!

    Apreciei este artigo e, entendo a importância de divulgá-lo, solicito-vos a permissão para reproduzi-lo em meu blogue: http://conservadoresateus.blogspot.com

    Se concedida a permissão, por gentileza, informar as condições.

    Grato pela atenção,

    Denner Coutinho,

    Administrador do blogue Cidadão de Moral

    1. Caro Denner…

      Fico feliz que tenha apreciado e não só autorizo como agradeço a divulgação em seu site.

      Como condição, peço apenas o básico: que o texto não sofra alterações, que seja respeitada a autoria (“Marcus Valerio XR”) e que seja fornecido o link para o texto em seu site original, ou seja aqui (http://br.avoiceformen.com/recomendados/em-defesa-do-patriarcado/). Também peço que link meu nome com o do meu site pessoal (http://xr.pro.br/default.html)

      Amigavelmente

      Marcus Valerio XR
      xr.pro.br

  3. Juliesley Alexandre

    Boa tarde Marcus, essa sua explanação sobre o que aconteceria se todos os homens parassem de trabalhar, me lembrou de uma história em quadrinhos muito interessante: Y: THE LAST MAN, recomendo a leitura! Abraços.

  4. Pronto, primeiro comentário Radfem. Eu conheço você, Lindinalva Cordeiro. Você faz propaganda feminista fingida pela internet inteira, dando uma de concern troll, e eu já te expulsei do meu canal do youtube, não é? Vamos ver quanto tempo você dura aqui.

    Quanta inocência radfem, e ingenuidade… se os homens não existissem, haveria menos guerras, menos crimes. Como vocês são hipócritas e se fingem de desinformadas. Nunca ouviram falar da Margareth Thatcher, da ministra feminista condenada pela participação no massacre de Ruanda, não sabem que as mulheres matam os próprios filhos 2x mais que os homens, nem sabem que é a sociedade inteira que faz guerra – só que apenas os homens é que vão matar e morrer no nome das mulheres.

    Se os homens desaparecessem de uma hora para outra, talvez só houvesse massacre a bomba, de longe. Você certamente ia sentir muita diferença, porque ia ter deixar de ser sonsa mentirosa e fazer sua sujeira pessoalmente.

  5. Marcus Valerio XR

    Se for verdade, conclui-se então que as mulheres são, de fato, as maiores beneficiárias do trabalho masculino, sendo dispensadas de ter que fazê-lo. Mas não se esqueça de que não se trata apenas de produção científica, mas do trabalho de base, mais pesado, perigoso e insalubre. A questão seria: Quanto tempo isso demoraria para reerguer essa infraestrutura? Quanto tempo demoraria para mulheres serem treinadas e assumirem serviços como aviação civil, metalurgia, produção energética, mineração etc? De certo, bem mais do que um tempo normal de treinamento nas circunstâncias atuais, e nesse meio tempo haveria um caos sem precedentes.

    Quanto as guerras, lembre-se que seu principal motivador é a disputa por recursos, e não são os homens que os consomem sozinhos. Mesmo que os homens desaparecessem, ou as mulheres teriam que viver com bem menos, ou continuariam disputando recursos, ou, mais provável, teriam que promover um compartilhamento extremamente eficiente, algo que, atualmente a sociedade, homens e mulheres, já estão aprendendo a fazer.

  6. Anderson Torres

    [e mesmo com sua morte, seus objetos pessoais eram herdados por suas mulheres e descendentes, que ficavam mais abastados]

    Mas isto implicaria que a propriedade privada de alguma forma já era reconhecida antes. Pelo menos em uma menor escala.
    Acho que seria mais acertado dizer que ambos andaram lado a lado e entrelaçaram-se: o patriarcado e a fidelidade conjugal dependiam da propriedade privada, ao mesmo tempo que a garantiam e reforçavam.

    1. Marcus Valerio XR

      Pode ser. Mas há que se distinguir sobretudo a propriedade natural individual da propriedade hereditária genética, que exige, neste caso, o reconhecimento da paternidade.

      Na primeira, basta que um alguém obtenha algo com seu próprio esforço para que espontaneamente a maioria reconheça seu direito a ela, como uma alimento obtido, ou uma ferramenta construída.

