Entrevista a Robson Otto Aguiar – Parte 1: AVFM, masculinismo e MGTOW

Robson “Otto” Aguiar é já foi mencionado por mim no AVFM. Ele me pediu uma entrevista para o seu blog, onde eu pude falar um pouco sobre o que eu penso a respeito de masculinismo, machismo, feminismo e os homens livres, ou MGTOW. São 20 perguntas, das quais estas foram as primeiras 12. Foi postada na íntegra no blog do Otto aqui:

 

1-DIGA O SEU NOME VERDADEIRO?

Claro, é Aldir Gracindo mesmo.

2-CASADO? SOLTEIRO? NAMORANDO?

Solteiro.

3-VISÃO POLÍTICA?

Sou um republicano neoiluminista. Hoje em dia, no Brasil, consideram isso como ser de direita, mas eu acho isso inexato.

4-ONDE VOCÊ NASCEU?

São Paulo, SP.

5-QUAL A SUA RELIGIÃO?

Teísta, mas sem uma religião definida.

6-COMO VOCÊ FICOU SABENDO DA EXISTÊNCIA DO “A VOICE OF MEN”?

Pesquisando sobre direitos dos homens na internet. De início, achei o site muito radical.

7-COMO VOCÊ SE TORNOU REPRESENTANTE DO “A VOICE OF MEN” NO BRASIL?

Acho que eles viram que eu tinha um blog, viram o que eu escrevia. Me convidaram.

8-PARA QUEM NÃO SABE, EXPLIQUE O QUE É O “A VOICE OF MEN”.

O A Voice for Men é o maior site sobre questões masculinas e Direitos Humanos masculinos. Se dedica a publicar contracultura, contrateoria humanista. É um site antimisandria, antifeminista e que não se subordina a partidarismo político.

9-QUAIS SÃO AS BANDEIRAS DO “A VOICE OF MEN”?

Isso pode ser facilmente entendido na declaração de missão e valores no site (http://br.avoiceformen.com/missao-e-valores/) e na política editorial (http://br.avoiceformen.com/politica-editorial/).

10-QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O MASCULINISMO NO MUNDO?

Vou tentar sintetizar: Eu não uso o termo “masculinismo” para me referir a direitos dos homens, porque eu não penso como a maioria dos chamados “masculinistas”. O Masculinismo se tornou tomado por ideólogos e cabos eleitorais partidários, além de uma quantidade muito grande de desequilibrados. Mas eu penso que estamos encontrando nosso caminho para mandar nossa mensagem.

11-QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O MASCULINISMO NO BRASIL?

Eu penso que o movimento por direitos dos homens pode avançar mais. Podemos ter um caminho próprio, que não é de direita ou esquerda, nem entrar em uma guerra estúpida dos sexos. O AVFM tem uma missão específica nisso: Apoiar, dar mais voz e vazão e semear informações e uma visão sobre HOMENS, não sobre servilismo a Estado, ginocentrismo, misoginia ou tradicionalismo. Acho que estamos em um momento de criar algumas pontes e incendiar outras, conforme for a opção de caminho, ou filosofia, de cada um.

12-VOCÊ NÃO ACHA QUE O MASCULINISMO É MAL REPRESENTADO? O “MGTOWN” E O “MOVIMENTO DA REAL” MAIS AJUDAM DO QUE ATRAPALHAM.

Eu tenho minhas divergências com o pessoal da Real, tanto que não faço parte deles. Mas o relacionamento deles comigo, das lideranças, é respeitoso. Pelo menos por enquanto. Como eles me tratam assim, eu retribuo e mantemos a cordialidade e as diferenças. As diferenças e as concordâncias têm que ficar claras, até para as pessoas que acompanham isso entenderem e formarem suas opiniões independentemente. Minhas minhas críticas aos realistas incluem se submeterem demais ao conservadorismo de direita (alimentando a ilusão de que misandria é coisa SOMENTE da esquerda), a religião, à ridícula cruzada anti-homossexualidade, códigos de “honra masculina” que eu considero conter distorções e servilismo. E outras coisas.

Mas, como eu disse, surpreendentemente meu relacionamento com eles é mutuamente respeitoso até o momento, mantidas as diferenças de abordagem, retórica e visão. Talvez eles respeitem meu respeito pela masculinidade. Não submeto nosso movimento ao feminismo, não faço concessões à misandria, não defendo manginismo – mas também ataco o cavaleirismo branco, conservador (ou “conservoceta”, como vocês falam em linguagem popular). Eu percebi também que nem todo tradicionalista é um tradicional-ginocêntrico ou outros vícios. Mas é natural eles criticaram o meu lado e eu ao deles, porque ninguém é supremo demais que não deva ser criticado.

Podemos esclarecer isso melhor em outras oportunidades, para eu não me alongar ainda mais aqui.

Já sobre os MGTOW, o conceito fundamental é muito importante e ao mesmo tempo, temos que ver o movimento infectado de homens que seguem uma filosofia misantrópica.

Querem criar um movimento que lhes permita ir à forra pelas próprias mágoas individuais. Os misóginos são ginocêntricos, sabemos muito bem disso, que colocaram mulheres intensamente no centro das próprias vidas e sofreram alguma decepção maior que a capacidade deles de resiliência mental, emocional e moral. Este é o caso clássico, já bem conhecido, do misógino de internet, com poucas variações. São capachos frustrados, homens que queriam ser PUAs (mestres da sedução) e são frustrados, pais e maridos traídos (quando eu falo em traição, não estritamente de adultério, claro. Existem traições piores). Enfim, são ginocêntricos virados do avesso: na impossibilidade de endeusar mulheres, emocional ou sexualmente, de usá-las como fundamento da identidade masculina, da “honra” deles ou de uma identidade de conquistadores sexuais, passam a demonizá-las. Alguns estão além do ponto de onde poderiam voltar, psicologicamente falando, porque a decepção é grande demais.

Mas não se pode perder de vista que não são todos vítimas inocentes, também. Alguns são personalidades desviantes por si, perversos, hipócritas e maus-caráteres. Alguns imploram por mulheres, mantém até mesmo relações problemáticas com mulheres e saem por aí dando aula de como mulheres são moralmente inferiores, incapazes, inerentemente desleais, parasitas, etc.

Estes homens têm um rancor incurável dos Ativistas por Direitos dos Homens, como eu. Porque nós convivemos com mulheres e continuamos ADHs. Isso é uma impossibilidade fática para eles. Para alguns homens, o sexo e carinho de uma mulher mudam inteiramente a existência deles, é a como a esquina entre o ser e o nada. Mesmo que seja sexo e carinho ruins, malfeitos, ralos. Ter relacionamento com mulheres, mas manter seus limites, para eles é impossível. Um desses autointitulados MGTOW, dia desses, me disse que o AVFM não tem uma identidade masculina, porque é frequentado, comentado, há convivência e até colaboração do trabalho de mulheres. Imagine, se uma mulher estiver perto, se cooperar, sua identidade derreter. Eles se baseiam em algumas tendências gerais, claro, mas extrapolam e daí em diante é uma projeção.

Esses neo-MGTOWs acusam a nós, ativistas por direitos humanos dos homens, de sermos manginas, ginocêntricos, puxa-sacos de mulheres. Acho que basta conhecer pessoas como eu, por exemplo, para ver que eles projetando as fraquezas deles em nós. Nós não temos problema de criticar mulheres ou homens.

Dá pra notar alguns homens assim no nosso meio: perdem a paz se uma mulher estiver por perto. Não vou criticar as mulheres agora, vou falar só deles. Na ausência de um relacionamento com mulheres, vão ficando cada vez mais revoltados com mulheres. Um belo dia, excepcionalmente, começam um relacionamento com uma mulher e ficam como que quimicamente alterados. Aí mudam inteiramente e começam a dizer que os homens devem se dedicar às mulheres, argumentam infinitamente ao contrário do que falavam uma semana antes. Depois se decepcionam e voltam ao processo de radicalização.

Mas, é importante lembrar que o conceito original de MGTOW, de homens livres, independentes e que seguem seu próprio caminho de forma autônoma, é importante para os homens. O ginocentrismo é imoral, misândrico, mórbido.

Não vamos esquecer que aproximadamente 60% dos moradores de rua são homens perfeitamente alfabetizados, profissionalmente capacitados, que foram românticos: transformaram uma mulher no centro das vidas deles, se decepcionaram, foram ali na calçada e simplesmente pararam lá. Alguns têm filhos, amigos, negócios, mas não suportam mais nada. Se recusam a ter uma vida útil, inclusive para si próprios. Estes são mortos interiormente, mas temos os que matam e morrem, também, sabemos disso.

