Pode o Feminismo Não Ser Misândrico?

Havendo alguns dentro do Movimento por Direitos dos Homens e Meninos que ainda acreditam num bom feminismo, houve algum ânimo com a ideia de uma página no Facebook exatamente com o título ‘Feminismo sem misandria‘, que apresentava uma postura diferenciada da maioria das demais páginas feministas.

Soou para muitos palatável a evidente defesa da participação masculina dentro do Feminismo em contraste com o lugar comum de que homens não podem ser feministas, no máximo apoiadores ou “machistas em desconstrução”, isso se não forem inevitavelmente opressores cuja simples presença já cala e violenta mulheres, não podendo, então, sequer participar de atividades feministas.

Há muitos exemplos e discussão sobre isso na web, como o Ataque de Feministas (Misândricas) contra o Felipe Neto após ele defender o Feminismo, a ponderada reflexão em 4 Pontos Sobre a Relação dos Homens com o Feminismo que aborda essa rejeição à presença masculina no Feminismo, bem como o texto claramente misândrico sobre o caso de Latuff em Parece Misandria mas é Misoginia, o recomendadíssimo Eu não sou Feminista? onde um dos mais inteligentes homens feministas do Brasil relata sua experiência de rejeição, ou Homens (pró-) feministas: aliados, não protagonistas, de um autor que defende a posição mais comum de que homens devem apenas cooperar à medida que forem convidados, se submetendo às orientações de um comando ditado por mulheres, ou se retirar sem protestar se forem deliberadamente expulsos.

Diante disso, ver uma página feminista com “SEM RADFEM” na foto de perfil e ainda trazendo os dizeres
“Antes eu dizia que o feminismo não é um movimento de ódio aos homens nem misandria… Mas graças as radfem, hoje não posso mais dizer isso.” em sua foto de capa, é algo que certamente deveria inspirar alguma esperança.

No entanto, um simples episódio conseguiu ser perfeitamente emblemático da precariedade desta proposta, quando um dos membros decidiu questionar um dogma primordial do movimento, como pode ser visto nos seguintes print screens. Não há necessidade de ler todos, para resumir, basta dizer que um integrante do Movimento pelos Direitos de Homens e Meninos questionou a ideia de que vivemos num mundo de privilégios masculinos.

Feminismo_sem_Misandria1

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Como se vê, a discussão desandou, não sendo obtido um diálogo produtivo. Elson foi banido do grupo sendo considerado aquilo que feministas costumam considerar qualquer homem que se atreva a questionar o feminismo, e o mais surpreendente é que o foco da afirmação original foi totalmente perdido.

Nesse ponto, eu intervi com o seguinte questionamento:

“Então vamos sintetizar.

A proposição inicial do banido foi que: Os Homens (como um grupo) NÃO SÃO Privilegiados!

Então, ele citou um monte de evidências a respeito, mostrando dados sobre fatos que afetam esmagadoramente mais o grupo dos homens.

Então o “Feminismo sem misandria” replica que tudo isso é culpa do “machismo” e do próprio grupo dos homens.

E então esqueceu-se da proposição inicial?!

Se o “Machismo” causa tamanho estrago aos homens, numa proporção muito maior que as mulheres, ENTÃO ISSO É A ADMISSÃO TÁCITA da proposição inicial, de que Os Homens NÃO SÃO Privilegiados!

É sério que ninguém percebeu isso!?”

Que foi respondido com a assertiva de que todos haviam sim percebido o que apontei, apesar de ninguém ter minimamente o sugerido, e que seria trivial no Feminismo admitir que o “machismo”, leia-se “o braço direito cultural do Patriarcado”, ora beneficia, ora oprime os homens.

Questionei novamente que a não ser que se caísse em infindável subjetivismo, o “coeficiente de opressão” teria que ser medido exatamente com base em dados objetivos como as tais estatísticas das quais parte foram levantadas pelo Elson, o que inevitavelmente evidenciaria que são as mulheres as privilegiadas em nossa sociedade, confirmando o ponto levantado por ele e refutando o dogma central do “Privilégio Masculino”.