      Na segunda, é reconhecido o direito de alguém de dispor como quiser de sua propriedade inclusive doando-a para quem quer que seja, no caso, para seus descendentes. E nesse caso que resulta a propriedade acumulativa que é de fato o que interessa quando falamos em Propriedade Privada.

    2. Marcus Valerio XR

      Era conhecida a nível individual e a nível da coletividade, mas não a nível hereditário específico. Antes cada indivíduo poderia ter os seus próprios bens, mas estes eram diluídos na coletividade após sua morte. Depois passaram a ser especificamente herdados por seus descendentes.

  7. Marcus, vou te contestar:

    “Não a toa jamais houve civilização matriarcal”

    Pelo contrário! Jamais existiu civilização que NÃO fosse matriarcal. A própria civilidade é matriarcal! (Já leste ‘Civilização e seus Descontentes’ do Freud?) Da mesma forma, jamais houve civilização que não tivesse patriarcado. Não existe patriarcado sem matriarcado!

    Estou, é claro, usando definições de matriarcado e patriarcado diferentes das suas. Você diz:

    “o Patriarcado é o modelo de sociedade onde os homens abrem mão de sua liberdade e irresponsabilidade para trabalhar não somente para si próprios, mas em prol de uma ou mais mulheres em especial, e das proles destas, e a principal coisa que pedem em troca é a fidelidade sexual como forma de garantir sua patrilinearidade.”

    Bebeu? Bebeu sim! Bebeu o papo furado da ideologia feminista. A patrilinearidade não é e nunca foi fundamentalmente importante aos homens. Tanto é que a gde maioria das culturas – pelo menos as que eu conheço – são matrilíneas. Se não são explicitamente – como o judaísmo – são implicitamente, em que se é naturalmente esperado que os filhos absorvam os valores e tradições da mãe, qdo não são os mesmos do pai.

    Não, patriarcado não é isso; patriarcado são as leis feitas pelos homens, as instituições criadas pelos homens. Patriarcado é o Estado. E o Estado começa no momento em que a humanidade se sedentariza. Até então, dizem os arqueólogos, havia muitos poucos conflitos inter-tribais, e portanto não havia necessidade de força militar. A treta começa qdo os humanos param de perambular, se apropriam de território e começam a acumular comida. Aí têm o que saquear uns dos outros.

    E por que se sedentarizam? Porque faltava comida? Com ctz com a domesticação de animais e grãos passaram a ter muito mais segurança alimentar. Mas a razão fundamental é outra: com os machos correndo atrás de um bizão qq, as fêmeas ficavam vulneráveis. Só elas, permanentemente agachadas catando raízes e nozes, poderiam notar sementes brotandodo chão. Só elas poderiam tb relacionar o crescimento dos seus rebentos e o seu aleitamento ao de outros mamíferos. É evidente que o crédito da invenção da agricultura e da pecuária é das mulheres. E que com essa invenção elas domesticam o mais importante animal para a sua sobrevivência: o homem. Prova disso é que o primeiro grão que domesticaram foi a cevada. E a cerveja sua primeira receita. Da história!

    O patriarcado sempre foi isso: um instrumento do matriarcado. A reclamação das feministas contemporâneas contra patriarcados opressores não está errada. Ela só é hipócrita, porque vemos que reclamam de um patriarcado, mas criaram outro (essa é fundamentalmente a crítica de María del Prado Esteban). Um que prende homens sem direito de defesa, ou até mesmo por falarem a coisa errada para a mulher errada na rua. É um patriarcado feminista, e o lobby feminista o novo matriarcado.

    1. Marcus Valerio XR

      Prezável Andre Levy…

      Nesse caso, ou discute-se a adequação terminológica do meu uso do termo ‘patriarcado’, ou, aceitando-se tal uso, discute-se a estrutura argumentativa e suas consequências. Ao fazer os dois ao mesmo tempo e ainda misturar vários temas distintos sem uma relação direta ou necessária com o assunto, me parece que você também bebeu, só que nesse caso, literalmente, para fazer tamanha confusão num único comentário, o que não esperaria de um articulista inteligente como você.

