Associação Americana de Psicologia declara a masculinidade uma “ideologia opressora”

A Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association – APA), pela primeira vez em sua história, publicou as “Diretrizes para Prática Psicológica com Meninos e Homens.”

Não é preciso ler o documento inteiro de 30.000 palavras para apreciar sua tendência: a “masculinidade tradicional” é má para a sociedade e também para os próprios meninos e homens. Estoicismo, competitividade e assunção de riscos, as qualidades que nós consideramos desejáveis quando resultam em combate a incêndios, operações de busca e resgate de pessoas perdidas, autossacrifício por mulheres e crianças (ver na referência Titanic) e combate em defesa do país são, acredita a APA, “psicologicamente prejudiciais.”

Em uma seção chamada “a ideologia masculina,” a APA diz: “A ideologia masculina é um conjunto de (…) cognições descritivas, prescritivas e proscritivas sobre meninos e homens (citações acadêmicas adicionadas). Embora haja diferenças em ideologias masculinas, há uma constelação específica de padrões que têm efeito sobre amplos seguimentos da população, incluindo: antifeminilidade, sucessos, evitar a aparência de fraqueza, aventura, riscos e violência. Esses [padrões] são coletivamente referidos como a ideologia da masculinidade tradicional.” Essa afirmação parece ter sido redigida por alguém que precisou segurar muito a língua para não descrever homens masculinos como “bolsomínions fascistas.”

Vamos desembrulhar isso um pouco. Por “antifeminilidade”, a APA quer dizer homofobia, mas homofobia como uma atitude sistêmica não era tanto uma característica da masculinidade tradicional quanto da sociedade tradicional. Mulheres em tempos passados tendiam tanto quanto homens a desprezar homossexuais enquanto homens. “Violência” nunca foi uma medida de masculinidade em nossa cultura, embora o vigor físico seja.

Os outros – sucesso, evitar a aparência de fraqueza, aventura e assunção de riscos – são realmente características masculinas e não parte de uma “ideologia”, são inerentes. São qualidades que tiraram a Humanidade das cavernas para a Rota da Seda e a exploração global através de mares perigosos e à viagem à Lua. Mas os feitos monumentais que podem ser rastreados diretamente até essas características não são do interesse da APA. As “Diretrizes” espirram todos os já previsíveis pontos de fé do mundo do esquerdismo pós-moderno – interseccionalidade, opressão, privilégio, patriarcado, etc. Sob as rubricas das políticas identitárias, “masculinidade tradicional” é considerada inerentemente tóxica para mulheres e outras pessoas frágeis.

Para um contraste interessante e um tipo de “controle” para as diretrizes da APA para o tratamento de meninos e homens, voltamo-nos para a Diretrizes da APA para Prática Psicológica com Meninas e Mulheres. Aí nós não encontramos qualquer crítica que seja à feminilidade, tradicional ou qualquer outra, mas aprendemos sobre muitos “estressores” na vida das meninas e mulheres. Incluídos estão: “Vitimização e violência interpessoal, imagens irreais de meninas e mulheres na mídia, discriminação e opressão, desvalorização recursos econômicos limitados, sobrecarga de papéis, ruptura de relacionamentos e iniquidades no trabalho. A violência contra meninas e mulheres é muitas vezes relacionada a sexismo, racismo, classismo e homofobia.”

Hmm…. Muitos desses estressores se aplicam igualmente a meninos e homens. Violência de parceiro íntimo é majoritariamente bilateral (e as taxas estão estatisticamente elevadas entre lésbicas). Ninguém é mais sujeito a “desvalorização” na nossa cultura do que o homem branco heterossexual. Homens também sofrem “limitações econômicas.” O mesmo para “rupturas de relacionamento.” O que “imagens irreais de meninas e mulheres na mídia” significam? Na minha leitura da mídia, homens são constantemente retratados como imbecis, incompetentes e imaturos. Mulheres são constantemente retratadas como inteligentes, sexualmente atraentes, altamente bem-sucedidas e confiantes.

A ideia geral promovida por essas Diretrizes é que as mulheres são vítimas. Nos dizem que elas são sete vezes mais do que meninos a ser deprimidas e tendem nove vezes a experimentar distúrbios de alimentação. Isso é culpa dos homens? Não há literatura, do meu conhecimento, que dê evidência de qualquer relação causal, mas a APA encontra como culpar os homens de qualquer jeito, declarando: “O maltrato e violência em nossa sociedade (ou seja, maltrato, violência física e estupro) podem contribuir para o desenvolvimento de comportamento disfuncional, assim como distúrbios alimentares, depressão, ansiedade e comportamento suicida” (As taxas de suicídio entre homens são muito mais altas que das mulheres, mas as Diretrizes para meninos e homens não sugerem que as mulheres “podem” contribuir para isso).

