O preço de se falar pelos homens

Nota: Quando eu comecei a me informar melhor sobre os assuntos sociais, políticos e históricos envolvendo a população do sexo masculino, eu descobri algumas coisas. Vi que existe até mais informação do que se pensa, mas é pouco divulgada. Percebi também que homens e mulheres tem uma certa aversão ao assunto, que isso não é por acaso e que isso está mudando aos poucos. Eu percebi o tipo de resistência que quem fala sobre os homens enfrenta. A resistência aumenta cada vez mais, assim como a importância de se expor isso.

Eu acho importante a questão do custo que é e foi para algumas pessoas falar sobre os homens, não seguindo o dogma dos “opressores”, mas como as pessoas que eles realmente são (“negando a História”, como preferem dizer os que nadam privilegiadamente ao sabor da maré da misandria lucrativa). Há algumas pessoas que pagaram um preço alto por isso e há as que, por isso mesmo, preferem não falar ou falar anonimamente. Hoje eu resolvi ajudar a divulgar um depoimento de Warren Farrel sobre isso. É uma pena que se tenha tão pouco no Brasil sobre o trabalho do Warren, que a essa altura deveria dispensar apresentações.

O texto original em inglês foi publicado aqui e faz parte do livro “The myth of male power”. A tradução abaixo foi feita por mim.

Aldir. 

 

Quanto custa falar pelos homens?

Por três anos eu trabalhei a mesa diretora da National Organization for Women [NOW, a maior ONG feminista dos EUA] na cidade de Nova Iorque. Quando eu explicava as perspectivas das mulheres aos homens, eu muitas vezes notava uma mulher “acotovelar” o homem que estava com ela, como se dissesse: “Tá vendo, um especialista dizendo o idiota que você é.” Aos poucos, eu fiquei bom em dizer o que as mulheres queriam ouvir. Eu gostava de ser aplaudido de pé, depois de falar.

O fato de as minhas plateias serem de mais ou menos 90% de mulheres e 10% homens (a maioria dos quais tinham sido arrastados para lá pelas mulheres) apenas reforçou a minha suposição de que as mulheres eram iluminadas e os homens, “neandertais”. Eu, secretamente, adorava essa perspectiva – me permitia ver a mim mesmo como um dos homens sensíveis da nova era americana. As feministas me perguntando: “Como a gente consegue clonar você?” reforçavam esse orgulho secreto. E os novos convites, após cada palestra, me permitiam uma certa segurança financeira.

Os anos se passaram. Ao passo que a maioria das mulheres que eram minhas maiores apoiadoras se divorciavam, eu só podia presumir que o problema eram seus maridos. As mulheres concordavam. Mas eu vi uma coisa que as minhas amigas feministas tinham em comum: uma raiva crescente em relação aos homens, um olhar implacável delas, que não refletiam paz interior.

Então um dia (num daqueles raros momentos de segurança interior), eu me perguntei se a razão por que tantas mulheres, mais do que homens, me ouviam, não era porque eu estava ouvindo mais a elas. Eu revisei as fitas gravadas de centenas de grupos de discussão com mulheres e homens que eu criei. Eu ouvi a mim mesmo. Quando as mulheres criticavam os homens, eu chamava aquilo de “insight”. Quando os homens criticavam as mulheres, eu chamava de “machismo”. Logo os homens não falavam mais sobre o que eles sentiam. Então eu criticava os homens por não expressar sentimentos.

Eu decidi experimentar formas de fazer os homens expressarem o que sentiam. Eu notei que os homens eram muitas vezes mais abertos sobre sentimentos no primeiro encontro. No primeiro encontro, a mulher muitas vezes usava o que eu passei a chamar de “olhar de admiração” – aquele olhar de “Uau, isso é fascinante” (quando não literalmente não falavam isso). Os homens se sentiam à vontade e se abriam.

Então, quando os homens nos meus grupos de homens falavam, eu comecei a usar esse mesmo olhar. Funcionou. Eu ouvi coisas que eu nunca tinha ouvido antes – e que me forçaram a reexaminar a minha própria vida e motivações. A combinação criou um novo dilema.

Agora, quando as mulheres me perguntavam: “Por que os homens tem medo de compromisso?” ou quando feministas diziam: “Os homens tem o poder”, as minhas respostas incorporaram a perspectiva dos dois sexos. Quase do dia para a noite, os aplausos de pé se desintegraram, junto com os convites para eu dar palestras. Minha segurança financeira começou a secar.

Eu seria desonesto se eu negasse que isso me tentou a voltar a ser um porta-voz só das perspectivas das mulheres. Eu rapidamente descobri que era preciso mais segurança para falar em favor dos homens do que das mulheres. Ou, mais precisamente, falar em favor dos dois sexos era mais difícil do que falar só pelas mulheres.

Felizmente, tem um outro lado. Embora os aplausos das mulheres tivessem parado, eram as cartas das mulheres que recusavam de início o que eu estava dizendo, mas depois escreviam, quando a “poeira assentava” e elas descobriam que estavam mais amorosas com os homens nas vidas delas, que proporcionavam muito da inspiração para eu colocar essas perspectivas por escrito.

O Dr. Warren Farrell já esteve em mais de 1.000 programas de TV e rádio e foi escolhido pelo Financial Times como um dos 100 maiores líderes do pensamento do mundo. Seus livros são publicados em mais de 50 países e em 17 idiomas. Incluem Father and child reunion e os best-sellers Why men are the way they are e The myth of male power. O Dr. Farrell tem duas filhas e vive com sua esposa em Mill Valley, Califórnia, e virtualmente em www.warrenfarrell.com.

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