“Femismo” não existe. Feminismo, sim. E aqui está o porquê

Comentário editorial:

“Isso aí não é feminismo, isso é femismo” é uma das falácias ralas com que se tem que lidar normalmente sempre que o núcleo de ódio do movimento e ideologia feministas forem expostos e criticados. Por ser tão estúpida e repetitiva, é um incômodo com que antifeministas têm que lidar É uma variação da falácia do escocês de verdade, onde, se algo das ideias ou ações feministas não são defensáveis, “não é feminismo de verdade.”

Eu considero essa uma das mais primárias deflexões contidas em um comportamento que eu (não só eu) chamo de “Solipsismo feminista”: a aversão que não só feministas como pessoas de consciência permeada pela colonização cultural ideológica feminista exibem e que leva essas pessoas a negar fatos de diferentes formas.

Essa desonestidade e/ou ignorância normalmente surge associada à arrogância do emissor da distorção: Ele(a) é quem sabe o que é “feminismo verdadeiro” e quem não comunga da mesma visão desonesta/ignorante é que é “o verdadeiro ignorante,” “que não estudou”, “que não conhece” o feminismo.

Curioso, também, é que sempre que alguma dessas pessoas ignorantes, principalmente homens, expressam “feminismo não é femismo” diante de um grupo de feministas, elas o atacam e renegam o que ele diz. E mesmo essa mensagem direta, expressa e clara, é ignorada pelos ignorantes voluntários. 

Muitas vezes, essa falácia se baseia em outra: A do apelo ao dicionário. Se o movimento feminista conseguiu que a autodefinição que o próprio movimento dá a si próprio estivesse no dicionário, então o que está no dicionário é a verdade sobre o feminismo e não haveria outra. É como dizer que “PT é o partido dos trabalhadores” porque os criadores do partido obtivessem, tivessem conseguido que, de alguma forma, a definição deles sobre si próprios fosse oficial – portanto o único partido dos trabalhadores é o PT e PT é nada além de “o partido dos trabalhadores”, que representam pura e simplesmente “os trabalhadores” e sem o qual os trabalhadores não tivessem quem os representasse ou defendesse.

A realidade é que o ódio, desonestidade e a sociopatia não só são parte inseparável do feminismo, como não há feminismo sem “femismo”, começando pela teoria da opressão propagada pelo feminismo. E não só isso: O feminismo mais odioso não é sequer periférico, minoritário: Eu e outros que conhecemos o feminismo por fora e por dentro, em prática e teoria, sabemos que o ódio é o cerne teórico e a liderança do movimento feminista.

Esse era um tema que eu mesmo pretendia abordar, porque é importante. Felizmente, não preciso abranger tudo sozinho. Dou as boas vindas a Eduard Linz, novo contribuinte do AVfM, que se propôs a analisar essa falácia neste texto, intentando ele que seja a primeira parte de uma série de artigos.

– Aldir Gracindo.

Sobre as vertentes contemporâneas do feminismo – Parte 1: O feminismo e as suas intenções

A afirmação que intitula esse post certamente não é nenhuma novidade para vocês. Mas decidi iniciar por ela já que ainda existem muitos homens que defendem “o feminismo” a todo custo ou porque possuem um conhecimento muito raso do movimento ou porque mesmo conhecendo-o a fundo não passam de famigerados escravocetas.

A finalidade desse primeiro texto é desconstruir a ideia de “feminismo” que a maioria das pessoas têm. Citarei aqui as vertentes de forma pontual, para ilustrar algumas questões necessárias a explicação. Nos textos seguintes falarei sobre cada uma de forma mais direta.

Quando primeiro se entra em contato com “o feminismo” – e o tenho escrito entre aspas para simbolizar a falsa ideia d’ele ser um movimento uniforme – é complicado não concordar com o que é reivindicado: Que mulheres deixem de ser estupradas, que mulheres tenham as mesmas oportunidades que homens, que mulheres deixem de sofrer violência doméstica. Qualquer pessoa em sua sã consciência concordaria com isso. E é aí que mora o perigo: Assumir que “o feminismo” é sinônimo de busca pela igualdade e que, portanto, é legítimo. “Mas como assim você não concorda com “o feminismo” se ele busca igualdade entre homens e mulheres?” E aí você concorda, porque discordar de “igualdade” é uma falha de caráter.