Resultado? Também fui banido. Meus comentários foram deletados e nem tive tempo de tirar o print. Só registrei o  anterior por tê-lo replicado em outro post onde o assunto foi comentado, com me habituei a fazer ao travar tentativas de diálogos com feministas.

O que podemos aprender com esse episódio?

Além de mais uma tediosa e lastimável evidência da incompetência feminista para um debate honesto, talvez uma exemplar resposta negativa ao título deste texto, se levarmos em conta que a “não-misandria” em questão limitava-se a aceitar os homens como participantes do Feminismo no sentido de Trabalhar Para o Movimento e NÃO QUESTIONAR SEUS DOGMAS!

Num mundo onde os dados estatísticos levantados pelo Elson são factuais, com outros ainda mais graves, pode-se inferir que os problemas objetivos dos homens superam esmagadoramente os das mulheres, a não ser para quem acha que fazer serviço doméstico ou parir e gestar são sinas muito piores do que ser morto, torturado, violentado e ignorado em proporções próximas de 10 para 1, ou ter tanto sofrimento pessoal, este sim subjetivo, mas manifestado no fato objetivo de que homens suicidam 4 vezes mais que mulheres. Sem contar inúmeros outros temas frequentemente levantados pelos Direitos Humanos Masculinos.

Num quadro como esse, ter que ouvir que ainda por cima são os homens o privilegiados e opressores, não seria uma das formas mais vis de Misandria?!

Como disse Karen Straughan, é preciso …odiar alguém pra dizer que o grupo dele oprimiu as mulheres por toda a história por fazer o que era imprescindível – inclusive morrer – para mantê-las a salvo, abrigadas e alimentadas.(Disponível também no obrigatório vídeo Resposta a Daniele Paradis.)

Ora, simplesmente chamar os homens para trabalhar para o Feminismo sempre foi lugar comum, como o fez recentemente o banco JPMorgan Chase & Co. com a campanha He For She, estrelada por Emma Watson mas pensada por Elizabeth Nyamayaro. Nesse ponto, o Feminismo nada mais foi do que uma infindável série de chantagens emocionais prontamente atendidas por homens. Nenhuma de suas “conquistas” foi tomada à força, e sim cedida por homens em prazos quase sempre inferiores a uma década, sem nenhum tipo de resistência violenta ou mesmo convulsão social. O que não impede feministas de quererem dar a tais feitos o ar épico de uma brava revolução armada, até mesmo com lendas delirantes de mulheres mortas em retaliação por sua luta, como atribuir o incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist em 25/03/1911 a um tipo de reação antifeminista.

E é no sentido do uso dos homens para seu próprio interesse que se pode falar num “Feminismo sem Misandria”, um que invés de simplesmente pregar abertamente o ódio, a castração ou mesmo o extermínio de todos os homens, se contenta em tratá-los como serviçais de uma ideologia que nada pretende fazer por eles além de piorar ainda mais suas condições de vida sem diminuir em nada sua visão deles como opressores privilegiados, não importa o quanto de direitos lhes sejam subtraídos.

O Feminismo é acima de tudo uma Cruzada contra o Patriarcado, mas sua conceituação fraudulenta do mesmo pressupõe essa farsa do privilégio masculino geral. Como se admitiu no diálogo em questão, se homens hora são privilegiados hora são prejudicados, é evidente que o mesmo deveria ocorrer com mulheres, de modo que a única forma de reconhecer o grupo mais privilegiado é apelar para os dados objetivos, e estes mostram o exato contrário do dogma feminista.

Mas o Feminismo não pode abrir mão dessa fraude. Perderia toda a sua razão de ser se o fizesse. Portanto, a não ser que se fale de um outro feminismo que não seja aquele para o qual a visão corrompida do Patriarcado seja o grande satã, onde os homens como grupo sistematicamente oprimem as mulheres e se beneficiam disso, não vejo possibilidade dele não ser misândrico por essência, como esse caso específico desse site com nome apropriadíssimo demonstra.

Karen Straughan complementa que somente o ódio …para alegar que o velho sistema só existia para beneficiar os homens à custa da escravização das mulheres, quando aquele sistema é a única razão pela qual as mulheres ainda estão por aqui, (…) E é definitivamente ódio dizer que as mulheres não foram cúmplices nesse sistema, que elas não são responsáveis pelas coisas terem sido como foram. Mas feministas fazem isso todo o tempo.”

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=cjkjV17lRkk&w=560&h=315]

* * *
Marcus Valerio XR

18 thoughts on “Pode o Feminismo Não Ser Misândrico?”

  1. Anderson Torres

    Sucinto e genial. No fim das contas, é como o ditado:

    De onde menos se espera é que não sai nada.

  2. Willian Oliveira

    Eu acho o seguinte, como o homem foi a grande maioria dos inventores, cientistas, gênios, etc., as ativistas feministas têm uma inveja e ódio enorme para com essa realidade. Não que os homens ficam se gabando, muito pelo contrário, é muito raro ver algo do gênero ser propagado em qualquer programa televisivo ou em filmes; nem no dia a dia isso acontece. Mas só por existir esse fato, elas sentem sim inveja e ódio. Diante disso elas querem de qualquer maneira mudar essa realidade, usando de lavagem cerebral ou até mesmo usando da força do governo e da lei. Elas não querem estudar as condições dos homens nos vários séculos anteriores, elas não querem levar em consideração as diferenças biológicas entre os sexos e o que isso poderia implicar em cada época, elas querem simplesmente colocar a mulher no topo de qualquer maneira. Como a mulher da discussão do post afirmou, o feminismo luta pelas mulheres, não há preocupação alguma pelas condições desvantajosas que o homem possa ter. Elas têm em mente o seguinte: os homens foram a maioria dos inventores, cientistas, gênios… e acreditam que isso aconteceu porque eles não permitiam que as mulheres estudassem ou fizessem qualquer coisa que pudesse lhes proporcionar desenvolvimento pessoal, é isso o que elas têm em mente. O papel feminino, como por exemplo ser a dona de casa, é desprezado por elas, elas querem sim a inversão de valores, querem colocar as mulheres nos mais altos cargos e incentivam até que abdiquem de serem mães, pois isso pode ser um empecilho, e apoiam os homens a ficarem em casa exercendo a função que elas desprezam, é a inveja do papel masculino na sociedade, inveja que se transforma em raiva ou puro ódio.

    1. Discordo.
      Os homens não foram os inventores. Alguns homens foram inventores.
      Não atribua o mérito de um homem à todos os homens.
      Nessa mesma chave pensa o feminismo.
      Atribuindo o privilégio possuído por alguns homens e os casos de opressão cometidos por alguns homens, a todos os homens.
      Não sei quanto a sua pessoa, mas essa sua fala é sexista.

      1. Willian Oliveira

        Não sabe ler? Eu disse que a MAIORIA dos inventores foram homens, e isso não é sexismo, é fato.

        1. Veja bem Willian, vc não se dirigiu a minha fala.
          A minha questão não foi essa de que você teria se esquecido das mulheres inventoras. Não foi isso que eu disse. Vc não esclarece nada do que eu questionei dizendo que disse “maioria”.
          Eu disse que você está querendo por o mérito de alguns homens sobre o gênero masculino. Ou seja, é quase como por na essência do homem esse mérito de pertencer ao gênero que mais teve inventores.
          Você fala que seria possível que os homens se gabassem de pertencer ao mesmo gênero de grandes inventores. Só através do sexismo alguém poderia se orgulhar ou se envergonhar (no caso das mulheres que vc diz que sentem inveja) de algo assim.
          Pensei em dizer o seguinte no outro comentário, mas achei que seria mal educado. Vou dizer agora para que eu seja mais claro: Um homem ter orgulho de ser homem porque um outro homem foi um inventor é querer gozar com o pau dos outros. Se uma outra pessoa foi inventora o mérito é dela e só ela tem esse mérito, o gênero dessa pessoa não partilha do mesmo mérito.
          Entende? Você se descuidou e falou uma coisa sexista sem perceber.

          1. E para ficar ainda mais claro e transparente, já que talvez soei enigmático em minha primeira mensagem:
            Se é possível dizer que o gênero masculino tem o mérito de ser mais inventivo porque um numero minusculo dos homens que já existiram na história foram grandes inventores, então é igualmente possível dizer que todos os homens são estupradores e espancadores de mulher porque já houve um número de homens que cometeram esses atos.
            No segundo caso vemos um exemplo de pensamento feminista ruim. E o seu foi tão ruim quanto o das feministas. Só que invés de querer denegrir a imagem dos homens vc está querendo eleva-la. A base é a mesma: sexismo.