      Ao pregar a não existência de civilizações matriarcais, evidentemente eu disse que não existiram civilizações Não-Patriarcais, ou seja, cujo desenvolvimento da cultura, das leis, do Estado, não tenham sido majoritariamente feitos pelos homens em decorrência das implicações parentais dessa sociedade. Obviamente, se depreende que jamais houve civilizações onde foram as mulheres, principalmente em função de sua maternidade, as vanguardistas disso tudo, coisa que evidentemente você não pode discordar.

      Se você afirma que existe antes disso um ‘matriarcado’ num sentido primordial, especialmente de teor privado, eu não tenho nada o que objetar, aliás eu mesmo já raciocinei nesses termos, pois [“…bastaria fazer uma distinção entre poderes no sentido Formal / Material, de Direito / de Fato, ou Público / Privado, no sentido de assumir que nossa sociedade é de fato publicamente Androcrática, com os homens na grande maioria dos postos de poder e em larga evidência, mas que em sentido privado ela é essencialmente Matriarcal. Ou poderíamos inverter os termos e declará-la como formalmente Patriarcal mas materialmente Matriarcal.”] http://www.xr.pro.br/ENSAIOS/Warren_Farrell.html (29/11/13)

      E também: [“Na realidade, discordo até mesmo do simples uso dos termos Matriarcal e Patriarcal no Feminismo em geral, preferindo utilizar, por sugestão da própria Riane Eisler, Androcracia e Ginocracia, por achar que os primeiros tendem a fazer mais sentido na esfera privada, e os segundos na pública. De fato, penso que em grande parte nossa sociedade, e até algumas outras mais androcráticas, em parte são matriarcais, mas somente no núcleo familiar. Ou seja, é perfeitamente possível, e penso que seja bem comum, que no lar a autoridade feminina frequentemente supere a masculina, mas isso não afeta a androcracia dominante na sociedade.”] http://www.xr.pro.br/Ensaios/Atracao_Transhumana.html (03/05/12)

      Em suma, sim, posso admitir que toda civilização é originalmente ‘matriarcal’ na esfera privada.

      No entanto, qual são critérios para definir qual é o melhor uso do termo? Porque o seu é melhor que o meu quando sequer os utilizou de uma forma mais sistemática? Ora, para mim, ‘patriarcado’ é conceituado pela sua composição etimológica, que literalmente seria “mando paterno”, e portanto, Pressupõe A PATERNIDADE!

      Ao reduzir o patriarcado ao Estado, você parece ter perdido de vista que o mesmo não diz mero respeito ao homem, ‘andros’, e sim aos pais, ‘pater’. Você está pensando num sentido mais apropriado ao termo ‘Androcracia’, que possivelmente precede o patriarcado, visto que a força física superior e a dominância psicológica de certo devem ter configurado aos homens o liderança de qualquer grupamento humano no sentido, se não público, ao menos coletivo, o que não significa que essa mesma dominância se aplique numa relação interpessoal mais íntima.

      Essa dinâmica pode ser vista até hoje mesmo entre mãe e filhos jovens quando, ainda que seja em geral a autoridade, ela num momento reconhece espontaneamente maior autonomia ao filho numa situação de perigo emergente onde a simples competência física dele se torna vital. Por mais que os filhos respeitassem as mães numa dinâmica matriarcal numa sociedade primitiva, no momento em que as feras ou outras ameaças surgissem e as mulheres se recolhessem em suas cavernas, iglus ou ocas deixando só os homens de fora, como elas poderiam lhes liderar? A simples realidade material dos povos primitivos colocava os homens na liderança em qualquer evento, e a ameaça constante os manteria nesse liderança pública. Disso concluo que quase certamente os grupos humanos sempre foram androcráticos no que se refere à esfera pública, devido as necessidades materiais. Exceto em possíveis “paraísos” temporal e ambientalmente isolados.

      Mas isso não e o Patriarcado! E ele pressupõe sim a linearidade, que realmente jamais foi importante para os homens! Que viveram sem ela por centenas de milhares de anos, mas sim para os pais! Pois essa seria a única forma de assegurar o pacto social que coloca homens a serviço privilegiado de uma ou mais mulheres em especial, nesse revolucionário sistema que nos tirou do primitivismo para a civilização. Note que a Paternidade Especificada não cancela a Maternidade, muito menos a matrilinearidade, que é biologicamente evidente de modo que a paternidade e a patrilinearidade jamais poderia ser. Por isso mesmo a necessidade de reforço social do vínculo biologicamente mais fraco, que é o do pai. Dito assim, o Patriarcado é a verdadeira igualdade no sentido do reconhecimento dos genitores, visto que não muda o fato de que a mãe é automática e inevitavelmente reconhecida. O matriarcado puro e simples, por outro lado só reconhece a mãe.