No entanto, caros confrades, nenhum movimento se funda somente em intenções, e sim em modos de agir. Há uma enorme diferença entre fins e meios. E a melhor das intenções não justifica o pior dos meios, de modo que apoiar a igualdade de gênero e apoiar “o feminismo” são coisas absolutamente diferentes. Estudando a fundo, percebemos que esse tal “feminismo” – aquele das redes sociais que costumamos estar de acordo – é somente a ponta do “iceberg” de um movimento não tão inofensivo assim. É a partir de então que podemos começar a falar sobre vertentes – Nesses textos trago três principais (citarei as subvertentes juntamente): O Feminismo Liberal, o Feminismo Interseccional e o Feminismo Radical.

Na realidade, é interessante recuar um pouco esse ponto de partida. Ele não se inicia somente nos meios, mas antes, nas intenções. Existe esse discurso “mainstream”, convencional, de que “o feminismo” busca igualdade entre homens e mulheres (Igualdade de gênero). Contudo, “gênero” é uma categoria interpretada de diversos modos pelas vertentes do feminismo, de forma que uma vertente (Feminismo interseccional) considera a existência de dezenas de gêneros e a outra (Feminismo radical) considera que existem somente dois (que não deveriam existir, de acordo com elas). Explicarei melhor sobre nos textos vindouros.

Além disso, essa perspectiva de “igualdade” pregada pelo movimento em todas as suas vertentes ocorre a partir da ideia de que mulheres são socialmente desprestigiadas em relação aos homens, ou seja, o alcance da igualdade se daria centrado nas mulheres, de modo que dentro da lógica criada pelo movimento de que pessoas sofrem opressões por conta do gênero, os homens padeceriam infinitamente menos de tais questões e seriam privilegiados por isso. Assim, “o feminismo” não se ocupa de eliminar as supostas injustiças cometidas contra homens em função do gênero – somente se isto acarretar em vantagens para as mulheres. Exemplo disso são feministas falando sobre “masculinidade tóxica” como comportamentos impostos aos homens que causam sofrimento aos mesmos, quando se sabe que a real preocupação não é com os homens, e sim com a vantagem que feministas teriam de fragilizar o sexo masculino ao criticar a virilidade, porque assim o domínio e a manipulação tornam-se mais fáceis de serem executados. Assim, pode-se dizer que na realidade, o feminismo busca o fim da “opressão contra a mulher”, de forma que o “fim da opressão contra a mulher” significaria igualar-se a homens “que não sofrem”. Só que sabemos que homens passam sim por dificuldades. Desse modo, dizer que a intenção do feminismo é a busca pela igualdade é parte de um discurso superficial, parte do senso-comum. Esqueçam sobre isso.

Para além desse discurso simplista e raso ainda muito perpetrado sobre as intenções do feminismo, temos ainda discursos mais francos por parte de determinadas vertentes e subvertentes. Existem subvertentes do feminismo radical que já não se escondem mais sob a máscara do discurso da igualdade, e sim defendem que o objetivo do movimento é a criação de uma sociedade gerida por mulheres, o chamado “matriarcado”, ou seja, somente mulheres em posição de poder (mais sobre isso nos próximos textos).

Para concluir, um resumo geral das ideias desse primeiro texto: 1. A concepção sobre o feminismo no senso-comum é de ser um movimento único, pacífico e que busca a igualdade entre os gêneros. 2. O feminismo não é um movimento único, possui vertentes. 3. Concordar com os fins não significa estar de acordo com os meios. No entanto, mesmo os fins são questionáveis. Embora digam que essa é a intenção, nenhuma das vertentes luta pela igualdade plena, pois partem da premissa de que mulheres são mais oprimidas pelas questões de gênero. 4. Por fim, existem vertentes e subvertentes que já incorporam no discurso de forma sincera a ideia de que deveria existir um matriarcado.

Nos próximos textos tratarei de forma mais direta sobre as vertentes. As vertentes do feminismo possuem cada uma teoria sobre a origem da opressão contra a mulher, e modos de reverter esse quadro imaginado de modo diferente, algumas menos agressivas, outras muito mais. “Femismo” portanto, é um termo absolutamente errôneo cunhado por pessoas que não conhecem o feminismo a fundo, e que não entendem que extremismos são o “modus operandi” de vertentes do movimento.

Até.

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