          2. Marcus Valerio XR

            Há falhas no seu discurso Roberto.

            Primeiro você está apontando algo como “sexista” já com o pressuposto de que isso seja uma coisa ruim, terminando por cair numa petição de princípio. Sintetizando, está propondo “Isso que você está dizendo é sexismo, logo é errado.”

            Segundo, está ignorando que mesmo que tais feitos tenham sido realizados por uma minoria masculina, ainda assim essa minoria é numericamente muito maior que a minoria feminina que realizou feitos similares, o que sugere, no mínimo, um grau de probabilidade muito maior para homens serem realizadores de tais feitos, e daí o senso de identificação. Se você desprezar isso, então também não faz sentido algum que os brasileiros se orgulhem da vitória de nossa seleção de futebol, visto que foram só alguns que de fato venceram o jogo, bem como não faria sentido afirmar, mesmo de forma genérica, que os brasileiros são melhores que os japoneses em futebol, afinal, são só alguns brasileiros que jogam. Ou seja, você está negando a validade de um parâmetro operacional fundamental e universal da mente humana, que é a identificação por grupos.

            Terceiro, não há equivalência entre os feitos louváveis de uma minoria e os crimes de outra minoria, porque no primeiro toda a sociedade coopera, aplaude e se orgulha de sua realização, ao passo que no segundo toda a sociedade se mobiliza para reprimir. Por isso não se pode universalizar a maldade masculina devido aos crimes de uma maioria, visto que são violações da ordem social normal, mas é válido sim ao menos pretender a universalização das virtudes porque essas são de um modo ou de outra buscadas pela grande maioria, levando ao benefício de todos, sendo expressão de um desejo de universalização. Ou seja, vão em sentidos absolutamente opostos.

          3. Olá Marcus Valério! Vou tentar me justificar em cada ponto que vc me objetou.
            1- É verdade que a forma como usei a palavra sexismo poderia sugerir uma petição de principio. No entanto é necessário se considerar o contexto em que usei essa palavra sem elaborar-lhe um fundamento. O contexto foi este site que, em sua política editorial, já deixa claro que está contra o sexismo.
            Outra coisa é que em nenhum momento eu coloquei isso que vc colocou “logo é errado”. Apenas disse que era sexista. E me posicionei contra o que ele disse por ser sexista.
            Creio que é necessário diferenciar uma contenda política de uma contenda científica. Isto porque na contenda científica o que está em jogo é o par verdadeiro e falso, enquanto na contenda política outros pares entram em questão. Pares como legal e ilegal, proporcional e desproporcional, justo e injusto, liberdade e servidão/opressão, etc. A diferença fundamental é que na política juízos de valor são inevitáveis, isto porque a política se situa no plano da prática social. Do outro lado, na ciência, juízos de valor devem ser evitados ao máximo porque comprometem a objetividade do discurso.
            Dito isso, me falta atender ao seu pedido de fundamentação ao termo sexismo (provando assim que não o penso nos termos que você sugeriu que eu o penso).
            Não sei se consigo fazer um bom trabalho. Provisoriamente eu diria que se trata de discriminar pelo de forma a impor condutas.

            Dizendo de forma mais descritiva eu diria que se trata de obrigar a fazer ou impedir de fazer com base no sexo da pessoa (e considero tb que entre esses dois polos há muitas outras situações mais sutis ou indiretas).

            Para dar maior substância ao que digo, afirmo que se trata de impor coerção para conformar uma pessoa à um papel de gênero tradicional (ainda que isso contrarie a vontade da pessoa). Os papeis de gênero são dois: objeto reprodutivo e objeto descartável (sigo aqui o pensamento de Warren Farrell).
            Para especificar o problema em torno do sexismo digo isto: ele aniquila a singularidade de uma pessoa a fazendo se perder na generalidade, ignorando os fatos reais de cada pessoa em nome de símbolos, ideias abstratas, probabilidades etc.
            Não acho que o sexismo é algo em si ruim, mal, errado etc. O entendo como algo que foi inventado por sociedades em contextos históricos onde não havia espaço para a individualidade devido à um contexto de luta contra condições de vida precárias.
            Creio que o que está em jogo na contestação ao sexismo é afirma-lo anacrônico, uma vez que as técnicas de produção das sociedades humanas progrediram a tal ponto que hoje não é mais necessário impor com tanta pressa e rigidez qual destino cada um deverá seguir. Donde o meu juízo de valor, em um discurso político: “eu me ponho contra o sexismo, eu não gosto dele, ele não me serve e eu quero viver em uma sociedade cada vez menos sexista”
            2- Acho que talvez eu ignore algo sim. Algo que talvez deveria ser mais lembrado hoje em dia uma vez que o feminismo promoveu o gradual esquecimento da memória coletiva do ocidente a respeito de feitos louváveis realizados por homens. No entanto, acho que não devemos esquecer que durante grande tempo as mulheres foram privadas de participar destas atividades e que depois do feminismo cresceu muito o número de mulheres que realizou feitos notáveis como esses que estamos falando.
            Mas devo admitir que vejo algo de muito confuso e irracional neste “parâmetro operacional fundamental e universal da mente humana” que vc fala. Isto me parece mais um valor ou uma técnica de organização social do que algo de fato científico, e recuso a ideia de que isso seja intrínseco ao ser humano. Isso me parece algo inventado/construído historicamente, acho que está mais próximo de um valor político do que de uma realidade. E meu palpite é que isso que vc fala está mais próximo do modo de pensar de uma sociedade tradicional do que de um pensamento que se opõe ao sexismo, contestando que recaiam sobre os homens deveres que eles não querem que recaiam sobre eles.
            3- A sua explicação não me contentou, mas não sei se a entendi bem. Por ora mantenho o que disse: se é possível universalizar virtudes é possível universalizar vícios. A operação mental é idêntica.
            E aponto um problema no que você disse. Acredito que você misturou duas coisas diferentes no seu raciocínio o deixando confuso. Uma coisa é a discussão sobre a natureza do homem (e seus supostos vícios ou virtudes intrínsecos) outra coisa é a discussão sobre a legitimação social de atos perpetrados por homens. Nesta segunda discussão o que está em jogo são as regras de uma sociedade e não as capacidades dos homens.
            Bom, como disse, talvez fui eu que não te entendi, então peço um esclarecimento maior sobre o vínculo que você estabeleceu entre essas duas coisas.

          4. Willian Oliveira

            Rapaz, o meu comentário foi claro, foi sobre qual é a minha opinião sobre as feministas. Disse que elas sentiam inveja do fato dos homens serem a maioria dos inventores e grandes gênios da história humana, inveja a qual gera o ódio, e nós sabemos o que o ódio proporciona, ações injustas, mesquinhas, somente com o fim de prejudicar algo em específico, no caso os homens. Não sei por que diabos você quis começar uma discussão sobre ter ou não ter orgulho de ser algo por conta de outrem que possua características semelhantes sendo que o meu comentário foi claro: a minha opinião sobre as feministas e do por que elas demonizarem tanto os homens.

  3. Rômulo Barbosa

    Gostei.

    O interessante é que não importa de qual das centenas de milhares de vertentes feministas a criatura em questão pertença. Quando elas falam, parecem a mesma pessoa. Já perceberam isso?

    Eu sempre fui acusado de generalizar, mas como não o fazer com as vertentes feministas que na prática parecem a mesma coisa?

    Quando eu vejo os argumentos, os xingamentos e acusações por parte delas, de boa…acho muito comédia.

  4. Primeiramente olá a todos. Vi este artigo na página do Marcus Valério e ao ler para mim ficou claro uma coisa: Eu não sei como que tal discussão começou, não faço idéia do seu estopim, mas o Sr. Elson Glauber simplesmente não soube debater, o que fez com que todos os seus argumentos fossem rebatidos e ironizados pela pessoa com quem estava debatendo, se fosse um debate público iria receber risadas e vaias da platéia. O mesmo tinha que saber como expor argumentos e embasá-los devidamente com clareza e objetividade antecipando os questionamentos que geralmente são feitos pelas feministas nestas situações, mas não conseguiu. Acho que fica um aviso para quem quiser embarcar em discussões do tipo: não só saiba sobre o que está debatendo mas também como expor suas ideias para diferentes públicos, conheça a pessoa ou o grupo com o qual irá debater, conheça o ambiente em que irá se dar o tal debate entre outras recomendações que não me ocorrem no momento. Para encerrar digo que minha crítica não é para diminuir ou ofender ninguém, mas considero necessária, pois o feminismo é uma ideologia dominante em vários setores da sociedade, principalmente na mídia, fazendo com que se opor a ele não possa ser feito com ingenuidade, sob pena de ser alvo de deboche, uma das ferramentas mais eficientes para desqualificar qualquer simplório, como podemos ver por exemplo na situação abaixo, que confesso, me provocou risos: “”evoluam” Você não é meu treinador pokemon para mandar isso”, e olha que houve outras.
    Até logo pessoal.

    1. Marcus Valerio XR

      Você tem razão Rodrigo, ele não soube conduzir o diálogo de uma forma mais produtiva. Mas isso não muda o fato de que os dados apontados por ele são factuais e que esse simples apontamento depõe contra a tese feminista. Se houve falta de perspicácia dele de focar nesse ponto e dominar o debate, também houve desonestidade, ou cegueira, dos feministas em questão para se dar conta disso. E de qualquer modo não creio que teria feito diferença. Se ele tivesse tido uma postura precisa e objetiva, teria sido censurado e banido do mesmo jeito, como eu próprio fui.

  5. Olá
    Marcus Valério, (isso aqui é importante, por favor me leia)

    Estou com um grande Insight/hipótese de porque tudo isso está
    acontecendo (me refiro à forma como o feminismo está estruturado, a forma como
    as feministas tratam os homens e porque os problemas dos homens estão sendo tão
    negligenciados por todos) e gostaria de discutir essa minha visão com
    você.

    Vou fazer um resumão do meu trabalho (estou fazendo ele à 1 ano),
    trata-se de uma análise histórico-política (sei que parecerá muita coisa para
    um simples insight, mas estou bem embasado em trabalhos acadêmicos de minha
    universidade):

    Com o maio de 68 ocorre no ocidente um grande acontecimento que
    transforma não só a maneira como as instituições políticas modernas se relacionam
    com as populações de cada país, mas também muda a forma de estruturação interna
    das populações (o maio de 68 é apenas um marco dessa transformação, não estou
    dizendo que o mundo mudou da água para o vinho depois deste ano).

    Antes do maio de 68, no contexto do liberalismo e depois no do estado de bem
    estar social (séculos 19 e primeira metade do 20, ou seja, pós revoluções
    burguesas, ou seja, no contexto da modernidade), as instituições políticas
    estavam organizadas de maneira a garantir a ordem (principalmente para o bom
    transito econômico) através de normas que garantissem a normalidade. O normal
    era dado por um modelo que estabelecia diversas coisas. Entre elas: que o homem
    branco heterossexual e proprietário era uma maioria (em sentido qualitativo, ou
    seja: autonomia, direitos políticos, etc) enquanto mulheres, crianças e pobres
    eram minoria (em sentido qualitativo), e gays, loucos, negros, delinquentes, imigrantes
    e etc, eram anormais. Através desse modelo a população de um país permanecia
    uma coisa sólida, homogênia, unificada e os costumes eram austeros e severos.
    As grandes causas sociais, neste contexto, eram a emancipação humana, o
    progresso técnico, a verdade, a razão, etc.

    Após maio de 68 ocorre uma grande transformação. Surgem uma
    série de causas novas, como a das mulheres, a dos jovens, das crianças, dos
    negros, dos gays, do meio ambiente. Causas essas que se insurgiam justamente
    contra as causas antigas. Nisto tudo passa a ser problematizado e
    re-interpretado: razão e verdade viram a razão do homem branco, heterossexual e
    rico; progresso técnico vira poluição ambiental, ameaça a existência do
    planeta; emancipação humana vira emancipação do modelo de humanidade que coloca
    os homens (maioria) como os dirigentes desta emancipação.