      O Estado, a Civilização em si, claramente são instituições patriarcais, mas não são o patriarcado em si, que os precede. Como eu já disse:

      [“Inexiste Civilização sem Estado, ou vice-versa. São conceitos interdependentes que dependem de uma capacidade crescente de organização que inevitavelmente exige a capacidade de escrita, permitindo a utilização de instrumentos burocráticos de ordenação social. Assim, um não pode ser a causa primária doutro, ambos resultam de causa anterior.

      O Patriarcado, ou Patriarquia, é a base da Civilização e do Estado, que podemos entender respectivamente como domínios fundamentais da Família, da Cultura e da Política. E isso ocorre porque diferente do simples gangster, que em geral visa apenas o interesse próprio, o patriarca visa o interesse da família que assume, suas uma ou mais esposas e seus filhos. Por viver para algo além de si próprio, precisa de maior organização e alianças, e transmite seu poder acumulado para seus descendentes.

      E é esse progressivo acúmulo de riqueza, conhecimento e sofisticação que vem resultar no mundo que vivemos hoje. Dos Bandos, às Tribos, às Patriarquias, à Civilização(…)”] http://www.xr.pro.br/NOVEMBRO2015.HTML (20/11/15), originalmente postado no Facebook em https://www.facebook.com/MarcusValerioXR/posts/10208329293252946

      Portanto o Patriarcado não pode se resumir ao Estado, as Leis, ou demais valores e produções da Cultura, é preciso uma definição primordial, nuclear e essencial que o caracterize.

      No mais, você acrescentou vários outros pontos controversos, alguns que até podem ser entendidos à revelia do Patriarcado. As evidências e teorias sobra as origens da agricultura, a fixação sedentária ou mesmo a frequência das hostilidades pré estatais são muito mais polêmicas do que o mero tema do Patriarcado, e aí você sim, tem reverberado algumas crenças feministas que visam dar maior importância ao papel feminino no desenvolvimento humano.

      Ainda assim algumas de suas afirmações são praticamente auto refutatórias, como: [“E o Estado começa no momento em que a humanidade se sedentariza.”] Primeiro porque “A Humanidade” em si nunca se sedentarizou, muitíssimo menos Num Momento! Até hoje existem nômades, e a maioria das civilizações coexistiu com o nomadismo ou mesmo as tribos fixas Não-Estatais que podem se sedentarizar num determinado nicho por tempo indefinido.

      Além do mais, se assim fosse, como explicar os Patriarcados nômades não somente nas antigas tribos israelitas como até mesmo hoje nos ciganos?!

      E para finalizar, embora sem esgotar as incoerências de seu acidentado discurso, as feministas estão sim erradas em suas reclamações contemporâneas contra “patriarcados opressores”, porque estes jamais foram antagônicos aos interesses femininos, pois como você mesmo contraditoriamente disse: [“O patriarcado sempre foi isso: um instrumento do matriarcado.”] (Eu preferiria dizer do Ginocentrismo.) Como raios um instrumento do matriarcado poderia ser opressor contra as mulheres?! Bem, talvez se você deixasse bem clara a distinção entre ‘mães’ e ‘mulheres’, mas como já vimos, especialmente num sentido primitivo elas são indissociáveis, ao passo que ‘pais’ e ‘homens’, esses sim são facilmente dissociáveis! E é exatamente para corrigir essa desassociação que o Patriarcado surgiu!

      E por favor, se quiser continuar esse debate, tome mais cuidado com as terminologias, pense melhor antes de escrever e estude mais o assunto. Um autor perspicaz como você, devidamente preparado e motivado, pode contribuir muito para o esclarecimento e aperfeiçoamento do tema.

      Desde que esteja devidamente sóbrio.

      Amigavelmente

      Marcus Valerio XR

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *