HOMENS NÃO SÃO SEGURANÇAS PARTICULARES DAS MULHERES!

Recentemente assumi um caso de Belfort Roxo/RJ, onde um homem está sendo acusado de omissão de socorro.

Enquanto meu cliente almoçava, uma mulher entrou no restaurante aos gritos e xingamentos, acusando outro homem de não ter lhe dado espaço para manobrar seu carro numa vaga de estacionamento.

Segundo meu cliente, o homem tentou acalmar a mulher, até que ela pegou um copo cheio de refrigerante e jogou no seu rosto.

O homem se descontrolou e agrediu a mulher com vários chutes e socos, deixando a mulher agonizando no chão.

Meu cliente que estava de costas para a cena, em nenhum momento olhou para trás e enquanto a mulher estava no chão, ligou para polícia e continuou almoçando normalmente.

Meu cliente foi indiciado pelo crime de omissão de socorro, visto que a delegada acreditou que ele deveria ter ajudado no momento da agressão e deveria ter ido até ela quando estava no chão.

Conversando com meu cliente, traçamos nossa linha de defesa com nos seguintes pontos:

  1. Primeiramente, quem assumiu o risco de apanhar ou morrer quando gritou e xingou o homem foi a mulher, portanto, meu cliente não tinha nenhuma obrigação de dar seu nariz para ser quebrado pelo homem.
  2. No Brasil se mata 65 mil pessoas por ano, as vezes se mata por 5 reais, portanto é óbvio qualquer situação de risco deve ser evitada, sob pena de pôr em risco sua integridade física.
  3. Visivelmente e fisiologicamente meu cliente possui muito mais força física que a mulher, porém se ele evita a todo custo conflitos para manter sua integridade física, por qual motivo se arriscaria por uma mulher que não conhece?
  4. Meu cliente não é policial, portanto, não recebe valores para manter a segurança de outras pessoas.
  5. Meu cliente não tem treinamento para lutar contra um agressor, portando, poderia sair machucado ou morto da situação ou também poderia machucar ou matar o agressor e acabar sendo condenado.
  6. Meu cliente não é médico, portanto em nada poderia ajudar se levantasse e fosse até a mulher.
  7. Hoje um simples olhar já pode ser considerado assédio, portanto, se meu cliente encostasse na mulher acreditando que estava ajudando, poderia ter sido acusado de assédio ou abuso.

Quando comparecemos na delegacia, o pai da mulher aguardava meu cliente e questionou se ele teria a mesma postura se fosse com a mãe ou filha dele. Ele respondeu que na família dele não existem mulheres mau educadas e barraqueiras como a filha dele, portanto, jamais estariam envolvidas em uma situação parecida.

Visivelmente a delegada do caso estava irritada com a frieza do meu cliente e buscou a todo custo forçar frases para incrimina-lo, sendo necessário inúmeras interrupções de minha parte.

Brilhantemente meu cliente finalizou a oitiva dizendo que esperava de coração que a mulher que está hospitalizada viesse a morrer, sendo que assim o agressor ficaria muitos anos preso. Segundo ele, no mesmo dia o mundo se livraria de uma barraqueira e de um covarde, desta forma o mundo acordaria menos sujo.

Por fim, disse que devido a conduta da barraqueira e do covarde, ele que estava apenas almoçando, agora estava às 14 horas da tarde numa delegacia ao invés de estar trabalhando para sustentar sua família.

Analisando todas as possibilidades de desfecho do caso, vejo que o meu cliente agiu da melhor maneira possível, visto que diante de todos os crimes que poderia ter sido acusado, omissão de socorro é o menos grave.

Tenho plena confiança de que meu cliente será inocentado!

 

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