    Diante
    do maio de 68 a ordem moderna se vê gravemente ameaçada. Com a intensa
    problematização e insurgência contra o modelo vigente até então, as
    instituições modernas passam a perder sua governabilidade e sua capacidade de
    garantir a ordem (ou seja, a capacidade de pacificação dos conflitos sociais
    para a viabilização do capitalismo). Com isso aparece uma reforma
    institucional. Esse processo tem dois lados: de um lado a população se
    estratifica, se quebra em mil partes, cai o modelo único e A população de um
    pais se transforma em AS populações (populações de negros, de mulheres, de
    gays, de deficientes físicos, de pobres e etc.) uma espécie de guetificação da
    população. De outro, surge uma nova organização das instituições políticas com
    o objetivo de dar conta das diversas populações. Trata-se da emergência das
    redes sociais (não me refiro aqui apenas as redes sociais da internet). Estas
    que agenciam e conectam ONGs, partidos, movimentos sociais, grupos de
    interesse, internet, Estado, candidaturas políticas, mídia, universidade, etc. São
    muitas as redes, e cada uma é formada em torno de uma causa, seja a das
    mulheres, a do meio ambiente, dos negros etc.

    Esse
    duplo processo, creio, se dá de forma complicada e dialética. Não é possível
    falar em causa e efeito, agente e paciente. Não foram as redes que
    estratificaram a população e nem a estratificação da população que criou as
    redes. O que se deu foi que, progressivamente, uma foi intensificando o
    desenvolvimento da outra.

    Tudo
    isso descreve a emergência de nosso momento político atual (que ocorre pelo
    menos na América Latina, nos EUA e na Europa). Trata-se da democracia
    participativa.

    O que
    quero colocar para você é o seguinte: Creio que é estrutural da forma como a
    nossa sociedade está se organizando politicamente que as feministas não queiram
    dar atenção para as causas dos homens. É próprio da democracia participativa
    não se atentar a interesses que transbordem ao campo reivindicativo de uma
    população específica, de um gueto específico (como é o caso do MRA, que se põe
    ao mesmo tempo a favor e contra o feminismo). Não à toa passaram a pipocar na
    internet tantas pessoas incomodadas com a incapacidade geral de discutir e
    estabelecer conversações minimamente objetivas e racionais. A organização atual
    de nossa política funciona dessa forma, sem conversação, apenas atendendo
    interesses de grupos de interesse específicos.

    Bom, vou parar de falar por aqui, já está enorme. Eu ainda não disse tanto quanto gostaria e
    penso que não consegui ser suficientemente claro. Mas espero que você entre em
    contato comigo para que possamos conversar. Talvez você não tenha gostado de
    algumas das palavras que utilizei. Os termos que usei aqui não sou definitivos,
    mas esclareço o que estou tentando fazer: Juntar Foucault, Löic Wacquant e Warren
    Ferrell para entender a forma como nossa sociedade está estruturada politicamente
    e esclarecer a questão dos homens para possibilitar que o MRA passe a ser
    compreendido. Pelo que sei de você acho que temos muita afinidade de pensamento
    embora eu nunca tenha visto você se referir aos conceitos e autores que eu
    julgo essenciais.

    1. Marcus Valerio XR

      Prezado Roberto. Desculpe demorar a responder, e tenho sim interesse em discutir esse tema. Mas eu gostaria de um esclarecimento inicial. Embora seja evidente que houve uma série de mudanças na década de 1960 em todo o mundo, por que escolheste Maio de 1968 como referencial? Você estaria se referindo à tentativa de levante revolucionário na França?

      Também gostaria de saber se está ciente dos tratamentos que já dei sobre o tema, que detectam exatamente nesta década o ponto de virada. Por serem mais especulativos e terem teor diferenciado, não estão aqui no AVfM-Br.

      Alguns são:
      http://xr.pro.br/ENSAIOS/rePensando_o_Feminismo.html
      http://xr.pro.br/ENSAIOS/Fundacao_do_Feminismo.html
      ou
      http://xr.pro.br/Ensaios/Da_Esquerda_para_Tras.html , que tem vídeo em http://youtu.be/-Q0mfpvrFf4

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