“OPRIMIMOS” MULHER NO FUTEBOL! E na Ciência, tecnologia, política, empreendedorismo…

Quando homem gosta de uma coisa que quase ninguém curte, pouca gente paga para ver, não caiu no gosto do povão, a qualidade é questionada, mas ele gosta, então:

– Paga do bolso e segue consumindo

– Forma aquela comunidade marginal, de nicho, dedicada ao que aqueles poucos apreciam

– Um, ou poucos canais de TV mostram ou não os eventos, ele assiste, acompanha tudo

– Com o tempo, aquilo ganha uma aura de charme, mesmo que ridicularizem, mas a persistente e independente paixão de alguns basta para o efeito. Ou cai no gosto popular

– Se cair no gosto do povão, logo vai ter feminista falando que todo aquele ambiente tem que ser reformado porque “é ambiente masculino, machista, não é acolhedor para as mulheres, mulheres ‘ainda precisam lutar pelo direito’ de poder também estar ali”, porque mulher “sempre tem que lutar muuuito” por tudo.

Se esse homem tivesse a mentalidade feminista, ele faria assim:

– Ela tanto não assiste que diz que “não foi transmitido por nenhum canal”, só que foi.

– Ela não tem paixão pela coisa, a paixão é por reclamar, culpar o “machismo estrutural” e exigir que tirem alguma coisa de homem para investir naquilo, porque ela senão ela chora e outras vão chorar. E mulher chorando não pode. Se mulher chorar, precisamos urgentemente fazer alguma coisa para agradá-las.

– Faz textão copiado de outro textão.

– Diz que isso é “só uma das inúmeras formas de violência contra a mulher”. Porque, né, é o “sistema machista”.

– Se discordar, é “prova dessa violência sistêmica”.

– Logo tem empresas, grupos de homens puxa-saco, políticos consternados e criam uma nova lei de cotas, reservas, política pública, porque sim.

É claro que eu não estou dizendo que toda mulher é assim. Também não estou dizendo que as mulheres são todas cúmplices de um sistema de opressão contra os homens – eu não sou uma feminista do avesso.

E é certo que o futebol não é um gosto de poucos, é o esporte mais popular do planeta. Uma das razões disso é que gente pobre, vivendo com falta de condições e oportunidade, pode jogar com os amigos. Basta uma bola de pano, de papelão, folha de bananeira, pano, lixo. A vontade de pisar no chão, na terra, na lama e fazer um jogo físico onde você pode levar canelada, “destampar” o dedão, driblar, correr, se esquivar, bloquear, chutar, defender, fazer um gol foi compartilhada por uma multidão e meninos pobres, as meninas foram e ainda são minoria procurando diversão na várzea.

Futebol é parecido com a feijoada: Primeiro veio a privação, o aproveitamento do resto, da sobra, o improviso, o pé descalço na terra, na lama, depois é que veio o reconhecimento como “grande arte”, as taças, as multidões aclamando, a fama, a chiquice.

Agora tem várias tentativas de culpar os homens, com o velho eufemismo da “sociedade machista”, “preconceito”, “discriminação”.

No Corinthians, fazem aquela ridícula campanha reunindo o que tinham encontrado de frases ditas por quem não botou fé em mulher boleira. Quanto tempo passou de gente ridicularizando os “onze idiotas atrás de uma bola só”, o cara que joga mal, o frango, o pé duro? Quantos grandes jogadores foram chutados, socados, tiveram ossos quebrados, tendões rompidos por adversário invejoso? E aquela bola de lixo que era atestado de miséria, a molecada suja, suada, ralada, não bem-vinda e favelada? E aqueles jogadores que hoje mesmo passam a vida nos clubes pequenos ganhando miséria, eternamente humilhados por não conseguirem sustentar as famílias, sem que ninguém faça propaganda do que as pessoas falam deles? Quantas vezes você já viu mulher desdenhar do gosto de homem por futebol e automóvel, para depois pegar aquela carona nos dois? E depois dizer que é vítima de discriminação?

Aconteceu coisa parecida com os gamers. Eram mal vistos, eram os “virjões”, eram sistematicamente ridicularizados – de forma bem sexista, inclusive – até os jogos conquistarem um mercado e aí veio a Anita Sarkeesian para dizer que a falta de mulheres no meio era devida ao ambiente ser “muito machista”. Na verdade, como qualquer gamer sabe, games são bastante meritocráticos e ainda têm vantagens conhecidas (dos gamers) para mulheres. O mesmo com o Rock. As histórias em quadrinhos. Os bicicleteiros montanhistas, os skatistas.

A PepsiCo, cuja presidente é mulher, está em plena campanha para ter “mais mulheres executivas”. A Samsung, com uma campanha por “mais mulheres na tecnologia”. Por que não “mais mulheres” no esgoto, no lixo, onde os homens também são maioria? Porque nem a maioria dos homens, nem das mulheres, acha certo esse lado da igualdade.

Dizem que as mulheres só não figuram em número equivalente entre os gênios da ciência por causa de discriminação. Isso é curioso, porque em geral, as mulheres tendem a ficar na inteligência mediana e os homens vão, como em tantas coisas eles vão, para os extremos: Eles são a maioria entre os gênios e a maioria entre os idiotas. Mas não se vê falar que as mulheres só não estão em igualdade entre os idiotas por causa de preconceito, ou que os homens são maioria entre aqueles por preconceito. Se ouve, claro, muitas vezes, que “as mulheres são mais inteligentes que os homens” – porque, mesmo sendo mentira, é o tipo de coisa que agrada as pessoas ouvir, então ficamos obrigados a fingir que é assim. 

Eu tenho outra hipótese a considerar, uma possível explicação de por que as mulheres foram minoria entre os gênios em todas as Ciências e Artes: porque elas não precisaram disso.

Certa vez uma feminista me disse que “tudo que ela queria” era ser heroína dela mesma – não viver em um mundo onde os homens fossem glorificados por serem heróis e as mulheres relegadas ao papel de fracas, frágeis donzelas em perigo – por isso ela era feminista. A minha resposta foi: “Morra por alguém”. Dê a sua vida para pelo menos uma pessoa poder viver. Simples. É assim, com tantos homens morrendo para outras pessoas viverem por toda a História, que passaram a associar homem com herói e herói com homem. Com as vantagens e desvantagens para os dois lados. Se você acha ruim acharem que você não pode ser heroína por ser mulher, acharem que você tem a obrigação de ser herói para vir a ser “homem de verdade” não é privilégio algum.

Me lembro que em 2014, um menino mexicano de 15 anos morreu de heroísmo. Ele tinha uma mãe doente, era pobre, não tinha dinheiro para comprar os remédios, via impotente o sofrimento da mãe todos os dias. Achou que deveria arriscar tudo para tentar encontrar um emprego como imigrante ilegal nos EUA. Era tudo ou nada. Seu cadáver foi encontrado no deserto do Texas.

Outra vez, lendo sobre questões masculinas, encontrei a história de um médico. Ele viveu antes da comprovação da existência dos microrganismos causadores de doenças. Algumas observações cotidianas dele o fizeram crer que micróbios existiam e eram causa de doenças. Passou a vida inteira se dedicando a tentar provar isso e foi ridicularizado, rejeitado, humilhado a vida inteira por causa dessa paixão. Essa obsessão com uma coisa que ele cria piamente ser verdade e importantíssima. Perdeu muito por causa disso financeiramente, na carreira, na vida pessoal. Mesmo lutando a vida inteira, morreu desacreditado, sem provar sua teoria. Viveu apaixonado, obsessivo, extremado, idealista, dedicado ao que acreditava ser tão importante. E nem eu, agora, consigo me lembrar seu nome. Viveu feito homem, morreu feito homem.

Eu não sou tradicionalista, mas também reconheço uma realidade pragmática. Sinto compaixão quando vejo a história dos homens, mas também sei que, sem a necessidade, eles não teriam desenvolvido certas características. E sem essas características, nós não teríamos muita coisa que temos hoje.

Margaret Thacher, a famosa política liberal-conservadora do Reino Unido que se tornou Primeira-Ministra, foi celebrizada, inclusive, em um filme biográfico. O preconceito contra ela, por ser mulher, foi mostrado nesse filme. O fato de ela ter sido apelidada de “dama de ferro” e ter tido o privilégio de não ser tão atacada quanto políticos homens ao enviar homens para a guerra sem jamais ter ido ela própria, não foi abordado. Mas outra uma coisa aparece no filme, mesmo que sutilmente: Na velhice, mesmo antes de ela começar a apresentar sintomas de demência, os filhos dela não eram mais tão filhos dela quanto eram assim. Quem quer vencer no jogo de tubarões, mitomaníacos, corruptos e psicopatas que é a Política ou a chefia das grandes empresas, seja homem ou mulher, precisa de muita dedicação, obstinação, frieza e dureza. Os filhos sentem isso desde quando eles são ainda bem pequenos, carentes e tenros de uma forma que eles não esquecem nunca mais.

Como a internet é assolada pelo analfabetismo funcional, e mesmo quando não é o caso, não custa esclarecer: Eu não estou dizendo que mulher deve ser sentenciada a prisão perpétua na cozinha, lavando a louça. Também, choque-se quem quiser, o lugar de mulher não é onde ela quiser. Homem não tem direito a chegar onde quiser, de ser levado a qualquer lugar pela mãozinha, por cota, em detrimento de quem é mais competente que ele. Feministas dizem que eles têm, não é? Porque feminista é uma merda.

Enfim, voltando ao futebol. Além do já conhecido – e, ultimamente, sistematicamente ignorado – desempenho físico próprio dos homens no futebol, existe bastante História. Esse domínio masculino do futebol, como de várias outras áreas, tem por trás uma trajetória evolutiva – ambiental e societal – que cobrou e cobra um preço deles. Eles merecem estar lá.

Homem não gosta de ter que ficar falando esse tipo de coisa, mas acho que alguém devia falar, então eu falo.

Se o futebol feminino tem vitórias para mostrar, isso deveria bastar. Em vez de ficar reclamando do apoio que ninguém teve no início. Porque quem realmente criou esse fenômeno mundial não foram nobres ingleses, chineses ou japoneses, com apoio e condições favoráveis. O sucesso do futebol, como de outras áreas tipicamente dominadas por homens, nasceu justamente da precariedade, das condições desfavoráveis, contrárias. Ninguém nasce merecendo os holofotes, a fama e a fortuna. Muitos meninos jogam futebol sonhando em ser famosos e ricos, sem dúvida. Mas, mesmo que o futebol não tivesse fortunas de patrocínio e investimento, os meninos ainda jogariam futebol na várzea, na rua, na terra, na lama.

O que eu penso é que, se você é mulher e quer ter uma coisa que os homens têm, pelo menos faça o que eles fazem. Eles fazem mesmo com críticas, sem glamour, reconhecimento e apoio. Fazem até quando isso lhes custa muito ou tudo. As críticas e deboche ferem as mulheres? Sim. Não só elas.

E também não estou fazendo apologia do bullying. Digo, sim, um simples fato: Os homens não tiraram de você tudo que eles próprios construíram do nada e agora você também quer.

Então, se você é mulher, há 3 formas de lidar com isso:

Uma: Siga o caminho do menor esforço. Fique no conforto, onde é mais seguro, como mulheres, historicamente, tendem a preferir. Onde é mais seguro. É onde as sociedades humanas, também, tendem a preferir que mulher fique e tantas vezes as obrigaram a isso. Onde a qualidade de vida é melhor, onde não tem o topo, mas também não tem o fosso.

Segunda: Seja uma merda. Repita, como uma feminista, a cantilena mentirosa de que tudo pelo que os homens são reconhecidos e você não, é coisa que eles “tiraram” de você. Exija, com essas acusações psicopatológicas, ter as vantagens de ser mulher e as de ser homem também, sem aceitar pagar nenhum dos preços.

Ou (terceira) tenha aquele tipo de paixão de homem. Mostre resultados como eles, eu suponho que você chegue onde eles chegaram. Ou não chegue. Igual homem.

Edt.: O nome do médico que eu não me lembrava é Ignaz Semmelweis, pioneiro em procedimentos antissepticos. Uma biografia que vale a pena conhecer. – Aldir.

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