Então, a violência masculina “pode” contribuir para esses problemas das mulheres? Certo. E você sabe o que mais “pode” contribuir? As mudanças climáticas! Ou a invenção do Tamanho 0! “Pode” é a grande palavra de contorcionismo retórico quando supostos especialistas não sabem a resposta e essa palavra não deveria estar em qualquer documento proposto a orientar psicólogos em seu tratamento de meninas e mulheres. Ao implicar tal correlação, estão dando licença para psicólogos impressionáveis encorajarem suas pacientes a culpar os homens nas suas vidas por distúrbios que podem ter numerosas outras influências, inclusive um tipo de perfeccionismo que se encontra mais em meninas do que em meninos (quais meninos e homens não fizeram nada para criar) e relacionamentos negativos com as mães ou outras mulheres.

Ou eis um pensamento: Toda essa depressão e ansiedade “pode” vir de mulheres ideólogas, que como educadoras e modelos de feminilidade, rotineiramente dizem às meninas que elas podem “ser tudo que quiserem” e “ter tudo que quiserem”, o que causa ansiedade quando esse “tudo” não se concretiza, o que quase invariavelmente acontece; que encorajam as meninas a explorar sua sexualidade tirando as emoções do caminho do prazer saudável, mas não avisam que a promiscuidade pode deixá-las se sentindo tristes, vazias e humilhadas; que valorizam o aborto, mas não avisam as mulheres sobe o impacto psicológico dele; que deploram o compromisso cedo com relacionamento, mesmo quando acontece de jovens mulheres e homens serem a pessoa certa um para o outro; que encorajam a misandria ao ignorar preocupações legítimas dos homens ou não reconhecer as contribuições legítimas dos homens para a sociedade; que valorizam ambições de carreira acima da maternidade; que confundem meninas a respeito da diferença entre serem empreendedoras e má conduta sexual; e, naturalmente, que persuadem meninas e mulheres que se elas são infelizes, a razão nunca está dentro delas, ou nas escolhas impensadas, mas sempre é culpa de um homem “tradicional” afirmando seu privilégio, ou uma “construção social” que contraria a autorrealização delas.

A APA não provê evidência real de qualquer razão específica por que meninas e homens são, demonstravelmente, mais deprimidas e ansiosas que meninos e homens. Eles até mesmo admitem que “flagrantes formas de sexismo e racismo têm diminuído ao longo do tempo.” Em vez de explorar a possibilidade de que o feminismo, a ideologia mais influente da nossa era, aparentemente não levou a uma melhoria na saúde mental das meninas e mulheres e – dessa vez eu estou sendo séria, não sarcástica – “pode” muito bem ser a raiz de muito da infelicidade feminina, eles redobram o posicionamento e teorizam que “a presença contínua de formas mais sutis de preconceito sexista e racista continua” estão em atuação.

Psicólogos que tratam indivíduos meninos e homens por seus problemas individuais não deveriam basear sua abordagem em teorias coletivistas anticientíficas. Dificilmente surpreende se descobrir que a profissão de Psicologia tem se tornado cada vez mais ocupada por mulheres durante os últimos anos que também tendem a ser mais jovens, significando mais dos seus praticantes terem chegado à profissão após se saturarem por anos em um ambiente acadêmico cada vez mais radicalmente anticiência e pró-ideologia.

As Diretrizes notam que os homens tendem menos que mulheres a buscar terapia porque a “masculinidade tradicional” os desencoraja de se abrirem e buscar ajuda, mas ironicamente, qualquer homem inteligente que leia as Diretrizes não queria se pôr nas mãos de qualquer psicólogo que siga essas diretrizes. De fato, a APA conseguiu alienar as próprias pessoas que pensa estarem mais necessitadas de seus serviços. Parabéns, APA!

A falta de rigor acadêmico e o evidente viés ideológico dos dois grupos de diretrizes seriam risíveis se a APA, com um número de afiliados em 117.500 profissionais nos EUA, a maioria deles psicólogos clínicos, não fosse tão influente. Quando a APA fala, instituições como universidades e varas judiciais ouvem. Pacientes vulneráveis desses psicólogos também ouvirão. É justo dizer que milhões de vida serão intimamente afetadas por essas diretrizes. E não de forma boa. Porque serão afetadas conforme seu gênero e não como indivíduos.

Psicólogos estão sendo aconselhados a, antes mesmo de tratar seus pacientes como seres humanos, devem considerar seus pacientes do sexo masculino como automaticamente necessitando de uma alteração existencial e considerar suas pacientes como automaticamente necessitando de simpatia e aprender a responsabilizar alguém.

Se melhorar a saúde mental for seu objetivo, ambos os conjuntos de Diretrizes são piores que inúteis. Por outro lado, se perpetuar a misandria e a infantilização de mulheres foi seu objetivo, a APA criou um mapa ideal para o sucesso.

 

Artigo primeiro publicado no The Post Millennial e republicado no A Voice for Men em português com autorização da autora.
Versão em português por Aldir Gracindo

 

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