Dia Internacional da Mulher: Promovendo a Guerra “de Gênero”

Os Dias Internacionais do Homem e da Mulher envolvem vários objetivos, ambos os dias destacando questões consideradas específicas dos homens e das mulheres. A seguir, destacamos duas correntes centrais do D.I.M. e do D.I.H., respectivamente: a suposta luta das mulheres contra a opressão e o interesse dos homens de promover reconhecimento positivo dos homens e meninos numa sociedade misândrica.

Existem muitos mitos populares envolvendo o Dia Internacional da Mulher. E após uma pesquisa da literatura relacionada, vários relatos aparentemente criaram confusão para escritores. Por exemplo, uma falsidade amplamente divulgada sobre o DIM que surgiu nos círculos comunistas franceses alegava que mulheres trabalhadoras da indústria de roupas e tecidos fizeram um protesto em 8 de março de 1857 em Nova Iorque. Esta história dava conta que as trabalhadoras de vestuário protestavam contra péssimas condições de trabalho e salários e foram atacadas e dispersas pela polícia. Alegou-se que este evento levou a uma passeata em comemoração em comemoração de seu 5º aniversário (em 1907), este encontro comemorativo constituindo o primeiro Dia Internacional da Mulher. Em resposta a essas lendas, Temma Kaplan explica que “Não se mostra evidência de nenhum dos dois eventos, mas muitos europeus pensam que 8 de março de 1907 inaugurou o Dia Internacional da Mulher”.

Estas fantasias de origens claramente posicionam o Dia Internacional da Mulher em uma narrativa das mulheres como vítimas, mas vão além. Especulando sobre as origens da lenda de 1857, Liliane Kandel e Françoise Picq sugeriram que era provável que alguns podem ter pensado ser conveniente desconectar o Dia Internacional da Mulher da sua origem na História Soviética e atribuir ao dia uma origem “internacional” que poderia ser vendida como mais antiga que o bolchevismo e mais espontânea que uma decisão de Congresso, ou iniciativa daquelas mulheres afiliadas ao Partido Comunista.2

Enquanto inúmeras estórias apócrifas dessa natureza existem, podemos dizer com segurança que o Dia Internacional da Mulher foi primeiro celebrado pela socialista Clara Zetkin em 1910, como uma forma de promover objetivos políticos socialistas e foi sempre chamado pelo nome político “Dia Internacional da Mulher Trabalhadora”. O evento foi primeiro observado dentro dos limites do Bloco Soviético. Só a partir de 1970, quando mulheres fora da “cortina de ferro” procuraram celebrar o evento que o termo “mulheres trabalhadoras” foi cada vez mais omitido, juntamente com muito do seu significado socialista.

A partir dos anos 70, o Dia Internacional da Mulher foi sujeito à revisão feminista. Enquanto o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora era usado para chamar atenção à opressão da mulher pela classe dominante burguesa de homens e mulheres, as feministas da década de 70 alteraram os fundamentos do dia, afirmando que agora teriam sido só os homens, uma classe de “chauvinistas”, que detinham todo o poder sobre todas as mulheres, essas tendo se tornado vítimas da dominação masculina. Era agora a dominação opressiva dos homens que o Dia Internacional vinha destronar.

Um momento decisivo do revisionismo feminista veio das Nações Unidas, que oficialmente endossaram o evento no final da década de 70. Juntamente com o apoio, a ONU trabalhou duro para eliminar os traços socialistas do Dia Internacional da Mulher, algo que não foi aceito por muitos grupos de mulheres socialistas. Por exemplo, em 1980, na Suécia, o “Grupp 8”, de mulheres socialistas, rejeitou trabalhar juntamente com outras organizações de mulheres para promover o Dia Internacional da Mulher, porque queriam manter as origens socialistas do evento: “Nós agora conduzimos muitas discussões dentro de nossa organização e chegamos à conclusão de que, como representantes do movimento das mulheres socialistas, nós não podemos fazer parte de uma demonstração conjunta em 8 de março. Afinal, do ponto de vista histórico, 8 de março é o “Dia Internacional da Mulher Socialista” e nossa organização pensa que isso deveria permanecer absolutamente assim. Mudar isso seria como mudar o 1º de Maio. Por essa razão, nós não poderemos apoiar o apelo da ONU.”3 O evento revisado foi visto por muitos como uma traição tanto da História quanto dos objetivos fundamentais do dia.

Slogan popular que circulou no Dia Internacional da Mulher em pôsteres, bottons, camisetas, adesivos e mídia impressa.
Slogan popular que circulou no Dia Internacional da Mulher em pôsteres, bottons, camisetas, adesivos e mídia impressa.