Quando relacionamentos terminam, homens se suicidam 10 vezes mais que mulheres, porque terceirizam as emoções, as relações sociais e familiares, para as mulheres. Se fecham no trabalho, praticamente só falam com as mulheres. Outro dia eu mencionei isso para um colega e ele ficou com os olhos molhados. “Meu pai era exatamente assim.”

E veja que muitos masculinistas tradicionalistas defendem que a identidade masculina está nisso, o velho “homens como fazeres humanos, não seres humanos”. Só de ouvir essa frase que põe em cheque os papéis masculinos como sinônimo de identidade, eles reagem com raiva e vão começar a te acusar de estar tentando transformar os homens em fracos, frouxos, hedonistas, homossexuais, etc.

Além do suicídio ostensivo, em final de relacionamento ou falecimento da parceira, há os que simplesmente adoecem e não se tratam, ou que se suicidam em aparentes “acidentes”.

O ginocentrismo na nossa cultura é forte, denso, transtorna relacionamentos, valores, adoece, causa injustiças, condena, deprime e mata homens.

O único antifeminismo que realmente importa é o antiginocentrismo.

E é também uma causa de infelicidade de mulheres e violência contra mulheres. Homens desequilibrados, vindo de lares desestruturados, são bons em atrair mulheres abusivas e parasitas, por exemplo. Se ela conseguir que eles tenham elas como tudo para eles e depois convencê-los que elas vão embora, vão lhes tirar tudo que eles SÃO, a maioria dos homens, num caso desses ou semelhante, poderia se suicidar. Mas uma minoria mata a mulher e este é um exemplo de como o ginocentrismo leva à violência contra a mulher.

Uma mulher “viciada” em confete, em elogios e estímulo de ego, passa a necessitar disso de forma que viverá frustrada e fora do próprio centro. Paradoxalmente, é um ginocentrismo androcêntrico, porque ela vive na dependência frustrante dos homens. Vai ser infeliz sempre que um homem não a fizer se sentir no centro do Universo. E vai culpar os homens por isso. Isso também é um tema importante.

E o que MGTOW tem a ver com isso? MGTOW, no mais essencial, é a filosofia de não colocar outra pessoa como centro da sua vida. De aceitar que você é a sua primeira responsabilidade. Saber que ser escravo de expectativas sociais, particularmente as ginocêntricas, vai levar a um sofrimento inútil. Ter sua personalidade firmemente construída interiormente, não em funções. Respeitar-se, encontrar (ou melhor, construir solidamente) propósito e metas de vida, amigos, relações familiares e com a sociedade cultivadas, independentemente de estar em um relacionamento erótico, ou sério, romântico, como preferir chamar. Saber quem você quer ser (repito, mantendo-se de pé e separado das expectativas sociais e ginocentrismo) e se tornar essa pessoa com quem você possa conviver e respeitar.

Alguns homens estão tão dentro da mentalidade de funções externas e ginocentrismo que pensam que veem isso como perversão, maldade, egoísmo extremo, desonra, desobediência à divindade, traição à civilização, niilismo, hedonismo. Isso está errado, mesmo porque se você não for firme como uma rocha com as bases bem fincadas, como os outros vão se beneficiar da estabilidade que você não tem? Até para fazer pelos outros é preciso, primeiro, ser capaz disso.

Aqueles desequilibrados estão espalhados por aí dizendo que o princípio do MGTOW é “saber que a mulher é má” e outros ensinamentos paranoicos.

Na verdade, a essência de ser MGTOW é SEGUIR SEU PRÓPRIO CAMINHO. Aceitar-se como primeira responsabilidade, libertar-se e tornar-se autônomo de expectativas sociais. Um homem assim é imune ao ginocentrismo, ele não precisa ser misantropo ou deixar de se relacionar com mulheres para isso. Essencialmente, todo homem precisa ter o poder e firmeza interna de seguir seu próprio caminho (MGTOW). Não ter essa firmeza interior pode lhe custar muito caro.

Claro, alguém pode dizer que eu estou enfeitando as coisas, que MGTOW é, objetivamente, não querer se casar, é misogamia (não confundir com misoginia). No que eu vou ter que responder: Tudo bem, mas isso é uma consequência possível quando homens se perguntas se vale a pena, para eles, o casamento. E não são todos os homens que têm coragem de se perguntar isso de forma informada, clara e objetiva.

O AVFM publica muita coisa sobre MGTOW. Por exemplo, temos uma introdução histórica ao fenômeno chamado de MGTOW, em inglês, aqui:

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