Com essa nova mudança ideológica, as mulheres não eram mais vistas como parte da classe dominante e do grupo antes opressor das mulheres – ou seja, o capitalismo: esquemas tradicionais de esquemas impostos por homens e mulheres com poder; várias leis, linguagens e assim por diante – foram reduzidos a um inimigo único e abrangente: os homens e seu Sistema Patriarcal. As novas bases ideológicas do Dia Internacional da Mulher foram elaboradas no fim dos anos 70 e nos 80, sob a rubrica “teoria do patriarcado”4 e sua chegada foi correlacionada com um forte aumento no número de mulheres observando o Dia Internacional da Mulher,5 um interesse gerado pelas crescentes preocupações e medos pela “opressão patriarcal” das mulheres.

É verdade que mulheres buscaram desmantelar estereótipos restritivos de gênero, mas o D.I.M. demonstra estar mais preocupado em perpetuar esses estereótipos do que em desmantelá-los. À luz das explicações ultra simplistas propostas pela “teoria do Patriarcado”6, espera-se que quaisquer problemas que as mulheres ainda enfrentem serão explorados de formas mais sofisticadas e pormenorizadas para dar ao Dia Internacional da Mulher uma plataforma ainda mais convincente para promover igualdade de gênero e melhorar as relações de gênero.

O Dia Internacional do homem, conforme concebido pelo Dr. Jerome Teelucksingh em 1999, tem uma base ideológica inteiramente diferente, tanto nas fases inicial quanto posterior, ao Dia Internacional da Mulher. Embora os objetivos do Dia Internacional do Homem ocasionalmente estejam em interseção com os do Dia Internacional da Mulher, como defender a tratamento igual a ambos os sexos, o primeiro se preocupa principalmente com celebrar as representações positivas dos homens e outras questões específicas às experiências dos homens e meninos. Essa abordagem é considerada necessária em um contexto social que é muitas vezes fascinado com imagens de homens agindo mal, como a retratação feita pela mídia de homens como idiotas, emocionalmente incompetentes, gananciosos, violentos, perigosos, sedentos de poder, egoístas, irresponsáveis e assim por diante. Esses estereótipos masculinos negativos são frequentemente promovidos numa tentativa de obrigar, por via da humilhação, os homens e meninos a agir mais positivamente, ignorando o fato de que esses comportamentos negativos não se aplicam à vasta maioria de homens e meninos, ou que essa negatividade poderá impactar de forma muito negativa a autoimagem e autoestima dos meninos, o que por sua vez traga impacto sobre sua disposição de investir em relacionamentos sociais nas comunidades. Destacando imagens positivas de homens, o Dia Internacional do Homem procura mostrar que seres humanos masculinos de todas as idades respondem mais de forma mais enérgica a imagens positivas do que a estereotipização negativa.

Em suma, O Dia Internacional da Mulher começou como um dia para promover objetivos socialistas, especialmente para as mulheres proletárias, para lutar contra a opressão das poderosas classes dominantes formadas tanto por homens quanto mulheres. Nos anos 1970, o evento se tornou um novo movimento a declarar que os homens somente oprimiram as mulheres e que o Dia Internacional da Mulher será um veículo para destacar, principalmente, os resultados de uma suposta guerra de gêneros. Em outras palavras, o foco do Dia Internacional da Mulher mudou de uma guerra de classes para uma guerra de gêneros.

O Dia Internacional do Homem não se baseia numa guerra de gêneros, mas para principalmente celebrar imagens positivas dos homens como alternativa à estereotipização negativa do masculino, o objetivo sendo inspirar as novas gerações de homens e meninos a desenvolver senso de valor próprio e um desejo de participar em uma sociedade que irá (espera-se) um dia ser livre de misandria.

Referências:

[1] Temma Kaplan, On the Socialist Origins of International Women’s Day, in: Feminist Studies, 11, 1985, S. 163-171.
[2] Liliane Kandel / Françoise Picq, Le Mythe des origines à propos de la journée internationale des femmes, in: La Revue d’en face, 12, 1982, S. 67-80.
[3] Silke Neunsinger, Worlds Of Women; International Material in the Collections of ARAB, p23 – letter by Grupp 8, Stockholm, 1981
[4] Lindsey German, Theories of Patriarchy in International Socialism second series no 12. 1981.
[5] 1900-2010: Increased interest in IWD correlates with the emergence of ‘patriarchy theory’.
Timelines-patriarchy

Originalmente postado em A Voice for Men. Tradução: Aldir Gracindo.

5 thoughts on “Dia Internacional da Mulher: Promovendo a Guerra “de Gênero””

    1. Rômulo Barbosa

      Já foi, playboy. Não há o que falar de que todos são iguais perante a lei, se a lei não é igual perante todos.
      Mas isso é o de menos porque a dita lei do feminicídio não atinge os homens que são a força motriz da sociedade, então não faz nenhuma diferença. Criminoso tem que ir para a prisão. Fodam-se as condições do crime.

      Eu tenho acompanhado de perto a ação dos grupos antifeministas e infelizmente tenho visto muita gente atacar as feministas da mesma forma que elas agem, com mentiras e falácias.

      Partindo do princípio que o objetivo do feminismo é simplesmente ser um braço do movimento revolucionário que visa causar o caos na sociedade, colocando mulheres contra os homens e assim, minando o pilar máximo da sociedade que é a família. Que diferença irá fazer a existência de grupos antifeministas que usam dos mesmos discursos de ódio que muitas vezes acabam atingindo as mulheres não feministas?
      O caos na sociedade só tende a aumentar e o objetivo do movimento revolucionário segue a todo vapor.

      Então cabe a todo o intelectual antifeminista buscar orientar essa rapaziada que anda fazendo merda e dando motivos para que as feministas ridicularizem o movimento de oposição. A maioria das mulheres que se dizem feministas são na verdade, vítimas do feminismo, pois acreditam realmente que o feminismo tenha alguma coisa a ver com igualdade e que ela pode a qualquer momento vir a ser estuprada por um amigo ou parente.

      Homens: Protejam as mulheres dessa violência psicológica. Elas são as suas esposas e suas filhas. Sejamos razoáveis ao avaliar cada caso.

      1. Marcus Valerio XR

        Mas aí vejo erros em cima de erros. O objetivo do Feminismo não é promover uma revolução coisa alguma. É sim enfraquecer a família e promover a guerra dos sexos, mas com vista a enfraquecer uma possível resistência social contra um projeto tecnocrático mega corporativo que se alastra como praga, e ainda usa a “ameaça comunista” como forma de dar mais força a sua agenda econômica liberal. Em suma, é transferir o foco da sociedade da vida familiar, privada e afetiva, para a vida empresarial, consumista e submissa aos ditames do mercado. Não é por outro motivo que o Feminismo é financiado pela nata das megacorps.

        Também não há objetivo de “supremacia feminina” coisa alguma. Pode até querer dar essa impressão, mas apenas porque sabe que como um grupo mulheres nunca terão a arquitetura psicossocial necessária para realmente conduzir a sociedade, que continuará, para qualquer efeito prático, totalmente dependente do trabalho e iniciativa masculinas.

        1. Rômulo Barbosa

          Ok. Eu sei que você manja do tema. Em vez que questionar os teus argumentos no sentido de validar os meus, continuarei a ler tuas publicações. Depois trocamos mais ideias.

        2. “O objetivo do Feminismo é enfraquecer a família.”

          “…mulheres nunca terão a arquitetura psicossocial necessária para realmente conduzir a sociedade, que continuará, para qualquer efeito prático, totalmente dependente do trabalho e iniciativa masculinas.”

          Estou me desligando deste site depois de ler isso.
          Que “família” o feminismo quer enfraquecer? E que “família” o masculinismo quer preservar? Será que vocês rejeitam a existência e a legitimidade de modelos alternativos de família,que destoem dos padrões centrados no casal monogâmico heterossexual e com filhos?
          E baseado em que você afirma que “mulheres nunca terão a arquitetura psicossocial necessária para conduzir a sociedade”? Pelo amor,você não vai vir com pesquisas deterministas,vai?! Então você nunca ouviu falar dos povos com culturas matriarcais? Nunca ouviu falar na antropóloga Margaret Mead e seu famoso livro “Sexo e Temperamento”? A visão da genética como determinista para as atitudes de homens e mulheres é ultrapassada,e ignora que os fatores psicológicos e sociais também influenciam o ser humano. As diferenças entre homens e mulheres não são tão fixas,sendo que os papéis já se inverteram em vários momentos históricos e, mesmo biologicamente,existem indivíduos de um sexo que possuem,por enésimas causas possíveis,traços físicos do outro sexo,a natureza não é tão criteriosa e determinista.
          E não acho que um sexo deva ser o “condutor da sociedade”,será que é isso que o masculinismo prega?Se for assim,acho que me identifico mais com o feminismo,mesmo que seja um movimento com viés esquerdista.
          Não vou me juntar a um bando de homens obtusos que querem a volta do homem-chefe de família-provedor e da mulherzinha caseira. Prefiro me juntar às sapatões e aos viados feministas mesmo,pois eles parecem ter uma mentalidade mais aberta e ponderada.

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